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terça-feira, 1 de novembro de 2011

As almas do purgatório!!

Lendo esse texto, lembrei-me de quando era pequena e rezávamos o terço em família,  essa jaculatória me chamava a atenção: "Ó Meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo       do     inferno e levai as almas todas para o Céu e socorrei principalmente as que mais precisarem".
Parece que ainda hoje escuto a voz do meu pai, pronunciando essas palavras com muita força... escutava também ele falar dessa tal Igreja militante, triunfante e padecente e não entendia nada. Rezávamos sempre pelas almas do "purgatório" e confesso não gostava muito dessa palavra..rsrsr Isso fez parte de meu amadurecimento na fé.
Que nesse dia 02, nós Igreja militante,  rezemos pela Igreja padecente até chegar o dia em que  nos encontremos na Igreja triunfante...
Diz que saudade é amor que fica, então lembremos de nossos entes queridos com muitas saudades...
Imaculada Cintra

Associamos o mês de novembro às almas do Purgatório. O dia 2 é para todos nós um momento de "curtir" saudades. Para os que crêem, é dia de esperança na vida eterna.
A Igreja ensina que vivos e defuntos são ligados em três diferentes níveis de vida: Igreja militante, padecente e triunfante.
Você e eu, aqui na Terra, fazemos parte da Igreja militante.
A Igreja padecente, de que tantos nos lembramos no dia 2 de novembro, são as almas do purgatório. O "purgatório é o estado dos que morrem na amizade de Deus, mas, embora certos de sua salvação eterna, tem ainda necessidade de purificação para entrar na bem-aventurança celeste" (compêndio do Catecismo da Igreja Católica, nº 210).
Podemos ajudar as almas do purgatório com orações, Missas e boas obras, alcançando, assim, indulgências para elas. Indulgências é "a remissão diante de Deus da pena temporal merecida pelos pecados" Compêndio do Catecismo, nº 312).
A Igreja oferece indulgências pelos infinitos méritos de Jesus Cristo.
A Igreja triunfante é o Céu. Os Santos vêem Deus face a face. É o estado das pessoas totalmente felizes no Amor, com nenhum sinal de ódio, inveja, orgulho, egoísmo,mentira, etc. Só Deus é Santo em sentido pleno. Assim, a Bíblia diz: "Deus não nos chamou à impureza, mas à santidade" (1Ts 4,7).
Nós Igreja Militante, padecente e triunfante, estamos todos ligados. Pedimos a intercessão dos Santos e rezamos pelas almas do purgatório. Eles, por sua vez, intercedem por nós.
(Padre Otmar Jacob Schwengber, SJ)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Céu e Inferno...

Recebi alguns comentários, emails, conversei com algumas amigas pessoalmente sobre o post " O que quero quando a morte bater à minha porta". Houve reações diferentes: "Nossa, não gostei da sua última postagem, não me senti bem ao ler..."  "Puxa, queria ter a metade de sua força, quando me deparar com a morte..." "Sabe, que também tenho uma curiosidade/desejo de ter esse encontro com Deus face a face..." "Também imagino meu funeral, e queria ver a cara das pessoas que não gostam de mim ao  verem o quanto sou amada por tantos..." srsrsrsrsr

Bom! Ao primeiro comentário, respondi que não estou fazendo previsão alguma de minha morte, se isso acontecer será mera coincidência,  escrevi esse texto tomada de muita alegria. Quanto a força que passei,  isso é o que QUERO, não sei se serei essa fortaleza toda quando acontecer. O desejo profundo de todos nós é ter esse encontro com nosso Criador, ir para o  céu  queremos, porém,  morrer ninguém quer. Essa coisa de sermos amados por todos, isso não existe e outra, ninguém tem obrigação de gostar de ninguém. Somos bálsamo para uns e veneno para outros. Somos mais qualidades que defeitos, mas existem os que só enxergam os defeitos.

Procuro tocar nesse assunto com naturalidade, não porque sou maquiavélica ou insensível,  mas porque como catequistas precisamos afastar os fantasmas que criamos com relação a esse tema.A dor, o vazio da perda de um ente querido não tem como descrever, só quem passou ou está passando sabe explicar, e isso acontece com nossos pequenos e se não estão preparados para esse momento, a dor se multiplica.

