quarta-feira, 26 de março de 2014

O catequista e a internet

Li esse material no site catequese hoje e achei interessante direcionar você, querido leitor, para a leitura na íntegra... Traz alguns pontos interessantes, que devem ser analisados com cuidado... Facilidades que geram muitas vezes o comodismo do catequista... É bom que tenhamos  uma consciência crítica sobre aquilo que usamos da internet... Vou direcionar vocês, porque não é nada legal, ético, copiar e colar um texto prontinho. A pessoa quem escreveu, dedicou tempo e merece que você faça uma visita ao site. Podemos até usar textos que gostamos, mas faça isso com dignidade. Estou dizendo isso pra mim mesma, pois às vezes, acabo por usar o copiar e colar, sem critérios... estou me policiando... Não basta dar os créditos, o certo é você direcionar o leitor para o site em questão.


Nos últimos tempos estamos diante de uma intensa mudança na comunicação humana, que se desloca para as redes informáticas e tem alterado toda a noção de mundo até então conhecida. É a revolução Telemática. É um novo contexto existencial que desponta num novo ambiente, virtual. É um verdadeiro espaço humano, pois já é habitado pelo homem. O real e o virtual se misturam. E, as pessoas estão cada vez mais conectadas: 24 horas. Haja vista os smartphones. Diminui assim a noção de público e privado e de real e virtual. 

Cuidado especial em “pegar” encontros catequéticos prontos da rede. Não existe material perfeito de catequese. Aquele encontro escrito num site de catequese pode ter dado certo numa realidade, mas não significa que dê certo na sua realidade. Como ajuda para discernir a CNBB lançou o estudo nº 53 - Textos e manuais de catequese - onde diante de um material o catequista deve questionar se: “educa para uma fé engajada, no seguimento de Jesus Cristo, na comunidade eclesial, a serviço da transformação evangélica da sociedade? Favorece a criatividade e a consciência crítica? Estimula a espiritualidade profética? Impulsiona a contínua educação comunitária da fé?” 

Mas como discernir entre aquilo que é coerente com o núcleo da Fé e aquilo que é uma interpretação pessoal e sem fundamento?

Clique no link a seguir e leia na íntegra:

terça-feira, 25 de março de 2014

Lava pés - sugestão de encontro

Lendo o livro: MISTAGOGIA, DO VISÍVEL AO INVISÍVEL, da Paulinas, livro esse que indico à todos os catequistas, achei riquíssimo a explicação e tb a dica de encontro sobre o LAVA-PÉS. Já fiz essa experiência com algumas turmas e foram momentos marcantes, como mostra nesse vídeo...


video

1º passo: sentido cotidiano 
Até hoje, lavar os pés de uma pessoa é sinal de serviço, de humildade, de caridade. Antigamente, na zona rural era mais comum colocar água numa bacia e lavar os pés ou partes do corpo. 

Em João 13,1-17, Jesus realiza um gesto impressionante, certamente inusitado em nosso mundo de hoje, porém com uma intenção expressiva às vésperas da Páscoa. Durante uma ceia, Jesus levantou-se, depôs o manto e lavou os pés dos apóstolos.

2º passo: sentido bíblico 
No tempo de Jesus, esse gesto estava muito presente na sociedade, visto que se caminhava muito a pé, e o primeiro gesto de acolhida numa casa era oferecer água para lavar os pés do peregrino. Lavar os pés de outro era, entre os judeus (e orientais, em geral), um sinal de excelente hospitalidade. Ato mais significativo em países muito secos, com caminhos cheios de poeira. Assim, Abraão ofereceu água para lavar os pés dos três personagens que lhe visitaram em Mambré (Gn 18,4). Também a mulher pecadora, quando viu Jesus à mesa na casa do fariseu, trouxe um vaso cheio de perfume, postou-se aos pés de Jesus e, chorando, lavou-os com suas lágrimas, enxugou-os com os seus cabelos, beijou-os e os ungiu com o perfume (Lc 7,36-50). 

“Muitas vezes a delicadeza chegava ao ponto de lavar pessoalmente os pés do peregrino, ou então os discípulos os pés do mestre, a esposa os do esposo, os filhos os do pai [...]. Sem chegar a ser um ofício exclusivo de escravos, supunha sempre uma humilde submissão por parte de quem realizava esse gesto.”[1]

O estranho é ver Jesus lavando os pés. Dessa forma, o gesto se reveste do valor da humildade, do serviço, do despojamento. Porque o comum era que um serviçal o realizasse. 

