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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Mensagem do Papa Francisco para o Natal...



O Natal costuma ser sempre uma ruidosa festa; entretanto se faz necessário o silêncio, para que se consiga ouvir a voz do Amor.

Natal é você, quando se dispõe, todos os dias, a renascer e deixar que Deus penetre em sua alma.

O pinheiro de Natal é você, quando com sua força, resiste aos ventos e dificuldades da vida.

Você é a decoração de Natal, quando suas virtudes são cores que enfeitam sua vida.

Você é o sino de Natal, quando chama, congrega, reúne.

A luz de Natal é você quando com uma vida de bondade, paciência, alegria e generosidade consegue ser luz a iluminar o caminho dos outros.

Você é o anjo do Natal quando consegue entoar e cantar sua mensagem de paz, justiça e de amor.

A estrela-guia do Natal é você, quando consegue levar alguém, ao encontro do Senhor.

Você será os Reis Magos quando conseguir dar, de presente, o melhor de si, indistintamente a todos.

A música de Natal é você, quando consegue também sua harmonia interior.

O presente de Natal é você, quando consegue comportar-se como verdadeiro amigo e irmão de qualquer ser humano.

O cartão de Natal é você, quando a bondade está escrita no gesto de amor, de suas mãos.

Você será os “votos de Feliz Natal” quando perdoar, restabelecendo de novo, a paz, mesmo a custo de seu próprio sacrifício.

A ceia de Natal é você, quando sacia de pão e esperança, qualquer carente ao seu lado.

Você é a noite de Natal quando consciente, humilde, longe de ruídos e de grandes celebrações, em silêncio recebe o Salvador do Mundo.

Um muito Feliz Natal a todos que procuram assemelhar-se com esse Natal.

Papa Francisco

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Lições do presépio!

TEMPO do advento. Em muitos lugares a catequese já se encontra de férias nesse período, o que é uma pena, pois perde-se a oportunidade de inseri-los nos mistérios desse tempo forte. 
Seria oportuno que explorássemos os símbolos mais significativos como: o presépio e a coroa do advento. Papai noel, árvores, luzes (embora tenha seus significados), já são explorados por demais pelo Natal comercial. 

UHMMM! Nada contra o bom velhinho, mas ele que coloque suas barbas de molho, pois quando os catequistas estiverem inseridos no processo de Iniciação Cristã, ele não será destacado e nem feito para ser  dado como lembrança de Natal.

Muitos de nossos catequizandos não tem presépios em casa, muitos talvez não por condições financeiras, mas por não ter conhecimento do significado desse símbolo. Sendo assim, a catequese precisa ser o tempo para dar sentido às coisas. Porque não dar como lembrança ou trabalhar com eles esse símbolo tão significativo. 

Fiz esse modelinho e recomendo.  


"O Natal centraliza diante de nossos olhos uma família. O presépio, necessariamente, não é mais que três figuras: o carpinteiro José, Maria de Nazaré e o menino deitado na manjedoura. As demais figuras, todas elas, são dispensáveis. Resultam da imaginação criativa e amorosa de São Francisco de Assis. Há presépios por demais imaginativos, onde essas três principais figuras quase desaparecem. Mais favorece a distração do que a contemplação do mistério

O presépio tem o poder de enlevar e transportar para o mundo do maravilhoso e nos convencer de que Deus não nos ama só de palavras. "A palavra se fez carne e fez sua morada entre nós". Como diz um poeta: "O presépio não é para ser somente admirado mas, sobretudo, para ser rezado". Ao contemplá-lo com os olhos da fé, nascem em nós vários sentimentos.

Em cada Natal, celebramos o nascimento do filho de Deus na história e em nossas vidas. Em cada Natal, participamos desse acontecimento salvífico anunciado pêlos anjos aos humildes pastores nos campos de Belém: "Hoje, nasceu-vos um Salvador". Este "hoje" nunca se faz passado. Depois desse "alegre anúncio", ninguém poderá mais sentir-se abandonado de Deus. Do Deus-conosco.

