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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A vida que começa com a morte...

"Que lindo foi a experiência de levar nossos catequizandos no cemitério ontem, me pareceu que para alguns era sua primeira vez ali e quando você falava a emoção rolava. Aquela cena, daquele quero-quero protegendo seu ninho (que estava em cima de um túmulo) me tocou, Deus nos fazendo enxergar a vida onde muitos só vêem a morte, e vida brotando vida pois haviam 03 ovinhos ali. Como disse a Cristiane: "Sempre nos convide para suas loucuras" que são sempre loucuras lindas, emocionantes e tocantes.
Um grande abraço e que Jesus te abençoe sempre.
Tiago!

Tiago, querido amigo e irmão em Cristo!
Que Jesus nos abençoe sempre! E que bom que não estou sozinha em minhas "loucuras"
Obrigada por sua adesão à essa catequese que para muitos pode parecer uma maluquez. Eu  vejo essa experiência como a mais"pés no chão"que já tive. Não é o tipo de encontro em que temos a presença em massa e eu nem esperava isso. Se comparecesse  apenas três catequizandos e esses três fossem catequizados na realidade da morte em nossa vida, pra mim, pra nós,  já teria valido o esforço.
De três turmas, contarmos com a presença de  11 pais/mães, 15 catequizandos, foi bom demais. Hoje, liguei para uma de minhas catequizandas, antes de escrever este post, pois eu sabia da "resistência" dela em entrar num cemitério. Perguntei a ela:
-Você gostou do nosso encontro de ontem?
- Sim Imaculada, eu gostei muito!
-Me diz a verdade, se não gostou, pode ser sincera, não vou achar ruim com você!
-Eu gostei muito!
- Você poderia me dizer, o que ele mudou em você? O que te acrescentou?
- Mudou, que eu morria de medo de ir no cemitério e agora não tenho mais.
- Você viu o quanto nos faz bem rezarmos pelas almas das pessoas, o quanto isso nos traz paz...

No próximo encontro,  ouvirei a  todos, até mesmo, para atingirmos os que não foram.

Foi bem legal!
 Essa catequese, chamava a atenção das pessoas ao ver aquele grupo reunido e escutando sobre nossa irmã morte. Alguns paravam e ficavam escutando, outros disfarçavam e ficavam escutando a meio fio. Fiquei observando e minha vontade era de chamá-los para a roda.
Começamos rezando no túmulo  dos filhos da Rosmeire, uma catequista que estava conosco, escutamos seu testemunho, que é uma lição de vida... 
Em seguida, fomos ao túmulo de meu pai, meu maior catequista, dei meu testemunho, dizendo que se hoje sou catequista e serei até minha morte, tive como exemplo meu pai, que na simplicidade nos deu a maior riqueza, uma formação religiosa... e fui dizendo: 
"Queridos pais, essa deve ser a preocupação com seus filhos, a de deixar a verdadeira herança, porque aqui diante desses túmulos, diante do nosso nada, da morte, é que temos a certeza de que os bens materiais são passageiros"
E depois disso, os pais ali presentes, tiveram também o desejo de procurar os túmulos de seus entes queridos, para que fossemos rezar neles... Agora, os pais  falavam... E tudo ia acrescentando e enriquecendo nossa catequese na prática sobre a morte...
 Foi gratificante. Ficamos ali, uma hora e meia e nem percebemos... Não notei nenhum sinal de constrangimento nas crianças... Elas levaram muito a sério cada momento, sem nenhuma brincadeira ou piadinha sem graça, pois entenderam que quando entramos nesse lugar, que chamamos "monte Santo", é preciso respeito, muito respeito. Expliquei a eles que ali estão os restos mortais de tantas pessoas que  são almas santas, que nunca serão reconhecidos pela Igreja, por isso a Igreja celebra  no dia 01 de novembro, o dia de todos os Santos... e que ao contrário, existem muitas almas que não morreram na graça de Deus e que estão sedentas de nossas orações... 
Quem sabe com essa iniciativa, um dia isso se tornará uma prática natural na catequese... Catequistas, pais e catequizandos, visitando e rezando no cemitério no dia de finados.
Eu, Imaculada, dou testemunho da riqueza de um encontro assim, mas não  estive sozinha, estiveram comigo e podem testemunhar também: o Tiago, a Rosmeire, a Cristiane e o Marcelo...




quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Enquanto formos lembrados, estaremos vivos!

