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domingo, 23 de março de 2025
A boa notícia que milhões esperavam, chegou!
Depois de tantos dias internado o Papa Francisco terá alta e poderá voltar para casa.Existe a possibilidade de um período de recuperação, que será lento, mas repleto de esperança.
Dizem que o Papa deverá reaprender a falar, após o uso prolongado de oxigenoterapia de alto fluxo, disse o cardeal Víctor Manuel Fernández.
Se o papa precisa reaprender a falar, vamos nos unir a ele, reaprendendo a escutar.
Caminhemos juntos!
Força Francisco, a jornada será longa!
Pe. Paulo Gil
Fonte: https://bit.ly/4bVPpQj
quinta-feira, 13 de julho de 2017
catequista não é profissão, mas vocação
Papa Francisco pede que os catequistas sejam criativos, buscando diferentes meios e formas para anunciar a Cristo
Ser
catequista não é uma profissão, mas uma vocação: é o que afirma o Papa
Francisco na mensagem enviada aos participantes do Simpósio
Internacional sobre Catequese, em andamento na Faculdade de Teologia da
Pontifícia Universidade Católica Argentina (UCA), em Buenos Aires.
No texto, o Pontífice cita um diálogo de São Francisco de Assis com
um de seus seguidores, que queria aprender a pregar. O santo lhe diz:
Quando visitamos os enfermos, ajudamos as crianças e damos de comer aos
pobres já estamos pregando. “Nesta lição, está contida a vocação e a
tarefa do catequista”, escreve o Papa.
Ser catequista
Em primeiro lugar, a catequese não é um trabalho ou uma tarefa externa
à pessoa do catequista, mas se “é” catequista e toda a vida gira em
torno desta missão. De fato, “ser” catequista é uma vocação de serviço
na Igreja, que se recebeu como dom do Senhor para ser transmitido aos
demais. Por isso, o catequista deve constantemente regressar àquele
primeiro anúncio ou “kerygma”, que é o dom que transformou a própria
vida. Para Francisco, este anúncio deve acompanhar a fé que já está
presente na religiosidade do povo.
Com Cristo
O catequista, acrescentou o Papa, caminha a partir de Cristo e com
Ele, não é uma pessoa que parte de suas próprias ideias e gostos, mas se
deixa olhar por Ele, porque é este olhar que faz arder o coração.
Quanto mais Jesus toma o centro da nossa vida, mais nos impulsiona a
sair de nós mesmos, nos descentraliza e nos faz mais próximos dos
outros.
Catequese “mistagógica”
O Papa compara este dinamismo do amor com os movimentos cardíacos:
sístole e diástole, se concentra para se encontrar com o Senhor e
imediatamente se abre para pregar Jesus. O exemplo fez do próprio Jesus,
que se retirava para rezar ao Pai e logo saía ao encontro das pessoas
sedentas de Deus. Daqui nasce a importância da catequese “mistagógica”,
que é o encontro constante com a Palavra e os sacramentos e não algo
meramente ocasional.
Criatividade
E na hora de pregar, Francisco pede que os catequistas sejam
criativos, buscando diferentes meios e formas para anunciar a Cristo.
“Os meios podem ser diferentes, mas o importante é ter presente o estilo
de Jesus, que se adaptava às pessoas que tinha a sua frente. É preciso
saber mudar, adaptar-se, para que a mensagem seja mais próxima, mesmo
quando é sempre a mesma, porque Deus não muda, mas renova todas as
coisas Nele.
O Papa conclui agradecendo a todos os catequistas pelo que fazem, mas
sobretudo porque caminham com o Povo de Deus. “Eu os encorajo a serem
alegres mensageiros, custódios do bem e da beleza que resplandecem na
vida fiel do discípulo missionário.”
O Simpósio Internacional sobre Catequese teve início no dia 11 de
julho e prossegue até o dia 14. O encontro tem como tema
“Bem-aventurados os que creem”, e entre os conferencistas estão o
Arcebispo Luis Francisco Ladaria sj, prefeito da Congregação para a
Doutrina da Fé e Mons. José Ruiz Arenas, Secretário do Pontifício
Conselho para a Promoção da Nova Evangelização
terça-feira, 17 de maio de 2016
Filiação divina é nossa vocação, nosso DNA
Eis uma catequese de nosso querido papa que todo catequista deveria ler...Papa Francisco em Pentecostes
Cidade do Vaticano (RV) – Nós não somos mais órfãos, somos filhos, este é
o nosso “DNA”. E como filhos, pertencemos a uma "única paternidade e
fraternidade". Na Solenidade de Pentecostes o Papa Francisco presidiu a
Missa na Basílica de São Pedro, onde refletiu sobre nossa filiação
divina e pertença a Cristo com a vinda do Espírito Santo e tudo o que
isto comporta.
Jesus havia prometido que não nos deixaria órfãos. E precisamente a sua missão, “que culmina no dom do Espírito Santo, tinha este objetivo essencial: reatar a nossa relação com o Pai, arruinada pelo pecado; tirar-nos da condição de órfãos e restituir-nos à condição de filhos”. De fato, “a paternidade de Deus reativa-se em nós graças à obra redentora de Cristo e ao dom do Espírito Santo”. O Espírito que nos torna “filhos adotivos. É por Ele que clamamos: Abbá, ó Pai!”.
O Papa explica que “toda a obra da salvação é uma obra de regeneração, na qual a paternidade de Deus, por meio do dom do Filho e do Espírito, nos liberta da orfandade em que caíramos” e observa, que no nosso tempo, é possível constatar “vários sinais desta nossa condição de órfãos”:
“A solidão interior que sentimos mesmo no meio da multidão e que, às vezes, pode tornar-se tristeza existencial; a nossa suposta autonomia de Deus, que aparece acompanhada por uma certa nostalgia da sua proximidade; o analfabetismo espiritual generalizado que nos deixa incapazes de rezar; a dificuldade em sentir como verdadeira e real a vida eterna, como plenitude de comunhão que germina aqui e desabrocha para além da morte; a dificuldade de reconhecer o outro como irmão, porque filho do mesmo Pai; e outros sinais semelhantes”.
Jesus havia prometido que não nos deixaria órfãos. E precisamente a sua missão, “que culmina no dom do Espírito Santo, tinha este objetivo essencial: reatar a nossa relação com o Pai, arruinada pelo pecado; tirar-nos da condição de órfãos e restituir-nos à condição de filhos”. De fato, “a paternidade de Deus reativa-se em nós graças à obra redentora de Cristo e ao dom do Espírito Santo”. O Espírito que nos torna “filhos adotivos. É por Ele que clamamos: Abbá, ó Pai!”.
O Papa explica que “toda a obra da salvação é uma obra de regeneração, na qual a paternidade de Deus, por meio do dom do Filho e do Espírito, nos liberta da orfandade em que caíramos” e observa, que no nosso tempo, é possível constatar “vários sinais desta nossa condição de órfãos”:
“A solidão interior que sentimos mesmo no meio da multidão e que, às vezes, pode tornar-se tristeza existencial; a nossa suposta autonomia de Deus, que aparece acompanhada por uma certa nostalgia da sua proximidade; o analfabetismo espiritual generalizado que nos deixa incapazes de rezar; a dificuldade em sentir como verdadeira e real a vida eterna, como plenitude de comunhão que germina aqui e desabrocha para além da morte; a dificuldade de reconhecer o outro como irmão, porque filho do mesmo Pai; e outros sinais semelhantes”.
A todos estes sinais de orfandade – afirma o Pontífice – “se contrapõe a
condição de filhos, que é a nossa vocação primordial, é aquilo para que
fomos feitos, o nosso «DNA» mais profundo mas que se arruinou e, para
ser restaurado, exigiu o sacrifício do Filho Unigênito”:
“Do imenso dom de amor que é a morte de Jesus na cruz, brotou para toda a humanidade, como uma cascata enorme de graça, a efusão do Espírito Santo. Quem mergulha com fé neste mistério de regeneração, renasce para a plenitude da vida filial. «Não vos deixarei órfãos»”.
Estas palavras de Jesus – prosseguiu o Papa – remetem-nos à presença materna de Maria no Cenáculo:
“A Mãe de Jesus está no meio da comunidade dos discípulos reunida em oração: é memória vivente do Filho e viva invocação do Espírito Santo. É a Mãe da Igreja. À sua intercessão, confiamos de maneira especial todos os cristãos, as famílias e as comunidades que, neste momento, têm mais necessidade da força do Espírito Paráclito, Defensor e Consolador, Espírito de verdade, liberdade e paz”.