Na companhia dos pastores, revestidos de seus sentimentos e envolvidos pela mesma luz daquela "noite feliz", aproximemo-nos do presépio onde sempre encontraremos "Maria, José e o recém-nascido deitado na manjedoura". Festejemos o Natal unidos a essa família, trazendo-a para a intimidade dos nossos lares."

texto de Dom Eduardo koiak... LVale a pena ler na íntegra. CLIQUE NO LINK A SEGUIR: http://www.catequisar.com.br/texto/materia/bispo/12.htm


INFORMAÇÕES INTERESSANTES:



"Após as I Vésperas do I Domingo do Advento é a hora de montar a árvore de Natal, colocar a guirlanda na porta, armar o presépio, e mudar o capacho da frente de casa por um tapete com decoração natalina." (Rafael Vitola Brodbeck).

A árvore não deve ser montada toda de uma vez: o ideal é acrescentar enfeites e adereços aos poucos, durante as quatro semanas do Advento, que é, para nós católicos, tempo de preparação. 

“Durante o Natal, no Hemisfério Norte, todas as árvores perdem as folhas, com exceção do pinheiro. Por isso, a árvore se tornou símbolo da vida, celebrada no Natal com o nascimento do menino Jesus.” 

A preparação da árvore deve ser intensificada durante a última semana que antecede o Natal. “Até 16 de dezembro, tudo ainda é muito sóbrio, mesmo nas leituras feitas nas Missas do advento. É só a partir do dia 17 de dezembro que a Bíblia começa a falar do nascimento de Jesus, e se inicia um momento de maior expectativa. Esse é o momento, portanto, de intensificar a decoração da árvore.” 

A montagem do presépio, também tradicional em tempos de Natal, deve seguir a mesma linha da preparação da árvore de natal. “Aos poucos, pode-se começar a montar a gruta, colocar os animais e os pastores, mas a Virgem Maria, São José e o menino Jesus devem fazer parte do presépio apenas mais próximo da noite do Natal.” 

O presépio, enquanto “encenação”, foi uma invenção de São Francisco de Assis para lembrar a simplicidade e as dificuldades enfrentadas pela Virgem Maria e São José no nascimento de Jesus. A orientação para quem pretende seguir a tradição católica é não sofisticar os presépios com luzes e enfeites. 

“Costumamos dizer sempre também que é muito importante envolver as crianças na montagem dos presépios, e o ideal seria que eles fossem feitos nas próprias casas, pelas crianças, para que eles percebam o real sentido do natal.” 

Hora de desmontar 
Tradicionalmente, o dia de desmontar a árvore de Natal, o presépio e toda a decoração natalina é 6 de janeiro, o Dia de Reis. “É nesse dia que três magos, pessoas sábias, encontram o menino Jesus e ele é então revelado a todas as nações.” 

Advento 
Um dos grandes símbolos do Natal para a Igreja é a coroa do Advento. Formada com ramos verdes e em formato de círculo, a coroa simboliza a unidade e a perfeição, sem começo e sem fim. “A coroa representa o nascimento do rei. Em cada um dos quatro Domingos do Advento uma vela é acesa. Com a proximidade do nascimento de Jesus, a luz se torna mais intensa, e é o Natal enquanto festa da luz que celebramos.”

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Pequenos gestos, grandes lições!

O Natal e seus ruídos externos, com suas tantas luzes,  acabam por ofuscar a LUZ principal. Na catequese, nadamos contra a maré do Natal comercial.

Como estamos formando os futuros cristãos no que diz respeito ao mistério da encarnação?

Inúmeros textos, reflexões, mensagens bonitas, com palavras profundas, tudo tentando nos colocar dentro do mistério desse tempo. Para que isso aconteça, precisamos contar com catequistas, pastores mistagogos. Não basta falar sobre o Natal e seus significados, se isso não provoca mudanças de atitudes. Como catequista, nada mais gratificante, emocionante do que VER o testemunho de crianças que estão no processo de amadurecimento da fé, mostrando com suas atitudes, em pequenos gestos, que Jesus habita em seus corações. Com certeza entenderam que não se pode celebrar o Natal, fechado no egoísmo, cego às necessidades do  próximo. Se tantas palavras bonitas se transformassem em AÇÃO,  seria Natal todo dia!