Nos bate uma insegurança danada quando o assunto é Céu, Inferno, purgatório...
Recebi por email, essa parábola da Samya, vejo que veio complementar o tema da morte...


CÉU E INFERNO ÍNTIMOS

Conta-se que um dia um samurai, grande e forte, conhecido pela sua índole violenta, foi procurar um sábio monge em busca de respostas para suas dúvidas.

- Monge, disse o samurai com desejo sincero de aprender, ensina-me sobre o céu e o inferno.
O monge, de pequena estatura e muito franzino, olhou para o bravo guerreiro e, simulando desprezo, lhe disse:

- Eu não poderia ensinar-lhe coisa alguma, você está imundo. Seu mau cheiro é insuportável.

- Ademais, a lâmina da sua espada está enferrujada. Você é uma vergonha para a sua classe.
O samurai ficou enfurecido. O sangue lhe subiu ao rosto e ele não conseguiu dizer nenhuma palavra, tamanha era sua raiva.

Empunhou a espada, ergueu-a sobre a cabeça e se preparou para decapitar o monge.
- "Aí começa o inferno", disse-lhe o sábio mansamente.

O samurai ficou imóvel. A sabedoria daquele pequeno homem o impressionara. Afinal, arriscou a própria vida para lhe ensinar sobre o inferno.

O bravo guerreiro abaixou lentamente a espada e agradeceu ao monge pelo valioso ensinamento.
O velho sábio continuou em silêncio.

Passado algum tempo o samurai, já com a intimidade pacificada, pediu humildemente ao monge que lhe perdoasse o gesto infeliz.

Percebendo que seu pedido era sincero, o monge lhe falou:
- "Aí começa o céu".

Para nós, resta a importante lição sobre o céu e o inferno que podemos construir na própria intimidade.
Tanto o céu quanto o inferno, são estados de alma que nós próprios elegemos no nosso dia-a-dia.
A cada instante somos convidados a tomar decisões que definirão o início do céu ou o começo do inferno.
É como se todos fôssemos portadores de uma caixa invisível, onde houvesse ferramentas e materiais de primeiros socorros.

Diante de uma situação inesperada, podemos abri-la e lançar mão de qualquer objeto do seu interior.
Assim, quando alguém nos ofende, podemos erguer o martelo da ira ou usar o bálsamo da tolerância.
Visitados pela calúnia, podemos usar o machado do revide ou a gaze da autoconfiança.

Quando injúria bater em nossa porta, podemos usar o aguilhão da vingança ou o óleo do perdão.
Diante da enfermidade inesperada, podemos lançar mão do ácido dissolvente da revolta ou empunhar o escudo da confiança.

Ante a partida de um ente caro, nos braços da morte inevitável, podemos optar pelo punhal do desespero ou pela chave da resignação.

Enfim, surpreendidos pelas mais diversas e infelizes situações, poderemos sempre optar por abrir abismos de incompreensão ou estender a ponte do diálogo que nos possibilite uma solução feliz.

A decisão depende sempre de nós mesmos.
Somente da nossa vontade dependerá o nosso estado íntimo.
Portanto, criar céus ou infernos portas à dentro da nossa alma, é algo que ninguém poderá fazer por nós.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Outro dia conversava com uma pessoa que havia acabado de perder seu pai. Ela queria ouvir alguma coisa que aliviasse o que ela estava sentindo e percebi que ela tinha  dúvidas sobre o que  acontece  depois da morte. Essas dúvidas tinha um porque, ou vários porques. Foi criada numa família espírita, tem irmãs que acredita que a pessoa depois que morre, fica dormindo.  Foi quando, me lembrei de umas coisas que li a muito tempo sobre a doutrina do purgatório, e fui falando no que nós católicos acreditamos. Hoje, vasculhando meus livros, folheando um e outro, não é que encontrei o que havia lido a alguns anos atrás... ( Escola de fé - sagrada Tradição - de Felipe Aquino)
Vou postar, pois vejo que esse é um assunto que todo catequista deve dominar, sendo que não é fácil falar do pós morte...

A Doutrina do purgatório
Desde os primórdios a Igreja, assistida pelo Espírito Santo (cf. Mt 28,20; Jo 14,15.25; 16,12-13), acredita na purificação da almas após a morte, e chama este estado, não de lugar, de Purgatório.