Pedro não entende o gesto de Jesus. Recusa-se a ver no Mestre a imagem do Servo, preconizado no Livro de Isaías. “Tu não me lavarás os pés nunca!” (v. 8). Antes, quando Jesus anunciou a sua paixão, ele já tinha recusado a aceitar os sofrimentos de Cristo na cruz. Era-lhe muito mais própria a mentalidade de um Messias forte, poderoso e capaz de libertar o povo de toda opressão. Novamente, Jesus revela o seu messianismo como serviço que se cumprirá plenamente na sua morte na cruz. 

Toda a maneira de viver de Jesus mostra que a felicidade do ser humano não consiste em grandeza e poderio, muito pelo contrário, as bem-aventuranças que proclamou e a simplicidade de sua vida mostram um caminho bem diferente, mesmo quando os discípulos disputavam sobre quem seria o maior dentre eles. Jesus disse com clareza: “entre vós, não deve ser assim. Pelo contrário, o maior entre vós seja como o mais novo, e o que manda, como quem está servindo. Eu estou no meio de vós como aquele que serve” (Lc 22,26.27b). 

Somente é possível entender o Lava-pés no seguimento de Jesus considerando as atitudes de Jesus em favor dos mais fracos da sociedade, sem nunca afirmar-se com o poder. Teve essa oportunidade quando multiplicou pães e, por isso, queriam fazê-lo rei. Mas como entender um Messias sucumbido pela violência do sinédrio e da ocupação romana? 


3º passo: sentido litúrgico 

O tríduo pascal no qual se comemora a paixão, morte e ressurreição do Senhor tem início na véspera da Sexta-feira Santa. A Cruz, que será o centro da Sexta-feira Santa, tem um prólogo na Quinta-feira com um duplo gesto: a lavação dos pés e a Eucaristia. 

O evangelho de João substitui o relato da ceia pela cena do lava-pés. O gesto de lavar os pés, o sacrifício da cruz e o sacramento memorial desse sacrifício – a Eucaristia – têm em comum o serviço humilde de amor e entrega pela humanidade. 

“A prova autêntica de humildade e serviço vai ser a morte na Cruz. Entretanto, os gestos da Última Ceia – o lava-pés e, sobretudo, a doação do Pão e do Vinho – têm por fim antecipar o mistério da Páscoa. Pôr-se a lavar os pés é mais que uma lição dramatizada de caridade fraterna; é um gesto profético, uma ‘parábola sacramental’ sobre a maneira como, na Cruz, vai ser despojado e irá perder até a própria vida pelos demais. Agora se despoja do manto. E, então, até da vida.”[2]

A celebração do lava-pés no pequeno grupo de catequese tem como finalidade o aprofundamento experiencial do sentido do rito que ganhará todas as luzes na grande celebração comunitária em seu tempo próprio: a Quinta-feira Santa. Inclusive, pode-se pedir que pais lavem os pés dos filhos e vice-versa, como também um catequizando lave os pés do outro, colocando em prática o mandato de Jesus. 

4º passo: compromisso cristão 

O serviço de dar a vida, o serviço de entregar-se a ponto de perder a própria vida para que todos possam viver uma vida plena é a lição mais evidente de Jesus nesta cena descrita por João. Não basta repartir o pão e o vinho transformados no corpo e no sangue vivos de Jesus. É preciso doar-se servindo. É o serviço de dar a vida que transforma o mundo, a sociedade, as pessoas, cada um de nós. 

Jesus, o Filho de Deus encarnado, entende sua vida e sua missão como serviço de amor à humanidade. E a entrega da sua vida na cruz será o cume dessa entrega. Isto é Eucaristia. 

Ele se doa inteiramente. “Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais assim como eu fiz para vós” (Jo 13,14-15). Assim, o Reino de Cristo só pode ser recebido e instaurado com o serviço de amor que os que aceitam seguir Jesus prestam ao mundo. 