Graças as ferramentas que tecnologia  oferece, posso saber o que acontece lá numa pequena aldeia em Portugal,  num encontro de catequese, numa confraternização de Natal com os catequizandos. Tomei a liberdade de escrever sobre o testemunho da Idalina, partilhado nas redes sociais/facebook. Ela é catequista de Azoia, uma aldeia nos arredores de Leiria-Fátima/Portugal. Quando li o relato dessa catequista, fiquei imaginando o aperto pelo qual passou ao perceber que uma criança ficaria sem o agrado de Natal. Fiquei feliz, emocionada com o desfecho, com a atitude dessas duas crianças, que fizeram o Natal acontecer diante dos olhos de todos. Poderiam ter se fechado ao egoísmo, mas não, sentiram compaixão, sofrendo com a catequista e com a criança que ficaria sem o seu saquinho. Isso pra mim é Natal.



A Idalina disse bem: "o gesto altruísta destas duas crianças aqueceu-me o coração e mostraram-me um dos motivos que me faz "aqui andar". Meu coração cá ficou aquecido também e te digo mais, é por essa e por outras que "aqui continuo a andar"


Nesse mundão tomado pelo consumismo, pelo egoísmo, que possamos aprender com nossas crianças... Com certeza, o que foi trabalhado em seus encontros de catequese, essas crianças demonstraram em atitudes... Parabéns! Pequenos gestos, grandes lições!

Beijo grande Carolina, Maria. Quem dera tivéssemos muitas Marias, muitas Carolinas espalhados pelos cantos do nosso mundo! Quem dera! Nosso mundo seria muito melhor!

Um santo Natal à todos os catequistas espalhados por esse mundão!
Nossa missão: fazer Cristo conhecido, amado, seguido!
Imaculada Cintra...


Testemunho da Idalina

"Festa de Natal com a catequese. Depois da apresentação do meu grupo pedi-lhes que se mantivessem juntos para lhes entregar uma pequena "prenda de Natal". Tinha feito 14 saquinhos que fui entregando, mas para minha surpresa, quando cheguei à 14.ª criança... não havia mais sacos!!.

Como era possível se eu os tinha contado! e agora o que fazer? Podia ter-me lembrado que no transporte o saco que continha os saquinhos tinha-se tombado na mala do carro e que o 14.º saquinho poderia ter ali ficado - como mais tarde verifiquei. Mas com todo o stress que normalmente acompanha a Festa de Natal, não me lembrei e só via os olhinhos tristes da 14ª. criança! 

Foi quando uma das crianças me estende o saquinho dela, ainda por abrir e me diz "dá-lhe o meu que eu partilho o da minha irmã" - tem uma irmã gémea no grupo. E atrás de mim estava já outra menina a estender-me o saquinho dela e a dizer o mesmo - "toma, dá-lhe o meu". Aceitei o da "gémea" com a promessa que depois lhe daria outro. 

Fiquei incomodada com esta situação e mais ainda quando horas mais tarde encontrei o saquinho perdido na mala do carro, coisa que na altura me podia ter lembrado! Mas, por outro lado penso que até foi bom que tivesse acontecido: o gesto altruísta destas duas crianças aqueceu-me o coração e mostraram-me um dos motivos que me faz "aqui andar". Obrigado Carolina! Obrigado Maria!


Feliz Natal!

Idalina Gaspar

Catequese de azoia


quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Teatro de Natal: O boi e o burro a caminho de Belém


Olá!

 Pra quem está a procura de algo para a preparação do Natal, eis que não trago nada de novo, porém podem aproveitar algumas postagens existentes!

Vá na barra lateral, à direita do blog, em MARCADORES/Natal.
Esse teatro vc encontra AQUI

Na verdade, nossa catequese peca nesse quesito de preparar para bem viver os tempos fortes, como páscoa e Natal.  A recepção dos sacramentos no final do ano, acaba por antecipar as férias de nossos catequizandos, quando na verdade  deveriam estar impregnados na comunidade.

São lacunas que vamos criando, não permitindo que a catequese mistagógica aconteça. 
Final de ano, como de costume, tempo para rever, avaliar, planejar...
Seria uma boa pedida, rever alguns pontos do nossa ação catequética...
Uma santa INQUIETAÇÃO  à todos!
A inquietação é o primeiro passo para uma futura reestruturação na catequese tendo como meta a INICIAÇÃO Á VIDA CRISTÃ.
Como iniciar nos mistérios, se no tempo oportuno nossos catequizandos estão em casa, de férias, ansiosos por viver o Natal comercial!

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O natal e a catequese... Algumas dicas!