Citando a Carta de Paulo aos Romanos, Francisco recorda que “o Espírito faz com que pertençamos a Cristo”, e “consolidando a nossa relação de pertença ao Senhor Jesus, o Espírito faz-nos entrar numa nova dinâmica de fraternidade:
“Através do Irmão universal que é Jesus, podemos relacionar-nos de maneira nova com os outros: já não como órfãos, mas como filhos do mesmo Pai bom e misericordioso. E isto muda tudo! Podemos olhar-nos como irmãos, e as nossas diferenças fazem apenas com que se multipliquem a alegria e a maravilha de pertencermos a esta única paternidade e fraternidade”. (JE)
“Do imenso dom de amor que é a morte de Jesus na cruz, brotou para toda a humanidade, como uma cascata enorme de graça, a efusão do Espírito Santo. Quem mergulha com fé neste mistério de regeneração, renasce para a plenitude da vida filial. «Não vos deixarei órfãos»”.
Estas palavras de Jesus – prosseguiu o Papa – remetem-nos à presença materna de Maria no Cenáculo:
“A Mãe de Jesus está no meio da comunidade dos discípulos reunida em oração: é memória vivente do Filho e viva invocação do Espírito Santo. É a Mãe da Igreja. À sua intercessão, confiamos de maneira especial todos os cristãos, as famílias e as comunidades que, neste momento, têm mais necessidade da força do Espírito Paráclito, Defensor e Consolador, Espírito de verdade, liberdade e paz”.
Citando a Carta de Paulo aos Romanos, Francisco recorda que “o Espírito faz com que pertençamos a Cristo”, e “consolidando a nossa relação de pertença ao Senhor Jesus, o Espírito faz-nos entrar numa nova dinâmica de fraternidade:
“Através do Irmão universal que é Jesus, podemos relacionar-nos de maneira nova com os outros: já não como órfãos, mas como filhos do mesmo Pai bom e misericordioso. E isto muda tudo! Podemos olhar-nos como irmãos, e as nossas diferenças fazem apenas com que se multipliquem a alegria e a maravilha de pertencermos a esta única paternidade e fraternidade”. (JE)
quarta-feira, 13 de abril de 2016
Papa Francisco fala sobre o tema da multiplicação dos pães
Compaixão, partilha, Eucaristia: este o caminho que Jesus nos indica neste
Evangelho” – sublinhou o Papa Francisco, neste domingo ao meio-dia, na Praça de São
Pedro, comentando a liturgia deste dia, com o episódio da multiplicação dos pães,
segundo São Mateus…
“Perante a multidão que o assedia e – por assim dizer – não o deixa em paz, Jesus não reage com irritação, mas sente compaixão… Ele sabe que as pessoas não o procuram por curiosidade, mas por necessidade… Jesus ensina-nos a colocar as necessidades dos pobres acima das nossas. As nossas exigências, embora legítimas, nunca serão tão urgentes como as dos pobres, que não têm o necessário para viver”.
No que diz respeito à partilha, “é útil confrontar a reacção dos discípulos perante aquelas pessoas cansadas e cheias de fome com a de Jesus”...
“Duas reações diferentes, que reflectem duas lógicas opostas. Jesus raciocina segundo a lógica de Deus, que é a da partilha”.
Se tivesse mandado embora as pessoas, muitos teriam ficado sem comer… Assim, aqueles poucos pães e peixes, partilhados e abençoados por Deus, bastaram para toda a gente… Mas não se trata de magia!
“Atenção: não é magia, é um sinal! Um sinal que convida a ter fé em Deus, Pai providente, que não nos deixa faltar o pão nosso de cada dia, se o soubermos partilhar como irmãos!”
Finalmente, a terceira mensagem deste Evangelho, segundo o Papa Francisco, é que este prodígio dos pães preanuncia a Eucaristia, como se vê desde logo no gesto de Jesus, que “recitou a bênção” antes de partir o pão e o distribuir pela multidão. É o mesmo gesto que Jesus faz na Última Ceia, quando instituir o memorial perpétuo do seu Sacrifício redentor. Na Eucaristia Jesus… dá o pão da vida eterna, dá-se a Si mesmo, oferecendo-se ao Pai por nosso amor.
Recapitulando, o Papa recordou de novo que “partilha – comunhão – Eucaristia” constitui o caminho que Jesus nos indica neste Evangelho: caminho que nos leva a enfrentar com fraternidade as necessidades deste mundo, mas nos conduz para além deste mundo…
Acessando nesse link vc pode ouvir a fala do papa sobre esse assunto.
FONTE;http://pt.radiovaticana.va/storico/2014/08/03/papa_ao_angelus_-_compaix%C3%A3o,_partilha,_eucaristia_a_mensagem_deste/por-817295 “Perante a multidão que o assedia e – por assim dizer – não o deixa em paz, Jesus não reage com irritação, mas sente compaixão… Ele sabe que as pessoas não o procuram por curiosidade, mas por necessidade… Jesus ensina-nos a colocar as necessidades dos pobres acima das nossas. As nossas exigências, embora legítimas, nunca serão tão urgentes como as dos pobres, que não têm o necessário para viver”.
No que diz respeito à partilha, “é útil confrontar a reacção dos discípulos perante aquelas pessoas cansadas e cheias de fome com a de Jesus”...
“Duas reações diferentes, que reflectem duas lógicas opostas. Jesus raciocina segundo a lógica de Deus, que é a da partilha”.
Se tivesse mandado embora as pessoas, muitos teriam ficado sem comer… Assim, aqueles poucos pães e peixes, partilhados e abençoados por Deus, bastaram para toda a gente… Mas não se trata de magia!
“Atenção: não é magia, é um sinal! Um sinal que convida a ter fé em Deus, Pai providente, que não nos deixa faltar o pão nosso de cada dia, se o soubermos partilhar como irmãos!”
Finalmente, a terceira mensagem deste Evangelho, segundo o Papa Francisco, é que este prodígio dos pães preanuncia a Eucaristia, como se vê desde logo no gesto de Jesus, que “recitou a bênção” antes de partir o pão e o distribuir pela multidão. É o mesmo gesto que Jesus faz na Última Ceia, quando instituir o memorial perpétuo do seu Sacrifício redentor. Na Eucaristia Jesus… dá o pão da vida eterna, dá-se a Si mesmo, oferecendo-se ao Pai por nosso amor.
Recapitulando, o Papa recordou de novo que “partilha – comunhão – Eucaristia” constitui o caminho que Jesus nos indica neste Evangelho: caminho que nos leva a enfrentar com fraternidade as necessidades deste mundo, mas nos conduz para além deste mundo…
Acessando nesse link vc pode ouvir a fala do papa sobre esse assunto.
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
Papa diz que os pais que têm tempo para seus filhos merecem o Nobel
(montagem de Antonio Lima)
É meus caros amigos catequistas, essas "periferias" estão bem perto de nós, em nossas turmas na catequese.
Achei bem oportuna essa catequese do papa Francisco, onde ele afirma que os pais e mães que encontram tempo para tudo, sobretudo para os filhos, "poderiam ganhar o Nobel".
Ele frisa a importância da oração na família e afirmou que, "apesar do complicado que é o tempo na família, sempre ocupada, com mil coisas que fazer, a oração nos permite encontrar a paz para as coisas necessárias e descobrir o gozo dos dons inesperados do Senhor, a beleza da festa e a serenidade do trabalho".
Entende que para as famílias de hoje "é um período complicado, porque os pais têm muitas coisas que fazer", mas elogiou os "que conseguem ter tempo para tudo: para o trabalho, para a casa e sobretudo para os filhos". "Resolvem tudo com uma equação e nem os grandes matemáticos saberiam resolver. As 24 horas do dia parecem 48. Há mães e pais que poderiam ganhar o Nobel", considerou.
Francisco também pediu aos católicos que leiam o evangelho diariamente e em família. "Quando nos sentemos à mesa, digamos juntos uma oração com singeleza".
Também insistiu que as mães e os pais ensinem "a fazer o sinal da cruz às crianças".
Veja que lindo exemplo desse pai ensinando seu pequeno a rezar...
Veja que lindo exemplo desse pai ensinando seu pequeno a rezar...
,
Falamos sobre o sinal da cruz, mas e o gesto das três pequenas cruzes que traçamos? Ficamos meio perdidos quando queremos nos dirigir a um e outro, traçar o sinal da cruz e quando queremos PERSIGNAR-SE.
Ahammm???? Interessante saber! Li esse texto e achei oportuno partilhar com vocês...
COISAS QUE SEI SOBRE O ATO DE PERSIGNAR-SE E O SINAL DA CRUZ – Texto de Anderson Dideco.
Um pouco de gramática – Segundo o linguista e dicionarista Evanildo Bechara, a palavra persignar-se vem do latim e se refere ao ato de “fazer com o polegar três sinais em cruz, na testa, na boca e no peito”. Desmembrando a palavra, temos: a preposição per, que na língua portuguesa do Brasil caiu em desuso há muito tempo, mas que está na origem das contrações com artigos definidos que formaram pelo, pela; e o vocábulo signo, que tem o mesmo sentido de ‘sinal’. Desse modo, persignar-se se apresenta como aquele gesto que os mais antigos chamavam de “fazer o ‘pelo sinal’”.