Ao nos ensinar sobre esta matéria, diz o nosso Catecismo:
“Aqueles que morrem na graça e na amizade de Deus, mas imperfeitamente purificados, estão certos da sua salvação eterna, todavia sofrem uma purificação após a morte, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do céu”. (CIC,§1030)
Logo, as almas do Purgatório “estão certas da salvação eterna”, e isto lhes dá grande paz e alegria.

Falando sobre isso, disse o Papa João II:
“Mesmo que a alma tenha de sujeitar-se, naquela passagem para o céu, à purificação das últimas escórias, mediante o Purgatório, ela já está cheia de luz, de certeza, de alegria, porque sabe que pertence para sempre ao seu Deus.”

Todo homem foi criado para participar da felicidade plena de Deus (cf.CIC§1), e gozar de sua visão face-a-face. Mas, como Deus é “Três vezes Santo”, como disse o Papa Paulo VI, e como viu o profeta Isaías(Is 6,8), não pode entrar em comunhão perfeita com Ele quem ainda tem resquícios de pecado na alma. A carta aos Hebreus diz que: “sem a santidade ninguém pode ver a Deus” (Hb 12,14). Então, a misericórdia de Deus dá-nos a oportunidade de purificação mesmo após a morte. Entenda, então, que o purgatório, longe de ser castigo de Deus, é graça da sua misericórdia paterna.

O ser humano carrega consigo uma certa desordem interior, que deveria extirpar nesta vida; mas quando não consegue, isto leva-o a cair novamente nas mesmas faltas.

Ao confessar recebemos o perdão dos pecados; mas, infelizmente, para a maioria, a contrição ainda encontra resistência em seu íntimo, de modo que a desordem, a verdadeira raiz do pecado, não é totalmente extirpada. No purgatório essa desrodem interior é totalmente destruída, e a alma chega à santidade perfeita, podendo entrar na comunhão plena com Deus, pois, com amor intenso a Ele, rejeita todo pecado.

O purgatório não é de fogo terreno, já que a alma, sendo espiritual, não pode ser atingida por esse fogo. No purgatório a alma vê com toda clareza a sua vida tíbia na terra, o seu amor insuficiente a Deus. Neste estado, a alma se arrepende até o extremo de suas negligências durante esta vida; e o amor a Deus extingue nela os afetos desregrados, de modo que ela se purifica. Desta forma, a alma sofre por ter sido negligente, e por atrasar assim, por culpa própria, o seu encontro definitivo com Deus. É um sofrimento nobre e espontâneo, inspirado pelo amor de Deus e horror ao pecado.

Pensamentos consoladores sobre o Purgatório

O grande doutor da igreja São Francisco de Sales (1567-1655) tem um ensinamento maravilhoso sobre o purgatório. Ele ensinava, já na Idade Média, que “é preciso tirar mais consolação do que temor do pensamento do Purgatório”. Eis o que ele nos diz:
1- As almas ali vivem uma contínua união com Deus.
2- Estão perfeitamente conformadas com a vontade de Deus. Só querem o que Deus quer. Se lhes fosse aberto o Paraíso, prefeririam precipitar-se no inferno a apresentar-se manchadas diante de Deus.
3- Purificam-se voluntariamente, amorosamente, porque assim o quer Deus.
4- Querem permanecer na forma que agrada a Deus e por todo o tempo que for da vontade Dele.
5- São invencíveis na prova e não podem ter um movimento sequer de impaciência, nem cometer qualquer imperfeição.
6- Amam mais a Deus do que a si próprias, com amor simples, puro e desinteressado.
7- São consolados pelos anjos.
8- Estão certas da sua salvação, com uma esperança inigualável.
9- As suas amarguras são aliviadas por uma paz profunda.
10- Se é infernal a dor que sofrem, a caridade derrama-lhes no coração inefável ternura, a caridade que é mais forte do que a morte e mais poderosa que o inferno.
11- O Purgatório é um feliz estado, mais desejável que temível, porque as chamas que lá existem são chamas de amor.

(Extraído do livro O breviário da Confiança, de Mons. Ascânio Brandão, 4ª. Ed.editora rosário, Curitiba, 1981)