Deus da Esperança no tempo da espera. Deus da Coragem nas dificuldades. Deus da Serenidade no meio do medo. Deus da Paz no mundo em guerra. Deus da Luz no coração da noite. Vem e acende em nós a esperança, a coragem, a serenidade, a paz e a luz com a tua graça.

 Amém



Que sentido estamos dando ao Natal? Como estamos trabalhando esse tema em nossos encontros catequéticos?

Será que é proibido falar do Papai Noel na catequese?
Não se trata de proibição, a questão é saber dar sentido às coisas... Se perguntamos a um grupo que está iniciando sua caminhada de fé: o que te vem a mente, quando escuta falar de NATAL? Certamente a maioria responderá: papai noel, presentes... Pode até que um ou outro, responda: nascimento de Cristo. O tema a ser desenvolvido sempre deve partir daquilo que conseguimos colher da turma, ou seja, meu encontro deve começar  por aquilo que eles já sabem, não os subestimem,  achando que ninguém sabe nada. 
Quando trabalhamos o sentido do Natal, devemos ter a mesma cautela de quando trabalhamos a Páscoa, colocando o bom velhinho e o coelhinho com seus ovos de "chocolates" no lugar que lhes cabe, sem excluí-los é claro, pois isso pode chocar e bagunçar a cabecinha dos pequenos. Repito, o importante é saber dar sentido às coisas. Para isso,  o catequista precisa estar por dentro, estudar sobre o significado dos diversos símbolos, valorizando e aprofundando os principais.

Por exemplo, dois 'sinais/simbolos' que devemos explorar são: o presépio e a coroa do advento.

Qual o significado do presépio? Quando surgiu? Quem montou o primeiro presépio? Porque?Podemos promover um concurso do presépio mais criativo, com coisas recicladas. Fizemos aqui uma vez, e foi lindo... Ou até mesmo incentivá-los e ensiná-los a montar o presépio que tem em casa, gradativamente, conforme vai se aproximando do Natal, vai se colocando os personagens. Digo isso, pois a maioria, até mesmo catequistas, montam seus presépios em novembro, já com o menino Jesus... Cadê a espera, cadê o sentido desse tempo de advento, preparação???




Na época esse foi o escolhido. O catequizando construiu a casinha, plantou as sementes, esperou crescer... e tudo foi acompanhado pela família... Quando fui até a casa para ver o presépio, foi emocionante o testemunho dos pais dizendo o quanto isso foi importante, que de fato esse símbolo, a representação do nascimento de Jesus, esteve esquecido por muito tempo...





A COROA DO ADVENTO

Faça uma oficina sobre a coroa do advento. Enquanto se trabalha, vá conversando sobre o sentido de cada vela, sobre os ramos verdes, sobre a fita vermelha. Isso tudo vai dando sentido a esse tempo de espera. E o melhor, eles vão levar esse sinal pra casa com a oração para ser feita em cada semana. Isso evangelizará também a família.
Muitas vezes nós catequistas não nos programamos com antecedência e quando percebemos não dá mais tempo para trabalhar as coisas no tempo certo e lá se vai a grande chance de fazer acontecer encontros mistagógicos, encontros que de fato os conduza aos mistérios.

Essas fotos são da catequista Rosicler Bote, de São José do Rio Preto, em sua oficina sobre a Coroa do advento.




Por meio de seu formato circular e de suas cores, expressa a esperança e convida à alegre expectativa. A coroa teve sua origem no século XIX, na Alemanha.
Nós, católicos, adotamos o costume da coroa do Advento no início do século XX. 

Os ramos verdes são sinais de esperança. Em alguns lugares, envolve-se a coroa com uma fita vermelha que lembra o amor de Deus manifestado pelo nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A figura geométrica da coroa (circular) tem um bonito simbolismo. Sendo uma figura sem começo e sem fim, representa a perfeição, a harmonia, a eternidade.
As quatro velas referem-se aos quatro domingos que antecedem o Natal. 
A luz vai aumentando à medida em que se aproxima o Natal, festa da luz que é Cristo Nosso Senhor, quando a luz da salvação brilha para toda humanidade.



 Abaixo uma lembrancinha que fiz, sem excluir o bom velhinho, mas enfatizando o verdadeiro sentido do natal... Esse modelo você encontra aqui pela internet. 



 Ainda um modelo de uma linda estrela, que você pode fazer em vários tamanhos e usar em várias ocasiões...