Significado – Esta expressão, nem de todos conhecida, se deve às palavras que acompanham o ato de persignar-se. Ao traçar a cruz sobre a testa, os orantes invocam: “Pelo sinal da Santa Cruz”; traçando a cruz sobre a boca, suplicam: “livra-nos, Deus, Nosso Senhor”; e quando a cruz é traçada sobre o peito, exorcizamo-nos “dos nossos inimigos”. Trata-se de uma jaculatória (pequena oração de fácil memorização) que acompanha os gestos descritos acima e lhes empresta um significado espiritual muito específico, mas que não é sempre recordado.
Aspecto litúrgico – Mesmo na liturgia da Santa Missa, a assembleia faz esse gesto – talvez um pouco sem perceber. É traçando a cruz sobre si (testa, boca e peito) que seguimos as palavras do celebrante, no momento em que este anuncia: “Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo [um dos quatro evangelistas]”.
O momento litúrgico, onde o Evangelho assume o centro das atenções, acaba por favorecer o esquecimento e a distração com que, infelizmente, cercamos a realização deste ato tão simbólico. Para melhor praticá-los, é bom recordar o ‘para quê’ destes gestos: com o traçar das três cruzes, pedimos interiormente a Deus que “abra nossa mente para entender, nossa boca para anunciar e nosso coração para acolher” a Palavra que está sendo proclamada. Sem essa consciência, este ou qualquer gesto dentro da liturgia perde o sentido.
Bom costume – Mas também fora do ambiente litúrgico, podemos readquirir o hábito de iniciar o ‘sinal da Cruz’ com esta jaculatória e este gesto. Pessoas simples, do interior, ou os de mais idade, ainda mantêm esse bom costume. Quem, por exemplo, ajuda a divulgar o ato de persignar-se é a Luzia Santiago, cofundadora da Comunidade Católica Canção Nova, que jamais inicia suas conduções de oração, na televisão, sem fazer o ‘pelo sinal’ antes do ‘sinal da Cruz’. É bonito quando aliamos a compreensão do significado profundo daquilo que ofertamos a Deus, desde o menor dos atos. Quando não acontece desse modo, entramos no âmbito perigoso da superstição, dos amuletos e modismos.
E o “Sinal da Cruz”? – “Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.” Creio não haver quem não conheça este sinal característico dos cristãos. Entretanto, poucos gestos terão perdido tanto da sua sacralidade ao longo do tempo. A falta de formação religiosa e o secularismo galopante de nossa sociedade são os principais responsáveis por isso. Muitos ainda fazem o sinal da Cruz diante dos templos católicos e em circunstâncias de angústia, perigo ou tribulação. Mas sabemos que quase nunca compreendem o por quê de o fazerem.
A importância do “e” – Haverá mesmo alguns sacerdotes que não o sabem, mas as conjunções aditivas ‘e’ entre as três Pessoas da Trindade, invocadas no ‘sinal da Cruz’, não são casuais e muito menos opcionais. É a presença delas que garante a correção teológica da invocação, já que coloca o Pai e o Filho e o Espírito Santo na devida condição de igualdade de Sua comum divindade. Uma vírgula, usada gramaticalmente para enumerações, poderia fazer supor uma falsa ideia de hierarquia entre as Pessoas divinas.
O alcance do gesto – Por ter o poder de renovar as graças batismais – que nos foram comunicadas “em nome da Trindade” –, o próprio traçar do gesto precisa ser bem realizado, sob o risco de não obter o seu alcance sacramental. O ‘sinal da Cruz’ é para ser traçado sobre todo o corpo do orante: o “Pai” sobre a testa e o “Filho” na altura do umbigo, manifestando a dimensão vertical da Cruz, e o “Espírito Santo” sobre os dois ombros, o esquerdo e o direito alternados, mostrando-lhe a dimensão horizontal.
Raciocinemos: se é para representar a Cruz da Redenção, da qual Cristo pendeu para nossa salvação, este sinal reveste-se de uma dignidade impressionante. Não podemos fazê-lo de qualquer maneira, de um jeito displicente e descuidado. Quando invocamos o “Filho” com a mão sobre o coração, por exemplo, por mais que isto revele uma intenção sentimental, concordam que a Cruz simbolizada acaba se mostrando ‘capenga’ (ou seja: sem pé)?
Também não é para sacudir as mãos como se espantássemos mosquitos de nossa fronte: esse ato, como qualquer outro que façamos em direção a Deus, precisa manifestar nosso amor e devoção; pelo menos, nosso respeito ante o sagrado. Sem isso, torna-se vazio e desprovido de propósito. O “Amém” também não deve vir secundado dos desnecessários e equivocados “beijinhos na mão”, que nada acrescentam ao seu sentido de concordância com o que proclamamos.
Por que diante da Igreja? – Nós, católicos, cremos na presença Real de Jesus na Hóstia Consagrada, conservada nos sacrários de nossos templos. Portanto, quando traçamos o sinal da Cruz, diante das igrejas e capelas em que haja um sacrário, estamos saudando essa Presença sacramental do Senhor, que se faz tão próximo de nós. Algumas cidades, como Petrópolis, têm o privilégio de ter muitas igrejas com sacrários espalhadas por seus bairros e distritos. Pode-se dizer que vivemos em um verdadeiro ‘território eucarístico’.
Daí o valor que precisamos atribuir ao gesto; por meio dele, estamos dando testemunho da fé na Presença Eucarística, e anunciando a todos à nossa volta que o Santíssimo se deixa encontrar por aqueles que O busquem de coração sincero. Precisamos avaliar se não teríamos abandonado a prática do ‘sinal da Cruz’ ante as igrejas apenas por vergonha de revelar nossa religiosidade. Esse seria um sintoma grave da perda ou diminuição de nosso apreço por Deus. E a estranheza que poderemos causar aos demais precisa ser encarada como uma oportunidade de evangelização, uma chance preciosa de esclarecer nossos irmãos acerca das verdades em que acreditamos.
É óbvio que, dada a quantidade de templos ao nosso redor, seria no mínimo constrangedor ficar fazendo o ‘sinal da Cruz’ a cada esquina. Entretanto, isso não nos exime da responsabilidade de nos reconhecermos (e nos darmos a conhecer) enquanto cristãos. Uma boa saída é traçarmos sobre nós o sinal da nossa salvação perante o primeiro dos templos por que passarmos, e elevarmos o pensamento para Deus a cada nova igreja que cruzarmos em nosso caminho. Um breve segundo é suficiente para lembrar um trecho bíblico: “Meu Senhor e meu Deus”, ou “Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo”. Ou ainda as jaculatórias, como: “Eis-me aqui, Senhor” ou “Sagrado Coração de Jesus, eu confio em vós”, dentre outras.
Importante é nunca perder a consciência da graça que passa e que não volta mais.
https://amigoespiritual.wordpress.com/2012/12/13/2665/
https://amigoespiritual.wordpress.com/2012/12/13/2665/
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Sobre aborto e a nulidade matrimonial!
Cuidado para não colocar palavras na boca do Papa. Cuidado para não espalhar por aí assuntos sérios de forma deformada, superficial. Achei interessante as colocações de dom Henrique sobre a questão do aborto e da nulidade matrimonial.(Imaculada)
É de um sensacionalismo vergonhoso e desinformado o modo como os meios de comunicação noticiam alguns fatos na vida da Igreja.
Conversa! O aborto é pecado gravíssimo, é pecado mortal! Não entre na Vida quem tira a vida de um inocente!
O que o Santo Padre fez foi, neste Ano da Misericórdia, conceder a qualquer padre a faculdade de perdoar pecados de aborto. Normalmente, o perdão para este tipo de pecado depende de algumas normativas dos Bispos. Foi um belo gesto do Papa, exprimindo a largueza do perdão do Senhor para os que se arrependem sinceramente de pecado tão grave.
Agora os processos de nulidade matrimonial. O Papa tomou medidas para que os processos de reconhecimento de nulidade sejam mais ágeis. Já há muito vem se tentando um modo de simplificar tais processos sem em nada macular a indissolubilidade do matrimônio. Pela quantidade de processos e cuidado da Igreja em salvaguardar o matrimônio, caso ele tenha realmente existido, esses processos demoravam demais.
Resumindo: o Papa nada fez de extraordinário ou contrário à fé da Igreja.
Segue o mundo querendo pautar a fé dos católicos, inventando um Papa que não existe!
Nunca nos esqueçamos: a Igreja é de Cristo, não de um Papa! O Papa é o primeiro guardião e testemunha da fé da Igreja, juntamente com os Bispos em comunhão com ele! Os católicos recordem sempre isto e estejam em paz!
Dom Henrique Soares
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
Espelho para nós catequistas!
Irreverente, com certeza...
Despojado, sem sombra de dúvida...
Humilde, dos pés à cabeça...