Celebração do lava-pés 

Preparar e celebrar o lava-pés com o grupo. Mostrar a ligação entre pão e vinho consagrados (corpo e sangue de Jesus), morte na cruz e serviço aos irmãos, como componentes de uma única realidade salvífica. Conversar antes com o grupo: Por que esse gesto faz parte da celebração da Quinta-feira Santa, quando celebramos a instituição da Eucaristia? Que atitudes Jesus propõe para quem quer ser seu discípulo? 

Preparar toalha de mesa, pão e vinho suficientes para todos partilharem. Arrumar cadeiras, bacia, jarro com água e toalhas para o lava-pés. Todos permanecem de pé e em silêncio. 

Comentarista: No Antigo Testamento, um dos ritos da hospitalidade era o de lavar os pés do hóspede para limpá-lo da poeira do caminho (Gn 18,4). Jesus celebra a ceia com seus apóstolos e antecipa nos sinais do pão e do vinho a profecia de sua morte na cruz. Sua morte é Páscoa, significa a intervenção do Pai, que salva a humanidade pelo amor de seu Filho levado às últimas consequências. O amor gerado na cruz é libertador, oblativo e desinteressado. 

Distantes da mesa, os leitores proclamam o Evangelho: Lc 22,7-13 – Ide fazer os preparativos para comermos a ceia pascal. 

Após a proclamação, duas pessoas se dirigem à mesa com as toalhas, preparam-na e colocam sobre ela o pão e o vinho. Cantar: “Eu quis comer esta ceia agora, pois vou morrer, já chegou minha hora…”, ou outro canto com essa temática. 

Comentarista: O pão e o vinho partilhados serão os sacramentos da vida doada de Jesus como serviço de amor, de solidariedade para a união dos seres humanos. Praticamos o Evangelho somente quando há entrega, doação de nossa parte. Por isso, existe correspondência entre celebrar a Eucaristia, doar a própria vida e servir a comunidade desinteressadamente. Eis aí a lição do lava-pés. 

O leitor 3 e o leitor 4 fazem respectivamente a parte de Pedro e a de Jesus: Jo 13,1-17 – Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. 

O comentarista dá sequência ao lava-pés com aqueles que foram previamente orientados e preparados. Enquanto isso, todos entoam um canto apropriado. 

O comentarista convida para a oração do Pai-Nosso. Antes de partir o pão e distribuir o vinho, convidar os participantes para trazerem os alimentos que serão doados. Todos comem o pão e recebem o vinho, enquanto se entoa um canto sobre a caridade. 

[1] ALDAZÁBAL, José. Gestos e símbolos. São Paulo: Loyola, 2005. p. 164. 
[2] Ibid., pp. 164-165.

Fonte: Livro Mistagogia - do visível, ao invisível - Núcleo de Catequese Paulinas, página 88

quarta-feira, 19 de março de 2014

Catequese do Papa: Sejam como São José custódios e educadores dos filhos, pede o Papa aos pais

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje, 19 de março, celebramos a festa solene de São José, Esposo de Maria e Patrono da Igreja universal. Dediquemos, então, esta catequese a ele, que merece todo o nosso reconhecimento e a nossa devoção por como soube proteger a Virgem Santa e o Filho Jesus. O ser guardião é a característica de José: é a sua grande missão, ser guardião.

Hoje gostaria de retomar o tema da proteção segundo uma perspectiva particular: a perspectiva educativa. Olhemos para José como o modelo de educador, que protege e acompanha Jesus em seu caminho de crescimento “em sabedoria, idade e graça”, como diz o Evangelho. Ele não era pai de Jesus: o pai de Jesus era Deus, mas ele cumpria o papel de pai de Jesus, fazia-se pai de Jesus para fazê-lo crescer. E como o fez crescer? Em sabedoria, idade e graça.

Partamos da idade, que é a dimensão mais natural, o crescimento físico e psicológico. José, junto com Maria, tomou conta de Jesus antes de tudo deste ponto de vista, isso é, “criou-o”, preocupando-se que não lhe faltasse o necessário para um desenvolvimento sadio.

Não esqueçamos que o cuidado fiel da vida do Menino incluiu também a fuga ao Egito, a dura experiência de viver como refugiados – José foi um refugiado, com Maria e Jesus – para escapar da ameaça de Herodes. Depois, uma vez de volta à pátria e estabelecidos em Nazaré, há todo o longo período da vida de Jesus em sua família. Naqueles anos, José ensinou a Jesus também o seu trabalho e Jesus aprendeu a ser carpinteiro com seu pai José. Assim, José criou Jesus.