E uma atividade bem simples para trabalhar com os pequenos...



Teatro sobre o Natal
você encontra aqui:

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Teatro de Natal - O boi e o burro a caminho de Belém!


Gente amada, não adianta espernear, porque mais um ano está chegando ao seu final... Num piscar de olhos, entra Novembro e já é Natal... E como toda festa gera uma preparação, já é tempo de começar a ensaiar as peças teatrais de Natal. Tem já uns sete anos, fizemos essa peça na preparação com as crianças e achei bem legal, porque fugiu um pouquinho daquela coisa tradicional. Só que sumi com a peça e agora que minha companheira de guerra(Angela Rita) encontrou, vamos ensaiar para apresentar nesse ano. Fiz e recomendo! Vamos lá, escolha os atores e mãos à obra moçada!! Fazer a retratação do ambiente onde Jesus nasceu é muito importante, tanto é que São Francisco de Assis, com o intuito de evangelizar montou o primeiro presépio vivo em 1223. Sigamos os passos desse nosso espelho de Catequista. Beijo grande!
Imaculada

(Na foto Tais, minha filha amada, na época, com  seus 13 pra 14 anos e Danilo Andrade, meu Boi preferido...)

O BOI E O BURRO A CAMINHO DE BELÉM.

CENA 1
(Surgem o Boi e o Burro, ao ritmo da música(Berceuse) dançando, descontraídos) e examinando o ambiente. Ao terminar a música, eles se colocam de cada lado do palco)
BOI: Muuuuuu!!! (mugindo).
BURRO: Hiiiiiiiii!!! (relinchando).
BOI: Burro, ei Burro. Você está notando qualquer coisa hoje?
BURRO: Não estou notando nada, não, Boi!
BOI: Você é mesmo muito burro, hein amigo? Então não está vendo que tudo está meio mudado?
BURRO: (cheirando o ar). É verdade, amigo Boi. Tudo cheira diferente por estas bandas (cheirando com barulho).
BOI: (olhando o céu). E nunca o céu esteve tão estrelado, tão perto! (continua olhando o céu, e o Burro faz o mesmo).
BURRO: Não é que é verdade, amigo Boi, não é que é verdade? Sou mesmo muito burro... não tinha notado antes. Está tudo muito esquisito!(mudando de tom e olhando assustado para o Boi). Será que o mundo vai acabar, hem, Boi?
BOI: Talvez comece um outro mundo!
BURRO: (triste): E nós? Haverá pastagens para nós dois no outro mundo?
BOI: Sei não! (Enquanto isso, mais um susto...)

CENA 2:
(Entra a estrela de Belém, lentamente aos som de uma música natalina. Ela segura uma grande estrela de papelão nas mãos. O Boi e o Burro vão seguindo a estrela com os olhos)
BOI: Éhhhhh... esse lugar que era quieto, silencioso... agora...  (Ouve-se a flauta do Pastor. O Boi e o Burro olham espantados para o Pastor que toca a flauta de bambu, olhando para o céu).
PASTOR: (Já no palco parando de tocar olhando para o céu). Oh! (nesse momento a estrela de Belém fixa a estrela de papelão bem em cima do estábulo e sai de cena)
BURRO: (Seguindo o olhar do Pastor). Oh!
BOI: (idem).
PASTOR: A estrela parou.
BURRO: Parou.
BOI: Bem em cima.
OS DOIS: ... do nosso estábulo.
PASTOR: (Sempre fitando a estrela).  Grande como um girassol!
BURRO: Única no céu distante!
BOI:  Com o brilho de mil estrelas...
OS TRÊS: Nunca se viu outra igual!
BOI: (Aflito). Pastor, explica! Explica por que a estrela parou bem em cima do nosso estábulo!?
PASTOR: Mistério! Mistério, amigo Boi. Mistério que um pobre pastor não pode desvendar.
BOI: Nem eu...
BURRO: (Triste). Nem eu...
(O Pastor recomeça a tocar a flauta e sai dando uma volta por trás do estábulo, desaparecendo pela esquerda, ao fundo).
BOI: (Muito aflito, e ainda olhando para o céu). Burro! Ei burro!
BURRO: Que é boi?
BOI: (Aproximando-se bem do Burro, e falando quase em segredo). Estou muito desconfiado.
BURRO: De que Boi?
BOI: (Cheio de mistério). De que ele vai nascer aqui.
BURRO: (Escandalizado). Nem digo isto, Boi. Numa estrebaria tão suja. Tão pobre.
BOI: Então por que tudo isto? Por que a estrela parou bem em cima?...
BURRO: (Rápido). A estrela deve ter se enganado.
BOI: (Correndo o estábulo). E este cheiro tão doce por toda a parte...
BURRO: (Chegando para a cesta de capim encostada ao estábulo). Até o capim nosso de cada dia, cheira bem hoje...
(Corre  e diz à platéia, assustado). Onde já se viu isto? Pensar que ele ia nascer aqui... (Dá um salto, indo para o meio da cena, e indo nervosamente).
BURRO: (Assustado com a explosão do Boi, e segurando-o). Fica quieto, Boi. É bom irmos arrumando as coisas por aqui! (pega uma vassoura) Vamos fazer uma limpezinha, porque no caso de acontecer...
BOI: É mesmo (pega um pano e começa a limpar tudo, inclusive o rabo do burro e a própria cara) Vou buscar palha seca e fofa! (Eles saem e tornam a voltar segurando um pouco de palha. Cada um puxa a palha para seu lado e brigam)
BURRO: NÃO empurra, sou eu que arrumo!
BOI: Sou eu Burro, Sou eu! Saia Sou eu que quero arrumar a palhinha para o Menino!