Teimoso, sim, sim...
Acessível, pra todos...
Clareza, em tudo que escreve e fala...
Contagiante, eu que o diga...
Objetivo, sem rodeios...
Corajoso, nenhum obstáculo o detêm...
Alegre, seu sorriso fala, aliás, grita...
Cada papa com seu jeito de ser, com seu carisma...
Esse papa, ele tem um imã, algo diferente!
Ele é lindo!
Se a esperança tivesse um rosto, seria o dele...
Ele me contagia, me faz ter esperança em dias melhores...
Tem sido meu espelho enquanto catequista!
Ah se todo catequista usasse de sua pedagogia!!!
Meu amado "Chiquinho", que Deus lhe dê vida longa para continuar cuidando de seu rebanho! Quantas ovelhas desgarradas, precisando experimentar essa sua presença amorosa...
Que Deus te cuide e te guarde de todo perigo!
Imaculada Cintra!
quarta-feira, 24 de junho de 2015
XÔ elixir do demônio!!
Um catequista sem alegria, sem esperança é meio complicado! Somos chamados a comunicar VIDA. Não sei pra você que me lê, mas pra mim, essas palavras vieram como flecha em minh'alma!
XÔ elixir do demônio!!
83. Assim se gera a maior ameaça, que «é o pragmatismo cinzento da vida quotidiana da Igreja, no qual aparentemente tudo procede dentro da normalidade, mas na realidade a fé vais e deteriorando e degenerando na mesquinhez».
Desenvolve-se a psicologia do túmulo, que pouco a pouco transforma os cristãos em múmias de museu. Desiludidos com a realidade, com a Igreja ou consigo mesmos, vivem constantemente tentados a apegar-se a uma tristeza melosa, sem esperança, que se apodera do coração como «o mais precioso elixir do demônio».
Chamados para iluminar e comunicar vida, acabam por se deixar cativar por coisas que só geram escuridão e cansaço interior e corroem o dinamismo apostólico. Por tudo isto, permiti que insista: Não deixemos que nos roubem a alegria da evangelização!
(Evangelli Gaudium-83)
terça-feira, 17 de março de 2015
Papa Francisco anuncia Ano Santo Extraordinário da Misericórdia
Acolhamos com jubilo essa grande notícia, um ANO SANTO. Leia com atenção!
VATICANO, 13 Mar. 15 / 03:09 pm (ACI/EWTN Noticias).- O Papa Francisco anunciou esta sexta-feira 13 de março na Basílica de São Pedro a celebração de um Jubileu da Misericórdia, um Ano Santo extraordinário. Este Jubileu começará com a abertura da Porta Santa na Basílica Vaticana durante a Solenidade da Imaculada Concepção, no dia 8 de dezembro, e concluirá no dia 20 de novembro de 2016 com a solenidade de Cristo Rei do Universo.
O Pontífice anunciou o Ano Santo da seguinte forma: “queridos irmãos e irmãs, pensei frequentemente em como a Igreja pode colocar em mais evidência sua missão de ser testemunha da misericórdia. É um caminho que inicia com uma conversão espiritual. Por isso decidi convocar um Jubileu extraordinário que coloque no centro a misericórdia de Deus. Será um Ano Santo da Misericórdia, Queremos vive-lo à luz da palavra do Senhor: 'Sejamos misericordiosos como o Pai”.
“Estou convencido de que toda a Igreja poderá encontrar neste Jubileu a alegria de redescobrir e fazer fecunda a misericórdia de Deus, com a qual todos somos chamados a dar consolo a cada homem e cada mulher de nosso tempo. Confiamo-lo a partir de agora à Mãe da Misericórdia para que dirija a nós seu olhar e vele em nosso caminho”.
O anúncio, que coincide com o segundo aniversário de sua eleição como Sucessor de São Pedro, foi feito pelo Santo Padre durante a homilia que pronunciou na celebração penitencial que deu início à iniciativa “24 horas para o Senhor”, confiado ao Pontifício Conselho para a promoção da Nova Evangelização.
A iniciativa foi acolhida em todo mundo com o fim de promover a abertura extraordinária das igrejas e favorecer a celebração do sacramento da Reconciliação.
O Jubileu da Misericórdia procura ressaltar ainda a importância e a continuidade do Concílio Vaticano II, concluído há exatos 50 anos.
A misericórdia é um dos temas mais importantes no pontificado do Papa Francisco que já como bispo escolheu como lema próprio “miserando atque eligendo”, que pode traduzir-se como “Olhou-o com misericórdia e o escolheu” ou “Amando-o, Ele o escolheu”.
O desenvolvimento deste Ano se fará notar em numerosos aspectos. As leituras para os domingos do tempo ordinário serão tomadas do Evangelho de Lucas, conhecido como “o evangelista da misericórdia”.
A inauguração solene e oficial do Ano Santo será feita com a leitura de uma Bula Papal junto à Porta Santa no domingo da Divina Misericórdia de 2015, festa instituída por São João Paulo II, celebrada no domingo seguinte à Páscoa.
O rito inicial do Jubileu é a abertura da Porta Santa. Trata-se de uma porta que se abre somente durante os Anos Santos. Existe uma Porta Santa em cada uma das quatro basílicas maiores de Roma: São Pedro, San João de Latrão, São Paulo Extramuros e Santa Maria Maior.
O rito da abertura expressa simbolicamente o conceito que, durante o tempo jubilar, oferece-se aos fiéis uma “via extraordinária” para a salvação. Logo depois da abertura da Porta Santa na Basílica de São Pedro, serão abertas sucessivamente as portas das outras basílicas maiores.
Os fiéis que ali passam, cumprindo com as exigências da Igreja, poderão obter indulgências por ocasião do Ano Santo.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA A QUARESMA DE 2015
Fortalecei os vossos corações!
(Tg 5, 8)
Amados irmãos e irmãs,
Tempo de renovação para a Igreja, para as comunidades e para cada um dos fiéis, a Quaresma é sobretudo um «tempo favorável» de graça (cf. 2 Cor 6, 2). Deus nada nos pede, que antes não no-lo tenha dado: «Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro» (1 Jo 4, 19). Ele não nos olha com indiferença; pelo contrário, tem a peito cada um de nós, conhece-nos pelo nome, cuida de nós e vai à nossa procura, quando O deixamos. Interessa-Se por cada um de nós; o seu amor impede-Lhe de ficar indiferente perante aquilo que nos acontece. Coisa diversa se passa connosco! Quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente dos outros (isto, Deus Pai nunca o faz!), não nos interessam os seus problemas, nem as tribulações e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso coração cai na indiferença: encontrando-me relativamente bem e confortável, esqueço-me dos que não estão bem! Hoje, esta atitude egoísta de indiferença atingiu uma dimensão mundial tal que podemos falar de uma globalização da indiferença. Trata-se de um mal-estar que temos obrigação, como cristãos, de enfrentar.
Quando o povo de Deus se converte ao seu amor, encontra resposta para as questões que a história continuamente nos coloca. E um dos desafios mais urgentes, sobre o qual me quero deter nesta Mensagem, é o da globalização da indiferença.
Dado que a indiferença para com o próximo e para com Deus é uma tentação real também para nós, cristãos, temos necessidade de ouvir, em cada Quaresma, o brado dos profetas que levantam a voz para nos despertar.
A Deus não Lhe é indiferente o mundo, mas ama-o até ao ponto de entregar o seu Filho pela salvação de todo o homem. Na encarnação, na vida terrena, na morte e ressurreição do Filho de Deus, abre-se definitivamente a porta entre Deus e o homem, entre o Céu e a terra. E a Igreja é como a mão que mantém aberta esta porta, por meio da proclamação da Palavra, da celebração dos Sacramentos, do testemunho da fé que se torna eficaz pelo amor (cf. Gl 5, 6). O mundo, porém, tende a fechar-se em si mesmo e a fechar a referida porta através da qual Deus entra no mundo e o mundo n'Ele. Sendo assim, a mão, que é a Igreja, não deve jamais surpreender-se, se se vir rejeitada, esmagada e ferida.
Por isso, o povo de Deus tem necessidade de renovação, para não cair na indiferença nem se fechar em si mesmo. Tendo em vista esta renovação, gostaria de vos propor três textos para a vossa meditação.
1. «Se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros» (1 Cor 12, 26): A Igreja.
Com o seu ensinamento e sobretudo com o seu testemunho, a Igreja oferece-nos o amor de Deus, que rompe esta reclusão mortal em nós mesmos que é a indiferença. Mas, só se pode testemunhar algo que antes experimentámos. O cristão é aquele que permite a Deus revesti-lo da sua bondade e misericórdia, revesti-lo de Cristo para se tornar, como Ele, servo de Deus e dos homens. Bem no-lo recorda a liturgia de Quinta-feira Santa com o rito do lava-pés. Pedro não queria que Jesus lhe lavasse os pés, mas depois compreendeu que Jesus não pretendia apenas exemplificar como devemos lavar os pés uns aos outros; este serviço, só o pode fazer quem, primeiro, se deixou lavar os pés por Cristo. Só essa pessoa «tem a haver com Ele» (cf. Jo 13, 8), podendo assim servir o homem.