Passemos à segunda dimensão da educação, aquela da “sabedoria”. José foi para Jesus exemplo e mestre desta sabedoria, que se nutre da Palavra de Deus. Podemos pensar em como José educou o pequeno Jesus a escutar as Sagradas Escrituras, sobretudo acompanhando-O no sábado à sinagoga de Nazaré. E José o acompanhava para que Jesus escutasse a Palavra de Deus na sinagoga.

E, enfim, a dimensão da “graça”. São Lucas sempre diz referindo-se a Jesus: “A graça de Deus era sobre Ele” (2, 40). Aqui, certamente, a parte reservada a São José é mais limitada em relação aos âmbitos da idade e da sabedoria. Mas seria um grave erro pensar que um pai e uma mãe não podem fazer nada para educar os filhos a crescer na graça de Deus. Crescer em idade, crescer em sabedoria, crescer na graça: este é o trabalho que José fez com Jesus, fazê-Lo crescer nestas três dimensões, ajudá-lo a crescer.

Queridos irmãos e irmãs, a missão de São José é certamente única e irrepetível, porque absolutamente único é Jesus. E, todavia, em seu proteger Jesus, educando-o para crescer em idade, sabedoria e graça, ele é modelo para todo educador, em particular para todo pai. São José é o modelo de educador e de pai, de pai. Confio, então, à sua proteção todos os pais, os sacerdotes – que são pais – e aqueles que têm um dever educativo na Igreja e na sociedade.

De modo especial, gostaria de saudar hoje, dia do pai, todos os pais, todos os pais: saúdo-vos de coração!

Vejamos: há alguns pais na Praça? Levantem a mão, os pais! Mas quantos pais! Parabéns, parabéns pelo vosso dia!

Peço para vocês a graça de ser sempre muito próximos aos seus filhos, deixando-os crescer, mas próximos, próximos! Eles precisam de vocês, da vossa presença, da vossa proximidade, do vosso amor. Sejam para eles como São José: guardiões do seu crescimento em idade, sabedoria e graça. Guardiões do seu caminho; educadores, e caminhem com eles. E com esta proximidade, vocês serão verdadeiros educadores. Obrigado por tudo aquilo que fazem pelos vossos filhos: obrigado. A vocês parabéns, e boa festa do pai a todos os pais que estão aqui, a todos os pais.

Que São José vos abençoe e vos acompanhe.

E alguns de nós perdemos o pai, se foi, o Senhor o chamou; tantos que estão na Praça não têm pai. Podemos rezar por todos os pais do mundo, pelos pais vivos e também pelos falecidos e pelos nossos, e podemos fazê-lo juntos, cada um recordando o seu pai, se está vivo ou morto. E rezemos ao grande Pai de todos nós, o Pai. Um “Pai nosso” pelos nossos pais: Pai Nosso….

E parabéns aos pais!

sexta-feira, 14 de março de 2014

Lindo de se ler!

Transfiguração: uma reserva de luz para nós!


O evangelho não trata de nenhuma visão fantasmagórica, de nenhum truque global. 

Como somos ignorantes para entender as coisas de Deus!

O que Jesus quis mostrar para os discípulos e para todos nós é que havia ali uma luz de vida que ultrapassava toda e qualquer escuridão e que poderá nos sustentar diante de qualquer tempestade.

Jesus sabia que nós, seus discípulos, iríamos caminhar com Ele ao longo da vida e que, muitas vezes, os nossos caminhos seriam bastante escuros e espinhosos.

Nenhum de nós escapa dessa condição. A vida humana é feita de alegria e tristeza, de dor e de prazer. 

Não acreditem na falsidade das propagandas! Se não sofrêssemos, não seríamos humanos.

Vivemos a constante dialética do amor e desamor, da alegria e da tristeza, da dor e do prazer, do caminhar na luz e nas trevas. 

Há dias em que estamos felizes, enquanto outros nos pegam tristes, com a escuridão se mostrando quase palpável.

Para esses momentos, o Senhor nos diz que Ele é a certeza da luz. Não precisamos entender, mas crer. 

Quando Pedro o vir caminhando para a cruz, sendo açoitado, morrendo crucificado, se lembrará que um dia o vira transfigurado em luz. 