É pertinente para o dia de hoje a frase do escritor israelense Amós Oz:
"Nós vivemos até o dia em que morre a última pessoa que se lembre de nós".
 Ou seja, segundo ele, nós não morremos no dia do nosso último suspiro, mas quando morre a última pessoa que carrega consigo nossa lembrança. Nossos falecidos, portanto, permanecem vivos em nossa memória, em nossa lembrança. É por isso que neste dia costumamos visitar o cemitério e depositar flores no túmulo de nossos queridos. Eles nos deixaram, mas ainda os carregamos conosco na memória.
Pe Nilo Luza

terça-feira, 1 de novembro de 2011

As almas do purgatório!!

Lendo esse texto, lembrei-me de quando era pequena e rezávamos o terço em família,  essa jaculatória me chamava a atenção: "Ó Meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo       do     inferno e levai as almas todas para o Céu e socorrei principalmente as que mais precisarem".
Parece que ainda hoje escuto a voz do meu pai, pronunciando essas palavras com muita força... escutava também ele falar dessa tal Igreja militante, triunfante e padecente e não entendia nada. Rezávamos sempre pelas almas do "purgatório" e confesso não gostava muito dessa palavra..rsrsr Isso fez parte de meu amadurecimento na fé.
Que nesse dia 02, nós Igreja militante,  rezemos pela Igreja padecente até chegar o dia em que  nos encontremos na Igreja triunfante...
Diz que saudade é amor que fica, então lembremos de nossos entes queridos com muitas saudades...
Imaculada Cintra

Associamos o mês de novembro às almas do Purgatório. O dia 2 é para todos nós um momento de "curtir" saudades. Para os que crêem, é dia de esperança na vida eterna.
A Igreja ensina que vivos e defuntos são ligados em três diferentes níveis de vida: Igreja militante, padecente e triunfante.
Você e eu, aqui na Terra, fazemos parte da Igreja militante.
A Igreja padecente, de que tantos nos lembramos no dia 2 de novembro, são as almas do purgatório. O "purgatório é o estado dos que morrem na amizade de Deus, mas, embora certos de sua salvação eterna, tem ainda necessidade de purificação para entrar na bem-aventurança celeste" (compêndio do Catecismo da Igreja Católica, nº 210).
Podemos ajudar as almas do purgatório com orações, Missas e boas obras, alcançando, assim, indulgências para elas. Indulgências é "a remissão diante de Deus da pena temporal merecida pelos pecados" Compêndio do Catecismo, nº 312).
A Igreja oferece indulgências pelos infinitos méritos de Jesus Cristo.
A Igreja triunfante é o Céu. Os Santos vêem Deus face a face. É o estado das pessoas totalmente felizes no Amor, com nenhum sinal de ódio, inveja, orgulho, egoísmo,mentira, etc. Só Deus é Santo em sentido pleno. Assim, a Bíblia diz: "Deus não nos chamou à impureza, mas à santidade" (1Ts 4,7).
Nós Igreja Militante, padecente e triunfante, estamos todos ligados. Pedimos a intercessão dos Santos e rezamos pelas almas do purgatório. Eles, por sua vez, intercedem por nós.
(Padre Otmar Jacob Schwengber, SJ)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Assuntinho chato... mas necessário!

Queridos, semana que vem, celebramos dia de finados. E esse não é um assunto que nós catequistas mais gostamos de abordar, vamos levando em banho-maria e perdemos a oportunidade de esclarecer o grande fundamento de nossa fé: a ressurreição. 
 Será que nossas crianças estão preparadas para ouvir falar da morte? Para enfrentar a perda de um ente querido? Precisamos sentar e dialogar com elas sobre seus medos, sobre o que sabe sobre esse assunto, do que acontece depois da morte... E que oportunidade melhor que o dia de finados pra fazer isso...
Ano passado eu e minha amiga catequista, Angela Rita, fizemos uma experiência que vimos como positiva... Fomos dar essa catequese não numa sala fechada, mas num lugar santo: NUM CEMITÉRIO...
E digo pra vocês, foi uma das experiências mais gratificantes que já tive, tanto que nesse ano vou programar melhor, vou ligar pra todos os pais e explicar meu desejo de fazer uma catequese no cemitério, espero ter a adesão da maioria... Fica a dica! Leia sobre o assunto, se prepare, reze, cante com eles nesse lugar santo. Quebre todo medo, cisma, proporcione um encontro diferente nesse dia... Comecei minhas ligações e na primeira, olha o que escutei da mãe: "Claro, muito bom, vou e te ajudo a levar as crianças"! Iupi!!!!
Encontrei esse material, achei oportuno a leitura...