A Quaresma é um tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos como Ele. Verifica-se isto quando ouvimos a Palavra de Deus e recebemos os sacramentos, nomeadamente a Eucaristia. Nesta, tornamo-nos naquilo que recebemos: o corpo de Cristo. Neste corpo, não encontra lugar a tal indiferença que, com tanta frequência, parece apoderar-se dos nossos corações; porque, quem é de Cristo, pertence a um único corpo e, n'Ele, um não olha com indiferença o outro. «Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria» (1 Cor 12, 26).
A Igreja é communio sanctorum, não só porque, nela, tomam parte os Santos mas também porque é comunhão de coisas santas: o amor de Deus, que nos foi revelado em Cristo, e todos os seus dons; e, entre estes, há que incluir também a resposta de quantos se deixam alcançar por tal amor. Nesta comunhão dos Santos e nesta participação nas coisas santas, aquilo que cada um possui, não o reserva só para si, mas tudo é para todos. E, dado que estamos interligados em Deus, podemos fazer algo mesmo pelos que estão longe, por aqueles que não poderíamos jamais, com as nossas simples forças, alcançar: rezamos com eles e por eles a Deus, para que todos nos abramos à sua obra de salvação.
2. «Onde está o teu irmão?» (Gn 4, 9): As paróquias e as comunidades
Tudo o que se disse a propósito da Igreja universal é necessário agora traduzi-lo na vida das paróquias e comunidades. Nestas realidades eclesiais, consegue-se porventura experimentar que fazemos parte de um único corpo? Um corpo que, simultaneamente, recebe e partilha aquilo que Deus nos quer dar? Um corpo que conhece e cuida dos seus membros mais frágeis, pobres e pequeninos? Ou refugiamo-nos num amor universal pronto a comprometer-se lá longe no mundo, mas que esquece o Lázaro sentado à sua porta fechada (cf. Lc 16, 19-31)?
Para receber e fazer frutificar plenamente aquilo que Deus nos dá, deve-se ultrapassar as fronteiras da Igreja visível em duas direcções.
Em primeiro lugar, unindo-nos à Igreja do Céu na oração. Quando a Igreja terrena reza, instaura-se reciprocamente uma comunhão de serviços e bens que chega até à presença de Deus. Juntamente com os Santos, que encontraram a sua plenitude em Deus, fazemos parte daquela comunhão onde a indiferença é vencida pelo amor. A Igreja do Céu não é triunfante, porque deixou para trás as tribulações do mundo e usufrui sozinha do gozo eterno; antes pelo contrário, pois aos Santos é concedido já contemplar e rejubilar com o facto de terem vencido definitivamente a indiferença, a dureza de coração e o ódio, graças à morte e ressurreição de Jesus. E, enquanto esta vitória do amor não impregnar todo o mundo, os Santos caminham connosco, que ainda somos peregrinos. Convicta de que a alegria no Céu pela vitória do amor crucificado não é plena enquanto houver, na terra, um só homem que sofra e gema, escrevia Santa Teresa de Lisieux, doutora da Igreja: «Muito espero não ficar inactiva no Céu; o meu desejo é continuar a trabalhar pela Igreja e pelas almas» (Carta 254, de 14 de Julho de 1897).
Também nós participamos dos méritos e da alegria dos Santos e eles tomam parte na nossa luta e no nosso desejo de paz e reconciliação. Para nós, a sua alegria pela vitória de Cristo ressuscitado é origem de força para superar tantas formas de indiferença e dureza de coração.
Em segundo lugar, cada comunidade cristã é chamada a atravessar o limiar que a põe em relação com a sociedade circundante, com os pobres e com os incrédulos. A Igreja é, por sua natureza, missionária, não fechada em si mesma, mas enviada a todos os homens.
Esta missão é o paciente testemunho d'Aquele que quer conduzir ao Pai toda a realidade e todo o homem. A missão é aquilo que o amor não pode calar. A Igreja segue Jesus Cristo pela estrada que a conduz a cada homem, até aos confins da terra (cf. Act 1, 8). Assim podemos ver, no nosso próximo, o irmão e a irmã pelos quais Cristo morreu e ressuscitou. Tudo aquilo que recebemos, recebemo-lo também para eles. E, vice-versa, tudo o que estes irmãos possuem é um dom para a Igreja e para a humanidade inteira.
Amados irmãos e irmãs, como desejo que os lugares onde a Igreja se manifesta, particularmente as nossas paróquias e as nossas comunidades, se tornem ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença!
3. «Fortalecei os vossos corações» (Tg 5, 8): Cada um dos fiéis
Também como indivíduos temos a tentação da indiferença. Estamos saturados de notícias e imagens impressionantes que nos relatam o sofrimento humano, sentindo ao mesmo tempo toda a nossa incapacidade de intervir. Que fazer para não nos deixarmos absorver por esta espiral de terror e impotência?
Em primeiro lugar, podemos rezar na comunhão da Igreja terrena e celeste. Não subestimemos a força da oração de muitos! A iniciativa 24 horas para o Senhor, que espero se celebre em toda a Igreja – mesmo a nível diocesano – nos dias 13 e 14 de Março, pretende dar expressão a esta necessidade da oração.
Em segundo lugar, podemos levar ajuda, com gestos de caridade, tanto a quem vive próximo de nós como a quem está longe, graças aos inúmeros organismos caritativos da Igreja. A Quaresma é um tempo propício para mostrar este interesse pelo outro, através de um sinal – mesmo pequeno, mas concreto – da nossa participação na humanidade que temos em comum.
E, em terceiro lugar, o sofrimento do próximo constitui um apelo à conversão, porque a necessidade do irmão recorda-me a fragilidade da minha vida, a minha dependência de Deus e dos irmãos. Se humildemente pedirmos a graça de Deus e aceitarmos os limites das nossas possibilidades, então confiaremos nas possibilidades infinitas que tem de reserva o amor de Deus. E poderemos resistir à tentação diabólica que nos leva a crer que podemos salvar-nos e salvar o mundo sozinhos.
Para superar a indiferença e as nossas pretensões de omnipotência, gostaria de pedir a todos para viverem este tempo de Quaresma como um percurso de formação do coração, a que nos convidava Bento XVI (Carta enc. Deus caritas est, 31). Ter um coração misericordioso não significa ter um coração débil. Quem quer ser misericordioso precisa de um coração forte, firme, fechado ao tentador mas aberto a Deus; um coração que se deixe impregnar pelo Espírito e levar pelos caminhos do amor que conduzem aos irmãos e irmãs; no fundo, um coração pobre, isto é, que conhece as suas limitações e se gasta pelo outro.
Por isso, amados irmãos e irmãs, nesta Quaresma desejo rezar convosco a Cristo: «Fac cor nostrum secundum cor tuum – Fazei o nosso coração semelhante ao vosso» (Súplica das Ladainhas ao Sagrado Coração de Jesus). Teremos assim um coração forte e misericordioso, vigilante e generoso, que não se deixa fechar em si mesmo nem cai na vertigem da globalização da indiferença.
Com estes votos, asseguro a minha oração por cada crente e cada comunidade eclesial para que percorram, frutuosamente, o itinerário quaresmal, enquanto, por minha vez, vos peço que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!
Vaticano, Festa de São Francisco de Assis, 4 de Outubro de 2014.
Francisco
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
A herança que um pai nunca pode deixar faltar para um filho, segundo o Papa Francisco
Eis um bom gancho para um papo sério com nossos pais num encontro na catequese.Qual a importância deles no processo catequético dos filhos???
*Catequese Papa Francisco, quarta-feira, 04 de fevereiro de 2015
Todas as famílias têm necessidade do pai. Hoje meditamos sobre o valor do seu papel, e gostaria de começar com algumas expressões que se encontram no Livro dos Provérbios, palavras que um pai dirige ao próprio filho, dizendo assim: «Meu filho, se o teu espírito for sábio, o meu coração alegrar-se-á contigo! Os meus rins estremecerão de alegria, quando os teus lábios proferirem palavras retas» (Pr 23, 15-16).
Não se poderia expressar melhor o orgulho e a emoção de um pai que reconhece que transmitiu ao seu filho aquilo que realmente conta na vida, ou seja, um coração sábio. Este pai não diz: «Sinto-me orgulhoso de ti, porque és precisamente igual a mim, repetes as palavras que pronuncio e aquilo que faço». Não, não se limita simplesmente a dizer-lhe algo. Diz-lhe uma coisa muito mais importante, que poderíamos interpretar assim: «Serei feliz cada vez que te vir agir com sabedoria e comover-me-ei todas as vezes que te ouvir falar com retidão.