Diante de tal lembrança, nunca haverá motivo para desânimo. 
Por isso, Pedro fugiu, mas voltou; traiu, mas se arrependeu, o mesmo acontecendo com outros apóstolos. 

Ainda que nos desviemos dos caminhamos da luz, sempre poderemos voltar, se guardarmos conosco experiências luminosas. 

Ninguém sabe o que a vida nos trará, por isso precisamos ter nossas reservas de luz. 

Quantas mães trazem seus filhos à Igreja até eles se tornarem adolescentes?!

Depois eles entram nas universidades, ouvem seus maravilhosos professores transpirando Fauerbach, Freud, Nietzsche, Marx, e abandonam tudo. 

A mãe chora, mas, ainda assim, deve confiar que, se o seu filho um dia experimentou a transfiguração do Senhor, ele ainda voltará a buscar essa luz. 

Por isso, é importante que vivamos experiências luminosas, não para agora, mas para amanhã. 

Quem um dia experimentou Deus, nunca mais esquecerá. Amém. 

(07.03.09/2º. domingo da quaresma)

J.B. Libânio.  Um Outro Olhar.  Volume III, 2006, pp. 41-42.

terça-feira, 11 de março de 2014

Querigma - a força do anúncio

Sempre ao comprar um livro, damos uma olhadela na ante capa e também na introdução, esperando que isso nos leve ao conteúdo do produto prestes a ser adquirido. Com a introdução dessa maravilhosa obra, quero deixar aqui ,essa dica de leitura. Lembrando que não ganho porcentagem na vendas desses livros (srsrsr), e embora tenha uma certa proximidade e amizade com Pe Lelo,  responsável por essa obra, não indico por ele, mas, porque gostei. Beijo grande, uma terça abençoada à todos!






Introdução


Querigma significa pregão, proclamação ou anúncio e que de fato é sinônimo de Evangelho em seu sentido grego: Eu-anguélion, boa notícia. O anúncio feito pelos apóstolos é a primeira proclamação da Boa-Nova do acontecimento Jesus de Nazaré realizado na força do Espírito Santo e está baseado no testemunho pessoal deles. Este anúncio tem como objetivo suscitar a fé e a conversão a Cristo.

Pela fé temos acesso ao abraço paterno de Deus que não hesita em “entregar o seu Filho único, para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha vida eterna” (Jo 3,16). Pela fé nos tornamos amigos de Jesus, e somos transformados em filhos pelo Espírito Santo. A fé veio ao nosso encontro quando fomos batizados e a recebemos de maneira infusa e gratuita, sem mérito nenhum de nossa parte. Assim, entramos na Igreja para fazer parte da família de Deus. 

Desde tenra idade, sem sobressaltos, vimos nossa fé crescer em família ao murmúrio das rezas, do canto das novenas e dos festejos do padroeiro. Vivíamos numa sociedade de maioria católica, na qual o comum era crer em Cristo. Agora, com o crescente pluralismo, a sociedade perdeu o referencial de vida cristã e lidamos com batizados na infância que não tiveram o mínimo contato com a fé, por isto se torna necessário, e ao mesmo tempo incomum anunciar Jesus e o seu Reino de uma maneira clara e decidida. 

Comunicar a boa notícia da salvação com alegria e confiança,como o bem maior de nossa vida e acima de todas as realidades deste mundo, tornou-se uma forma tremendamente atual de fazer pastoral!

O objetivo deste livro não é de aprofundar e de especificar detalhadamente os aspectos doutrinais de Cristo e da revelação, mas de capacitar o agente, especialmente o(a) catequista, para anunciar o querigma e desta forma estimular as pessoas a estabelecerem uma relação de fé na perspectiva da revelação de Deus para nós.Esta prática requer conversão para o aprendizado deste estilo.

A disposição dos capítulos segue a trajetória do desenvolvimento do querigma. Partimos da sensibilidade de fé, da abertura religiosa, naturalmente presente nas pessoas. Hoje, abre-nos a grande tarefa de ajudá-las a ler a manifestação de Deus nos acontecimentos e situações que as envolvem; o que significa falar de Deus a partir do sofrimento e de suas inquietações para sentirem a presença e a ação salvadora divina. A experiência de Deus torna-se a matéria-prima de nossa prática evangelizadora. De aí a necessidade de ouvir as pessoas, ajudá-las a interpretar suas vidas sob o olhar da fé. 