CENA 3 – ANJOS
(Ouvem-se vários sininhos que vão aumentando de volume. Entram os anjinhos. Um, segurando uma vassoura prateada e bailando, vai varrendo a cena. O segundo carrega um jarro de água e o terceiro, uma bacia. Eles se encontram no meio do palco e o segundo anjo despeja água na bacia que é colocada perto da manjedoura. Dois outros, pegam as palhas espalhadas pelo Boi e pelo Burro, arrumando-as na manjedoura. O primeiro e o segundo anjos trazem uma toalhinha branca e colocam-na sobre as palhas. O terceiro anjo entra com um turíbulo, incensando todo o ambiente, inclusive o Boi e o Burro. Os anjinhos entram e saem num movimento contínuo e na ponta dos pés, como se dançassem. Durante toda a cena, os animais ficam estarrecidos, parados, um de cada lado, do palco. Quando o último anjinho sai, cessam os sininhos e o boi e o burro aproximam-se do estábulo)

CENA 4
( O boi e o burro observam a transformação do ambiente)
BURRO: Eles vieram arrumar...
BOI: Tudo está tão limpinho...
BURRO: (Desconsolado, dirige-se para a platéia e encosta a cabeça em algum lugar, como se estivesse chorando)
BOI: O que é burro?
BURRO: E nós, pobres bichos, que queríamos fazer este trabalho...
BOI: (triste): Quanta pretensão!
BURRO: Não percebemos que isto era trabalho para anjos e não para um boi babento...
BOI: Nem para um burro sujo
BURRO: (conciliador) Deixa pra lá, Boi! Não vamos brigar hoje. (aproximando-se do estábulo) Tudo está pronto!
BOI: Só falta acontecer... E só nós dois aqui...
BURRO: Um burro!
BOI: um boi!
OS DOIS: Pra tamanho acontecimento!

CENA 05MARIA E JOSÉ
(Ao som de uma musica, entram  José e Maria, este levando Jesus debaixo do manto invisível, enquanto caminham até o palco – Música baixa, enquanto o Burro e o Boi falam).
BOI: Oh!
BURRO: Oh!
BOI: (Ternamente, mas solene). Lá vem Maria lentamente carregando o mistério.
BURRO: Parece leve como a brisa.
BOI: Parece uma gota no capim da manhã.
BURRO: Lá vem José.
(Quando José e Maria chegam bem perto do estábulo, aumenta-se o volume da música. Quando entram no estábulo, cessa a música e sinhôs começam a soar. Os anjinhos chegam na ponta dos pés e, sempre bailando, fazem um círculo em torno de Maria. Eles escondem Maria que, de costas para o público, coloca o Menino Jesus na Manjedoura. Os anjinhos continuam a dançar, enquanto Maria e José se colocam na posição clássica do presépio. Ela ajoelhada e ele, no outro lado, de pé, apoiado no cajado. Os anjinhos vão se afastando e saem, sempre dançando. Um foco de luz cai sobre o Menino. Música durante toda a cena. O Boi e o Burro ficam num canto, só assistindo)