CREIO NA VIDA ETERNA

Num diálogo com catequistas as perguntas se direcionaram para questões como “vida eterna, morte, céu, inferno”.

Um catequista perguntou: “Eu sei que a morte é uma realidade, creio na vida eterna, acredito no céu, mas tenho muita dificuldade de falar sobre estes assuntos na catequese. Gostaria de receber algumas orientações”.

Estimados catequistas, há uma tendência de evitar estas realidades nas conversas, estudos e na catequese.

Cresce uma mentalidade de viver o momento presente, aproveitar bem este tempo de vida e não pensar muito no dia de amanhã. É claro que, também, não se pode viver em tensão e medo diante da certeza da morte e da vida futura.

Neste mês, lembramos o dia dos finados. É bom aproveitar esta data para dar uma boa catequese sobre os citados temas. Alguns pontos são fundamentais não só para a catequese, mas para a vida cristã.

MAIOR CERTEZA: RESSURREIÇÃO

O fundamento de nossa fé baseia-se na certeza de que nossa vida não termina com a morte. Cremos na ressurreição e na vida eterna. Aliás, isto nós professamos ao rezar o “Creio em Deus Pai”.

A morte deve ser entendida em três dimensões:

a) A morte é o fim da vida terrestre. Nossa vida é medida pelo tempo, ao longo do qual passamos por mudanças, envelhecemos e, como acontece com todos os seres vivos da terra, a morte aparece como fim normal da vida.

b) A morte é conseqüência do pecado. O pecado entrou no mundo e desorganizou os desígnios de Deus. Como conseqüência do pecado, do mal e do coração carregado de maldade, a morte entrou no mundo.

c) A morte é transformada por Jesus Cristo. Jesus Cristo passou pela morte, apesar de não ter pecado. Mas não ficou na morte. Três dias após o seu sepultamento ele ressuscitou. É na ressurreição de Jesus que a nossa vida adquire um novo sentido. “Se Cristo não ressuscitou inútil é a nossa fé”, afirma São Paulo (1Cor 15, 14). “Por que buscais entre os mortos aquele que está vivo? Não está aqui, ele ressuscitou” (Lc 24, 5).

MISSÃO DA CATEQUESE

A catequese tem uma missão fundamental para orientar os catequizandos e a comunidade cristã sobre o verdadeiro sentido da vida, da ressurreição e da eternidade. Quem perde o horizonte da ressurreição debate-se no cotidiano da vida em busca de razões e angustia-se ao pensar que um dia deverá enfrentar a morte... e deixar tudo.

Viver sem esperança e certeza de vida eterna faz os sonhos serem pequenos, a vida limitada, os trabalhos sem finalidade, o sofrimento sem sentido e a luta de cada dia sem perspectiva.

Refletir sobre a morte, crer na ressurreição e na vida eterna é professar a fé na certeza de que a vida vem de Deus e volta para Deus. Em Jesus cremos que a morte não é o fim, mas a passagem para a vida nova em Cristo.

A Bíblia nos diz: “Esta é a vontade de meu Pai, que todo aquele que vê o Filho e nele crê, tenha a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia. Em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna” (Jo 6, 40).

“Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (Jo 11, 26).

“Não queremos que ignoreis coisa alguma a respeito dos mortos, para que não vos entristeçais com os outros homens que não têm esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos também que Deus levará com Jesus os que nele morrerem” (1Tes 4, 13).

A catequese precisa ser anunciadora da esperança. A vida tem sentido porque cremos na ressurreição e na vida eterna. A fé é seta que aponta para o infinito. Não nascemos para o finito, o transitório e o perecível. Nascemos para a eternidade, para o “novo céu e a nova terra, onde não há mais choro nem lágrimas” (Ap 21, 4).

Sem esperança a vida não tem rumo, nem sentido e nem respostas. A fé na ressurreição e a certeza da vida eterna é fundamento da nossa esperança e a razão para construirmos o Reino de Deus.

Dom Juventino Kestering