terça-feira, 23 de agosto de 2016

O bom senso



Creio que podemos sintetizar a expressão “o bom senso” nas seguintes virtudes humanas: modéstia, gratuidade, mansidão e humildade. O bom senso faz parte da sabedoria popular, que ajuda muito no relacionamento entre as pessoas, porque cada indivíduo é valorizado na sua própria identidade. É também capacidade natural para reconhecer a diversidade no modo de agir de cada pessoa.

A pessoa modesta sabe se colocar na sociedade e reconhece seus limites, mas também põe seus dons a serviço do irmão. Sabe ainda que suas forças e possibilidades veem de Deus e se expõe como instrumento do bem comum. Age com simplicidade e não por ingenuidade, porque tem consciência de sua responsabilidade como também construtor de uma sociedade pautada pela coerência.

A gratuidade tem uma dimensão muito bonita. Conforme o dicionário é a “condição ou estado do que é oferecido de graça”, ou, a “condição do que é espontâneo ou injustificado”. Às vezes recebemos muito e doamos pouco, quase significando a realidade de injustiça. A vida, e toda a dimensão de sua existência, é um verdadeiro dom gratuito, que precisa ser preservado, inclusive com gestos concretos de agradecimento.

O bom senso supõe também a mansidão, que é uma capacidade interior de autodomínio, para não perder o equilíbrio nos possíveis relacionamentos conflituosos. É a brandura de gênio ou de índole; brandura na maneira de expressar-se; na doçura, na meiguice e na suavidade. Isso se revela inclusive no confronto com as pessoas que agem com maneiras mais agressivas, evitando levantar a voz de forma ruidosa e provocativa.

Por fim, o bom senso passa por um trajeto enraizado na força da humildade. Ela é uma virtude caracterizada pela consciência das próprias limitações, mas também pela modéstia e pela simplicidade. É realidade que contrasta profundamente com a cultura do poder, do domínio e da primazia do dinheiro. Portanto, saber receber e dar de graça, superando todo tipo de auto-suficiência.

Para que o bom senso seja bem entendido, a humildade não pode ser prudência de quem é tímido, nem medo de se expor e nem expressão de egoísmo. É só olhar para o jeito simples de Jesus agir, principalmente em relação aos pobres, sem desprezar ninguém, mas atento aos mais humildes. Ele teve preferência pelos sem nome na sociedade, usando de bom senso para com todos.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

mensagem para os catequistas de todo o Brasil-CNBB

Caríssima irmã, caríssimo irmão Catequista.
Os caminhos da Igreja no Brasil assinalam o mês de agosto com uma nobre particularidade. A temática vocacional recebe forte acentuação: dia dos pais, dia do padre, dia do religioso, dia do Catequista. Este previsto para o próximo dia 28.08.

Em nome da CNBB quero servir-me da data para uma palavra permeada de sincero afeto e imensa gratidão. Embora não seja possível ser suficientemente grato a tanta dedicação, com muita simplicidade, apresento-me para uma reflexão agradecida.

Começo chamando-lhe à recordação uma sua experiência pessoal muito singular: lembra quando alguém lhe dirigiu o convite a tornar-se Catequista? Certamente está presente em sua memória a pessoa, as frases e o contexto. Lembra também de sua própria reação? Talvez inquietação, ou dúvidas, ou temor por não se sentir apta(o). É até possível que lhe tenha aflorado a preocupação pela falta de tempo...

Mesmo assim, embora com tantas objeções, Você aceitou. Estou certo que ainda estão bem presentes os motivos que moveram a aceitar... E o Espírito Santo estava lá: movia, suscitava, inquietava. E eis que desde sua liberdade e desde sua capacidade de amar houve um movimento de afeição amorosa pelo Senhor, pela comunidade, pelos “seus” catequizandos. 

Hoje, tendo já passado um bom tempo, talvez anos, cabem duas perguntas bastante simples: mais ofereceu ou mais recebeu? Mais aprendeu ou mais ensinou? É verdade que os desânimos por vezes se apresentaram; também sinais de cruz se pronunciaram. Mas quanto crescimento! Quantos sinais da proximidade de Deus! Quantas experiências de fé! É... Catequese é um caminho, um discipulado, um encontro que perdura e atravessa os anos. Mas o Senhor nunca se deixa vencer em generosidade. Quantas graças!!!

Seu sim ajudou a Igreja a ser Evangelizadora; a ser mais Igreja. Sua dedicação de Catequista a(o) faz lembrar-se de que o Senhor Jesus quer ser conhecido mais por seu amor do que por doutrinas. Por isso mesmo o episcopado brasileiro lhe agradece, caríssima(o) Catequista. E neste dia louva o Senhor por seu ministério. Que Deus lhe multiplique em bênçãos a bênção que é Você para a nossa Igreja.


Dom José Antonio Peruzzo
Arcebispo de Curitiba-PR
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética

terça-feira, 16 de agosto de 2016

sem legenda...

O coração de Deus é uma porta bem grande: 
sem maçanetas, sem fechaduras, sem segredos... Que exige do visitante apenas a vontade de entrar e liberdade de permanecer! 
(Pe Mauro José Ramos)