CENA 06
(O boi e o Burro aproximam-se na ponta dos pés)
BOI: Que maravilha!
BURRO: (puxando o Boi) Não se aproxime tanto! Não é bom que ele veja logo nossas caras feias...
BOI: Tem razão! Ele pode se assustar! (Maria sorri para eles)
BURRO: (Emocionado): A mãe dele está sorrindo!
BOI: Pra quem? Para nós dois?
BURRO: Éééé´! Só pode ser pra nós dois?! (Eles começam a pular de alegria. Maria sorri de novo e eles vão se aproximando com cuidado)
BOI: Acho que ele ta com frio??
BURRO:  Pois então, aqueça ele com seu bafo quente neh Boi!
BOI: (experimentando o bafo na mão) Boa idéia, Burro. Até que você ficou menos burro!
BURRO: E eu, com meu rabo, espanto as moscas
(Eles dirigem-se para a platéia e diz)
BOI: Nunca imaginei ser mais do que um boi!
BURRO: E eu então? Tão burro... Tão burro... Nunca imaginei... Nós dois, um boi e um burro, ligados para sempre ao mistério.

CENA 07
(O boi e o burro afastam-se lentamente até se colocarem nas posições clássicas do presépio, cada um de um lado, atrás do Menino Jesus. Ao som de NOITE FELIZ, pastores e pastoras, entram pelo meio do teatro, depois, os reis magos com seus presentes. Todos se ajoelham para adorar o Menino. O público pode ser orientado com antecedência para também trazer suas ofertas, que serão colocadas num cesto à frente do presépio vivo e, mais tarde doadas a  irmãos carentes.)

(Essa peça é uma adaptação da obra e Maria clara Machado. O texto original encontra-se no livro Teatro I da coleção “teatro” – editora Agir)
Personagens: Boi, Burro, estrela, Cinco anjinhos, Maria, José ,Três Reis Magos, Pastor.

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Veja um pouco da História dessa peça...

“O Boi e o Burro a Caminho de Belém”, texto de Maria Clara Machado.

Escrita em 1953, a peça é a estreia da autora escrevendo para o público infantil. O auto de natal, pensado, a princípio, para o teatro de bonecos, acabou adaptado para ser interpretado por atores. As melodias natalinas, sugeridas pela própria autora, marcam seu interesse em dar à música um papel de destaque em suas peças.

Montagem da peça em 1953 (Foto: Divulgação)

“O Boi e o Burro a Caminho de Belém” narra a história do nascimento de Jesus Cristo pelo ponto de vista do Boi e do Burro, duas personagens que estão presentes no tradicional presépio. Empregando uma linguagem simples, a dramaturga supõe como teria sido a separação do estábulo e como o nascimento do Filho de Deus fez com que o mundo se preparasse para recebê-lo.

Personagens reais e fictícios, como pastoras, reis magos, rainhas magas, anjos, o povo e a Estrela se misturam à frente dos dois animais, até que, com a chegada de Maria, José e do menino Jesus, a montagem de um presépio vivo se completa. 

A peça foi encenada pela primeira vez, em 1953, pela própria Maria Clara – com O Tablado, grupo fundado por ela em 1951 –, no Rio de Janeiro. Desse ano em diante, o espetáculo seria apresentado em 1954, 1957, 1959, sob a sua direção e basicamente com a mesma equipe.

Uma quinta versão da montagem foi realizada, então, em 1971, apresentada cerca de 20 vezes, para um público total de mais de 3.000 espectadores. O êxito se repetiria durante muitos anos: 1973, 1974, 1986, 1991 e 1992, sempre com direção de Maria Clara.

Em 2001, ano do falecimento da autora, “O Boi e o Burro no Caminho de Belém” foi encenado por Bernardo Jablonski, que já participava das montagens desde 1971, no elenco ou como assistente de produção e de direção.

Nestes últimos 10 anos, a tradição de montar este espetáculo prosseguiu e continua cada vez mais forte.

Ao que parece, o Natal no País, ou pelo menos no que diz respeito ao teatro brasileiro, não seria o mesmo sem essa peça, que já está enraizada na cultural teatral nacional e deve continuar espalhando, por um bom tempo, o espírito dessa época tão singular.
Texto: Felipe Del