O mistério de Deus nos foi revelado por aquele que veio do Pai. Deus vem ao encontro do ser humano, por isso toda conversão se dá no encontro pessoal com Jesus Cristo. Ele revela sua proposta de vida nova, não como fato passado, mas como realidade plenamente atual, capaz de abraçar quem a acolhe em continuidade da única história da salvação, conduzida pelo Espírito Santo.

A Igreja é a comunidade dos seguidores de Jesus, novo povo de Deus fundado na nova aliança graças ao sangue de Cristo. A Igreja anuncia a salvação como sua razão de ser. Assim, todo aquele que crê é inserido numa cadeia ininterrupta de vida da Igreja, de anúncio da Palavra de Deus, de celebração dos Sacramentos, que chega a nós e que chamamos de Tradição. Essa nos dá a garantia de que aquilo em que acreditamos é a mensagem original de Cristo, pregada pelos apóstolos. 

Tendo sempre a consciência de que o amor de Deus precede a nossa conversão e proporciona uma relação pessoal de confiança, com vista à salvação e à vida eterna, torna-se fundamental a decisão de aceitar esta proposta de vida. O primeiro anúncio é interpelante, reitera a promessa de graça aplicando-a ao contexto dos ouvintes para suscitar a reação de cada um à mensagem.

Pode-se dizer que o primeiro anúncio oferece a porta de entrada da experiência cristã. É uma porta experiencial, vital, uma porta pela que tem que passar. E não se transpassa somente com o pensamento mas tomando uma decisão [...] de estabelecer um contato pessoal com Jesus Cristo, considerado como alguém que está vivo e que oferece a vida em plenitude, o encontro com Deus, a salvação”.[1]

“E como crerão se ninguém proclamar?” Assim é decisiva a missão de quem anuncia a Boa-Nova. Apesar dos limites de cada um, anuncia quem testemunha a Boa-Nova, aquele(a) que se põe a seguir o Mestre como discípulo para adquirir seus valores e participar de sua missão. 

Depois tratamos do lugar do querigma na iniciação cristã dos adultos. O querigma constitui o primeiro elemento do tempo do pré-catecumenato; conduz a uma conversão e fé inicial em Jesus Cristo para um posterior aprofundamento na catequese. Conforme o Documento de Aparecida deverá constituir o fio condutor de toda catequese.






[1]Morlans, Xavier. El primer anuncio. El eslabón perdido. Madrid, PPC, 2009, p. 45.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Rito dos eleitos

Estamos aprimorando a cada ano e  acredito que estamos longe de fazer acontecer em nossa paróquia a catequese de inspiração catecumenal. Porém, o importante é começar, melhorar aquilo que é possível. Digo que estamos longe de fazer acontecer a catequese de inspiração catecumenal, porque somos permissivos/frouxos demais... Com medo de perder, preferimos deixar passar muitas coisinhas.  Mas, estamos atentos,  sempre avaliando o processo e creio que devagar vamos aparando as arestas.

Trago comigo algumas inquietações:
(Me refiro ao processo que inicia na idade infantil até a maturidade na fé(dos 08 aos 15 anos) pois quando o processo é realizado com adultos, ele é menos complicado)
* Os catecúmenos/catequizandos/pais foram devidamente conscientizados sobre o significado desse rito. Quando vc ouve de um catequizando o seguinte: "a catequista disse que temos que participar de uma missa hoje..."Percebemos que ele não tem noção do que vai acontecer naquela missa. !!!!!????

(abro aqui um parenteses, para partilhar o que ouvi sobre esse rito, de uma catequista de minha diocese. Ela me contava que no encontro para conscientizar os pais e os padrinhos, houve um padrinho que disse não estar preparado para ser padrinho e uma mãe que assumiu que o filho não está preparado para ser crismado).