Foi isto que desejei deixar-te, para que se tornasse algo teu: a atitude de ouvir e agir, de falar e julgar com sabedoria e retidão. E para que pudesses ser assim, ensinei-te coisas que não sabias, corrigi erros que não vias. Fiz-te sentir um afago profundo e ao mesmo tempo discreto, que talvez não tenhas reconhecido plenamente quando eras jovem e incerto. Dei-te um testemunho de rigor e de firmeza que talvez não entendesses, quando só querias cumplicidade e tutela.
Fui o primeiro que tive de me pôr à prova da sabedoria do coração e velar sobre os excessos do sentimento e do ressentimento, para poder carregar o peso das incompreensões inevitáveis e encontrar as palavras certas para me fazer entender. Agora — continua o pai — comovo-me quando vejo que tu procuras comportar-te assim com os teus filhos e com todos. Estou feliz por ser teu pai!». É isto que diz um pai sábio, um pai maduro.
Um pai sabe bem quanto custa transmitir esta herança: quanta proximidade, quanta meiguice e quanta firmeza. No entanto, que consolação e recompensa se recebe, quando os filhos honram esta herança! É uma alegria que compensa todos os esforços, que supera qualquer incompreensão e cura todas as feridas.
Portanto, a primeira necessidade é precisamente esta: que o pai esteja presente na família. Que se encontre próximo da esposa, para compartilhar tudo, alegrias e dores, dificuldades e esperanças. E que esteja perto dos filhos no seu crescimento: quando brincam e quando se aplicam, quando estão descontraídos e quando se sentem angustiados, quando se exprimem e quando permanecem calados, quando ousam e quando têm medo, quando dão um passo errado e quando voltam a encontrar o caminho; pai presente, sempre. Estar presente não significa ser controlador, porque os pai demasiado controladores anulam os filhos e não os deixam crescer.
O Evangelho fala-nos da exemplaridade do Pai que está nos céus — o único, diz Jesus, que pode chamar-se verdadeiramente «Pai bom» (cf. Mc 10, 18). Todos conhecem a extraordinária parábola denominada do «filho pródigo», ou melhor, do «pai misericordioso», que se lê no capítulo 15 do Evangelho de Lucas (cf. 15, 11-32). Quanta dignidade e quanta ternura na expectativa daquele pai que está à porta de casa, à espera do regresso do filho! Os pais devem ser pacientes. Muitas vezes nada se pode fazer, a não ser esperar; rezar e esperar com paciência, doçura, generosidade e misericórdia.
Um pai bom sabe esperar e perdoar, do profundo do coração. Sem dúvida, também sabe corrigir com firmeza: não se trata de um pai fraco, complacente, sentimental. O pai que sabe corrigir sem aviltar é o mesmo que sabe proteger sem se poupar. Certa vez ouvi numa festa de casamento um pai dizer: «Às vezes tenho que bater um pouco nos filhos... mas nunca no rosto, para não os humilhar». Que bonito! Tem o sentido da dignidade. Deve punir, mas fá-lo de modo correcto e vai em frente.
Por conseguinte, se alguém pode explicar até ao fundo a oração do «Pai-Nosso» ensinada por Jesus, é precisamente quem vive pessoalmente a paternidade. Sem a graça do Pai que está nos céus, os pais perdem a coragem e abandonam o campo. Mas os filhos têm necessidade de encontrar um pai que os espera quando voltam dos seus fracassos. Farão de tudo para não o admitir, para não o revelar, mas precisam dele; quando não o encontram, abrem-se-lhes feridas difíceis de cicatrizar.
A Igreja, nossa mãe, está comprometida em apoiar com todas as suas forças a presença boa e generosa dos pais nas famílias, porque para as novas gerações eles são guardiões e mediadores insubstituíveis da fé na bondade, da fé na justiça e da salvaguarda de Deus, como são José.
Fonte:
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
A Conversão é certa quando chega ao "bolso", diz Papa
Uau! Esse nosso Papa é demais... Vale muito não só ler, mas ruminar esse texto...e prepare-se para ficar com as orelhas vermelhas...
corramos atrás de nosso conversão...
Francisco falou da necessidade de conversão, alertando os cristãos para que não sejam “mornos”, acomodados e nem cristãos de aparência
Da Redação, com Rádio Vaticano na Missa da terça-feira, 18, o Papa Francisco advertiu os fiéis para não se tornarem ‘cristãos mornos, acomodados ou de aparência’. O Santo Padre destacou que os cristãos devem sempre atender ao chamado de Jesus à conversão, para não passarem de pecadores a corruptos.
“A conversão é uma graça, é uma visita de Deus”, disse meditando sobre a liturgia do dia, extraída do Apocalipse de João e do encontro entre Jesus e Zaqueu. Na primeira leitura, Deus pede aos cristãos de Laudiceia que se convertam, porque caíram na ‘tepidez’; vivem na ‘espiritualidade da comodidade’. Quem vive assim, afirmou, pensa que não lhe falta nada, que está bem, pois vai à missa aos domingos e reza de vez em quando. “Estou na graça de Deus e sou rico”, acreditam. “Este estado de espírito é um estado de pecado. O Senhor não poupa palavras a estas pessoas e lhes aconselha a ‘vestirem-se’, porque os cristãos ‘acomodados’ são nus”.
Francisco também alertou sobre os cristãos que vivem de aparência. Ele disse que as aparências são o sudário desses cristãos que, na verdade, estão mortos. Deus sempre chama à conversão, então o Papa convidou os fiéis a refletirem se são ou não cristãos de aparência.
“Eu sou um destes cristãos das aparências? Sou vivo dentro, tenho uma vida espiritual? Sinto o Espírito Santo? Dou-lhe ouvidos? Ou… se parece que vai tudo bem, não me questiono? Tenho uma boa família, ninguém fala mal de mim, tenho tudo o que preciso, sou casado na Igreja… estou na graça de Deus, estou tranquilo. Estes são cristãos de fachada. Devemos procurar alguma coisa de vivo dentro, temos que nos converter: das aparências à realidade. Do torpor ao fervor”.
O terceiro chamado à conversão aparece em Zaqueu, um corrupto que era como muitos dirigentes de hoje, disse o Papa: exploram o povo para servir a si mesmos. Mas Zaqueu sentiu algo dentro de si e procurou Jesus. “O Espírito Santo é sagaz, eh! E semeou a semente da curiosidade, e aquele homem para vê-lo se comporta de maneira um pouco ridícula. Pensem num dirigente importante, e também corrupto, um chefe dos dirigentes, mas sobe numa árvore para observar uma procissão: pensem nisso. Que ridículo!”
Francisco explicou que a Palavra de Deus entrou naquele coração e, com a Palavra, entrou a alegria. “Os da comodidade e da aparência tinham esquecido o que era a alegria; e este corrupto a recebe imediatamente, o coração muda, se converte”. E assim Zaqueu promete devolver quatro vezes o que roubou:
“Quando a conversão chega até o bolso, é certa. Cristãos de coração? Sim, todos. Cristãos de alma? Todos. Mas cristãos de bolso, poucos, eh! Poucos. Mas, a conversão … e aqui chegou logo: a palavra autêntica. Converteu-se. Mas diante desta palavra, havia outra, a dos que não queriam a conversão, que não queriam se converter”.
Segundo Francisco, a Palavra de Deus é capaz de mudar tudo, mas nem sempre o homem tem a coragem de acreditar na Palavra de Deus e recebê-la. A Igreja deseja que, nestas últimas semanas do Ano Litúrgico, os fiéis pensem muito seriamente na conversão, para que possam avançar no caminho da vida cristã.
“Recordar a Palavra de Deus, fazer apelo à memória, de protegê-la, de vigiar e também de obedecer à Palavra de Deus, porque começamos uma vida nova, convertida”.
Fonte:http://andersonribeiro18.blogspot.com.br/2014/11/a-conversao-e-certa-quando-chega-ao.html#comment-form
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quarta-feira, 17 de setembro de 2014
O Senhor quer servir-Se de nós...
Parágrafo 151, da exortação apostólica Evangelli Gaudium do Papa francisco
Não nos é pedido que sejamos imaculados, mas que não cessemos de melhorar, vivamos o desejo profundo de progredir no caminho do Evangelho, e não deixemos cair os braços. Indispensável é que o pregador esteja seguro de que Deus o ama, de que Jesus Cristo o salvou, de que o seu amor tem sempre a última palavra. À vista de tanta beleza, sentirá muitas vezes que a sua vida não lhe dá plenamente glória e desejará sinceramente corresponder melhor a um amor tão grande.
Todavia, se não se detém com sincera abertura a escutar esta Palavra, se não deixa que a mesma toque a sua vida, que o interpele, exorte, mobilize, se não dedica tempo para rezar com esta Palavra, então na realidade será um falso profeta, um embusteiro ou um charlatão vazio.
Em todo caso, desde que reconheça a sua pobreza e deseje comprometer-se mais, sempre poderá dar Jesus Cristo, dizendo como Pedro: "Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho, isto te dou" (At 3,6)
O Senhor quer servir-Se de nós como seres vivos, livres e criativos, que se deixam penetrar pela sua Palavra antes de transmiti-la; a sua mensagem deve passar realmente através do pregador, e não só pela sua razão, mas tomando posse de todo o seu ser.
O Espírito Santo, que inspirou a Palavra, é quem "hoje ainda, como no início da Igreja, age em cada um dos evangelizadores que se deixa possuir e conduzir por Ele, e põe na sua boca as palavras que ele sozinho não poderia encontrar"
terça-feira, 1 de abril de 2014
Se falta catequistas, é porque existem tantos cristãos anestesiados...
Esse papa, de fato, veio para nos acordar, nos tirar do comodismo... É cada chacoalhão dos bãos!!! Eitá homem abençoado!
Amei essa dos 'cristãos anestesiados'... Verdade, se não fosse tantos cristãos anestesiados, não tínhamos que ficar mendigando catequistas aqui e ali... Pena, que os anestesiados nem chegue a ler isso! Continuarão anestesiados, descansando.... descansado do que mesmo? grgrgrggrgrrgr
PREGUIÇA E FORMALISMO EM TANTOS CRISTÃOS FECHAM A PORTA À SALVAÇÃO
Os cristãos anestesiados não fazem bem à Igreja. Foi o que sublinhou o Papa Francisco na Missa deste 1º de abril de 2014, na Missa na casa Santa Marta. O Papa reiterou que não é necessário deter-se nos formalismos, mas “envolver-se”, vencer a preguiça espiritual e assumir o anúncio do Evangelho.
O Papa desenvolveu sua homilia comentando o trecho do Evangelho que narra o encontro entre Jesus e o paralítico, que, doente há 38 anos, estava sob os pórticos perto da piscina esperando a cura.
Este homem se lamentava porque não conseguia fazer imersão na piscina, pois sempre alguém se antecipava a ele. Mas Jesus lhe abre um novo horizonte, ordenando-lhe que se levante e ande. Um milagre que provoca críticas dos fariseus porque era sábado e, naquele dia, diziam, não se podia fazer milagres. Nesta narração, disse o Papa, encontramos duas doenças fortes, espirituais, duas doenças sobre as quais, disse, “nos fará bem refletir”. Antes de tudo a resignação do doente, que está amargurado e se lamenta:
“Eu penso em tantos cristãos, tantos católicos: sim, são católicos, mas sem entusiasmo, amargurados! ‘Sim, a vida é assim, mas a Igreja...eu vou à Missa todos os domingos, mas melhor não envolver-se, eu tenho a fé para a minha saúde, não sinto necessidade de dá-la aos outros...’. Cada um em suas casas, tranquilos… E se alguém ousa fazer alguma coisa, é repreendido: “Não, é melhor assim, não arriscar”. É a doença da preguiça, da preguiça dos cristãos. Esta atitude que é paralisante do zelo apostólico, que faz dos cristãos pessoas estagnadas, tranquilas, mas não no bom sentido da palavra: que não se preocupam em sair para anunciar o Evangelho! Pessoas anestesiadas”.
E a anestesia, acrescentou o Papa, “é uma experiência negativa”. Este ‘não envolver-se’ que se torna “preguiça espiritual”. “E a preguiça – disse - é uma tristeza: estes cristãos são tristes, “são pessoas não luminosas, pessoas negativas. E esta é uma doença de nós, cristãos”. E esta é uma doença nossa, dos cristãos. Vamos à Missa “todos domingos, mas, dizemos, por favor, não incomode”. Esses cristãos sem zelo apostólico – advertiu - não servem, não fazem bem à Igreja. E quantos cristãos são assim, egoístas, por si mesmos”. Este – disse - é o pecado da preguiça, que é contra o zelo apostólico, contra a vontade de doar a novidade de Jesus aos outros, aquela novidade que a mim foi dada gratuitamente”. Mas neste trecho do Evangelho, afirmou ainda o Pontífice, encontramos também outro pecado, quando vemos que Jesus é criticado porque curou o doente no sábado. O pecado do formalismo. “Cristãos – disse Francisco – que não deixam espaço à graça de Deus. E a vida cristã, a vida destas pessoas se resume em ter todos os documentos e certidões em ordem”:
“Cristãos hipócritas, como estes. Somente lhes interessa as formalidades. Era sábado? Não, não se pode fazer milagres no sábado, a graça de Deus não pode trabalhar no sábado. Fecham as portas à graça de Deus. Temos muitos destes na Igreja, como temos! É um outro pecado! Os primeiros, aqueles que pecaram pela preguiça, não são capazes de ir em frente com o seu zelo apostólico, porque decidiram parar em si mesmos, em suas tristezas e ressentimentos. Estes não são capazes de levar a salvação porque fecham as portas a ela!”.
Para eles, disse, conta “somente a formalidade”. “Não se pode: é a palavra que mais está em suas mãos”. E estas pessoas, as encontramos também nós – disse – também nós, “tantas vezes tivemos preguiça ou tantas vezes fomos hipócritas como os fariseus”. Estas – acrescentou - são tentações que vem, “mas devemos conhecê-las para nos defender”. “E diante destas duas tentações, diante deste hospital de campo, que é o símbolo da Igreja”, diante de tanta gente ferida”, Jesus se aproxima e pede apenas: “Queres ficar curado?", e lhes dá a graça. A graça faz tudo. E após, quando, encontra de novo o paralítico lhe diz: “não peque mais”.
“As duas palavras cristãs: 'queres ficar curado?' e 'não peque mais', são palavras ditas com ternura, com amor. Antes o cura, para depois dizer ‘não peque mais’. É este o caminho cristão, o caminho do zelo apostólico: aproximar-se de tantas pessoas, feridas neste hospital de campo...e também muitas vezes pessoas feridas por homens e mulheres da Igreja! É uma palavra de irmão e de irmã: queres ser curado? E depois, quando seguires em frente, ‘Ah, e não peque mais, não te faz bem!’. É muito melhor isto: as duas palavras de Jesus são mais bonitas do que os comportamentos de preguiça e de hipocrisia”.
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Sobre a missa...
Francisco: "Missa não é evento social, mas sim a presença real de Deus"
“Quando celebramos a missa, não fazemos uma representação da Última Ceia: não é uma encenação, é a própria Última Ceia! É como viver de novo a Paixão e a Morte redentora do Senhor. É uma teofania: o Senhor se manifesta no altar para ser oferecido ao Pai para a salvação do mundo”, disse Francisco.
O Papa explicou que na missa, participamos do mistério da presença do Senhor entre nós. A missa é uma comemoração real: Deus se aproxima e nós participamos do mistério da Redenção. “Infelizmente – lembrou o Pontífice – muitas vezes contamos os minutos olhando o relógio na igreja: este não é o comportamento adequado à liturgia. A liturgia é tempo e espaço de Deus, onde nós devemos nos inserir”.
“A liturgia é justamente entrar no mistério de Deus, deixar-se levar ao mistério e estar nele. Estamos aqui reunidos para entrar no mistério: esta é a liturgia; é o tempo de Deus, o espaço de Deus, é a nuvem de Deus que nos envolve”. “Todos vêem aqui para entrar no mistério, mas – ressalvou – alguém pode estar pensando que veio aqui porque no ‘pacote turístico’, visitar o Papa e participar da missa na Casa Santa Marta estavam incluídos, mas não é bem assim: esta é a liturgia!”.
O Papa lembrou que quando era criança, na preparação para a Primeira Comunhão, havia um canto que indicava que o altar era custodiado pelos anjos porque eles davam “o sentido da glória de Deus, de seu tempo e espaço; nos ensaios, diziam às crianças que as hóstias que estavam ali não valiam nada, pois deviam ser ainda consagradas”.
“Seria bom pedirmos ao Senhor que nos dê o “sentido do sagrado”, este sentido que nos faz entender a diferença entre rezar em casa, na igreja, rezar o terço, fazer belas orações, a Via Sacra e outras coisas lindas, como ler a Bíbia... e a celebração eucarística. Na celebração, nós entramos no mistério de Deus, num caminho que não podemos controlar: só Ele é Única, Ele é a glória, Ele é o poder, Ele é tudo”.
(CM)
Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2014/02/10/francisco:_missa_n%C3%A3o_%C3%A9_evento_social,_mas_sim_a_presen%C3%A7a_real_de/bra-771863
do site da Rádio Vaticano
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
CONVOCADOS A SERMOS DIÁCONOS DA VERDADE..
Congresso Internacional de Catequese
Cidade do Vaticano – Itália
Realizado no Ano da Fé, de 26 à 29 de Setembro de 2013
A catequese deve hoje procurar renovar a forma de transmitir a fé, "com novas abordagens de ensino", através de uma "reformulação de palavras" que facilitem a "compreensão" dos catequizandos, numa adaptação à Nova Evangelização.
A Igreja embarcou num caminho da Nova Evangelização, a catequese não pode permanecer com as mesmas características do passado, mas deve renovar a sua forma de transmitir a fé, com novas abordagens de ensino, após um diagnóstico sério da situação da fé hoje e como educar, tomando em linha de conta o equilíbrio entre termos bíblicos doutrinais e a necessária reformulação das palavras que facilita a compreensão daqueles que são catequizados, sem trair o seu sentido profundo.
O secretário do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, o arcebispo Octavio Ruiz Arenas, que apresentou o documento final, apontou o mundo digital e as redes sociais como instrumentos que a Igreja deve utilizar para " fazer ouvir a mensagem do Evangelho no mundo contemporâneo".
Os 1600 participantes, representando 51 países, reunidos desde quinta-feira, na sala Paulo VI, no Vaticano, ouviram dizer que ser catequista é "uma vocação e não um trabalho", que a pessoa transmissora de fé deve "testemunhar permanentemente" essa mesma fé, com "criatividade".
O mundo de hoje exige dos catequistas uma grande criatividade, simplicidade de vida, espírito de oração, obediência e humildade, renúncia de si mesmo, muita generosidade e autêntica caridade para todos, em particular com os pobres, aponta o arcebispo Octavio Ruiz Arenas.
O congresso pediu aos catequistas um "catecumenato sério", "não só como preparação para o Batismo", mas como um "instrumento capaz de transformar de toda a vida das pessoas".
Os participantes refletiram sobre a existência de "muitas pessoas que dizem não acreditar, desconhecendo o conteúdo da fé" e distanciando-se da Igreja, cabendo, por isso, aos catequistas a "apresentação da pessoa de Cristo" com "clareza", "confiança filial, com alegre segurança, com ardor e com humilde audácia".
O documento sublinha ainda que a catequese deve estar "profundamente unida à liturgia", também que a Igreja é o primeiro "sujeito de evangelização" e que a transmissão de fé deve ser feita com "palavras de vida" e não com "linguagem de simples refrão de sobrevivência". Após a leitura das conclusões, D. Rino Fisichella, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, sem anunciar local e data do próximo encontro, referiu que "estes congressos não terminam", e que "temas e ideias" estão a "surgir" para dar continuidade ao trabalho.
Terminado o Congresso Internacional de Catequese, os 1600 catequistas participantes juntam-se aos cerca de 20 mil catequistas para a Peregrinação dos Catequistas, que teve o seu início na manhã do sábado com catequeses em algumas igrejas de Roma.
Durante a tarde os vários grupos são convidados a peregrinar ao túmulo do Apóstolo Pedro para a Professio Fidei, a profissão de fé que cada catequista é convidado a realizar nesta peregrinação.
Domingo, o Papa Francisco presidiu à Eucaristia que encerrou oficialmente o Congresso Internacional de Catequese dedicado aos catequistas e enquadrado nas comemorações do Ano da Fé.
O Papa não quer catequistas «transformados» em estátuas.
Sem medo. É esta a mensagem do Papa Francisco a centenas de catequistas que se reuniram no Vaticano, no âmbito do congresso internacional dos catequistas.
O apelo à coragem dos catequistas tem como objetivo que estes se desloquem para as periferias e entrem em contanto com outras pessoas.
Não tenham medo de sair. Se um catequista se deixa tomar pelo medo, é um covarde! Se um catequista está sossegado, acaba por ficar uma estátua de museu, e já temos muitas! Nada de estátuas de museu!» salientou o sumo pontífice aos cerca de 1 600 catequistas presentes.
Se um catequista é rígido, torna-se encarquilhado e estéril. Pergunto-vos: algum de vós quer ser covarde, estátua de museu ou estéril? Não? Ainda bem!» reforçou o Papa.
Na sua homilia o Papa deixou-se inspirar pelas palavras do Profeta Amós que diz: “Ai dos que vivem comodamente (…) e não se preocupam dos outros”. Palavras duras – disse o Papa - mas que nos chamam a atenção para o perigo que todos corremos.
O perigo de termos como centro de tudo apenas o nosso bem-estar, sem nos preocuparmos com os outros, com os pobres; o perigo de - tal como o rico citado no Evangelho - perdermos a nossa identidade de pessoa, o nosso rosto humano, e de termos como rosto e como identidade apenas os nossos haveres. Mas porque é que acontece isto, perguntou o Papa, respondendo que isto acontece quando perdemos a memória de Deus:
“Se falta a memória de Deus, tudo se nivela pelo eu, pelo meu bem-estar. A vida, o mundo, os outros perdem consistência, já não contam para nada, tudo se reduz a uma única dimensão: o ter. Se perdemos a memória de Deus, também nós mesmos perdemos consistência, também nós nos esvaziamos, perdemos o nosso rosto, como o rico do Evangelho! Quem corre atrás do nada, torna-se ele próprio nulidade – diz outro grande profeta, Jeremias. Estamos feitos à imagem e semelhança de Deus, não das coisas, nem dos ídolos!”
E lançando o olhar à extensa Praça de São Pedro, repleta de catequistas (entre os outros fiéis) o Papa perguntou-se:
“Quem é o catequista”? É aquele que guarda a alimenta a memória de Deus; guarda-a em si mesmo e sabe despertá-lo nos outros. É belo isto!”
É belo isto, prosseguiu o Papa, referindo-se a Nossa Senhora que, depois de ter recebido o anuncio do Anjo de que ia ser a mãe de Jesus, soube, de forma humilde e cheia de fé, fazer memória de Deus.
A fé contém a memória de Deus, da história de Deus conosco, do Deus que toma a iniciativa de salvar o homem - continuou o Papa, afirmando que “o catequista é precisamente um cristão que põe esta memória ao serviço do anuncio: não para dar nas vistas, nem para falar de si, mas para falar de Deus, do seu amor, da sua fidelidade.
Falar e transmitir tudo o que Deus revelou, isto é a Doutrina, isto é a doutrina na sua totalidade, sem cortar, nem acrescentar”
O Papa dirigiu-se diretamente aos catequistas:
“Amados catequistas pergunto-vos: Somos memória de Deus? Procedemos verdadeiramente como sentinelas que despertam nos outros a memória de Deus, que inflama o coração (…)? Que estrada seguir para não sermos pessoas “que vivem comodamente”, que põem a sua segurança em si mesmos e nas coisas, mas homens e mulheres da memória de Deus?”
Uma tarefa não fácil, a de guardar memória de Deus e despertá-lo no coração dos outros, pois que isto compromete a vida toda –continuou o Papa, recordando que o próprio Catecismo não é senão memória de Deus, memória da sua ação na História, presença de Cristo na sua Palavra… e aqui, Como resposta o Papa sugeriu as indicações dadas por São Paulo na sua carta a Timóteo e que podem caracterizar também o caminho do catequista, isto é: procurar a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão.
E rematou:
“O catequista é pessoa da memória de Deus, se tem uma relação constante, vital com Ele e com o próximo; se é pessoa de fé, que confia verdadeiramente em Deus e põe n’Ele a sua segurança; se é pessoa de caridade, de amor, que vê a todos como irmãos; se é pessoa de paciência e perseverança, que sabe enfrentar as dificuldades, as provas, os insucessos, com serenidade e esperança no Senhor; se é pessoa gentil, capaz de compreensão e de misericórdia”
No final da missa, e antes da oração mariana do Angelus, o Papa agradeceu todos, especialmente os catequistas vindos de tantas partes do mundo e dirigiu uma saudação particular a Sua Beatitude Youhanna X, Patriarca greco-ortodoxo de Antioquia de todo o Oriente, definindo-o irmão e dizendo que a sua presença nos convida a rezar mais uma vez para a paz na Síria e no Médio Oriente…
Saudou, entre outros, também um grupo de peregrinos de Assis vindos a Roma a cavalo, os peregrinos da Nicarágua, país que celebra o centenário da fundação canónica da Província eclesiástica… e concluiu recordando que sábado foi proclamado Beato na Croácia, Mirislav Bulevisic, sacerdote, morto como mártir em 1947.
E no meio dum tripudio de bandeirinhas amarelas e brancas, cartazes com frases saudando o Papa, rostos sorridentes e num pano de fundo de cânticos, o Papa foi dando a mão, saudando prelados, padres, catequistas, fieis… primeiro a pé e depois no automóvel papal até à Via da Concilição, cheinha de gentes de mãos no ar a acená-lo e saúda-lo com gritos de alegria…que bom foi viver esta experiência ao lado de mais 100.000 pessoas na praça São Pedro, marcas profundas que jamais o tempo vai apagar de minha memoria, minha alma e meu coração, abrigado a todos que ajudaram viver esta realidade, contem sempre com minhas orações.
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