É por aí. Não adianta sacramentos em massa, sem conscietização, sem compromisso. E é por isso que estamos investindo no processo catecumenal. Se não vigiarmos, vamos mudar só de nome, ainda fazendo propaganda enganosa: Nossa paróquia está no processo catecumenal! aiaiaiiaiaia

* O catecúmeno/catequizando que não participou do rito, nem ao menos deu uma satisfação de sua ausência, esse catequizando deve prosseguir, como se nada de importante tivesse acontecido?
Ou vai prevalecer em nós o medo de perder esse catequizando? Não vamos perder, porque ainda não o conquistamos pra Cristo. 
(No caso desse rito, uma ausência não justificada é mostra que não está preparado para ser eleito)

* Os padres, na celebração do rito, tem feito sua homilia, valorizando os catecúmenos/catequizandos? Estão aproveitando desse momento para despertar para toda assembleia no que consiste a IVC? Ou simplesmente faz o que está no script, e bem lá no finalzinho, diz umas palavrinhas que quase ninguém percebe, pois a homilia foi tão longa, que quando cita o rito, todos estão desatentos.

E assim, vamos caminhando, avaliando, fazendo acontecer da melhor forma possível e claro, vibrando com as conquistas e de olho nos desafios, nos obstáculos a serem superados.

* Esse rito se encontra no RICA- Ritual de Iniciação cristã de Adultos


CELEBRAÇÃO DA ELEIÇÃO OU INSCRIÇÃO DO NOME

Realiza-se o rito na Celebração do primeiro domingo da Quaresma, depois da homilia.

Apresentação dos Candidatos

Após a homilia, a pessoa encarregada da iniciação dos catecúmenos/catequizandos ou um diácono, catequista ou delegado da comunidade, apresenta os que vão ser eleitos, com estas palavras:


Frei...(diga o nome de quem preside a celebração)



Aproxima-se as solenidades pascais, os catecúmenos e catequizandos aqui presentes, confiantes na graça divina e ajudados pela oração e exemplo da comunidade, pedem humildemente que, depois da preparação necessária e da celebração dos escrutínios, lhes seja permitido participar dos sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Eucaristia (omitir qual não seja).



Quem preside responde:



Aproximem-se com seus padrinhos e madrinhas, os que vão ser eleitos.
(todos os candidatos e seus padrinhos ficam de pé)

Quem preside prossegue:

A santa Igreja de Deus deseja certificar-se de que estes catecúmenos e catequizandos estão em condições de ser admitidos entre os eleitos para a celebração das próximas solenidades pascais.

E dirigindo-se aos padrinhos:

Peço, por isso, a vocês, padrinhos e madrinhas, darem testemunho a respeito da conduta desses catecúmenos: Ouviram eles fielmente a Palavra de Deus anunciada pela Igreja?

Os padrinhos: Sim, Ouviram.

Quem preside: Estão vivendo na presença de Deus, de acordo com o que lhes foi ensinado?

Os padrinhos: Estão.

Quem preside: Tem participado da vida e da oração da comunidade?

Os padrinhos: Têm participado.

Em seguida quem preside pergunta a assembléia se está de acordo.

Exame e petição dos candidatos

Quem preside exorta e interroga os catecúmenos com estas palavras ou outras semelhantes:

Agora me dirijo a vocês, prezados catecúmenos e catequizandos. Seus padrinhos e catequistas e muitos da comunidade deram testemunho favorável a respeito de vocês. Confiando em seu parecer, a Igreja, em nome de Cristo, chama vocês para os sacramentos pascais. Vocês, tendo ouvido a voz de Cristo, devem agora responder-lhe perante a Igreja, manifestando a sua intenção. Vocês querem ser iniciados na vida cristã pelos sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Eucaristia?

Catecúmenos: Queremos.

Quem preside: Querem prosseguir fiéis à santa Igreja, continuando a freqüentar a catequese, participando da vida da comunidade?

Catecúmenos: Queremos.


Quem preside: Dêem, por favor, os seus nomes.
(nesse caso, cada catequizando entregava seu nome...)

Pode-se também entregar a lista de nomes a quem preside com estas palavras:

São estes os nomes.

(cântico apropriado; salmo 15)



Admissão ou Eleição

Terminada a inscrição dos nomes, quem preside dirige aos candidatos estas palavras:

(N), eu declaro vocês eleitos para serem iniciados nos sagrados mistérios na próxima Vigília Pascal.

Catecúmenos:Graças a Deus.

Quem Preside:Deus é sempre fiel ao seu chamado e nunca lhes negará a sua ajuda. Vocês devem se esforçar para serem fiéis a ele e realizar plenamente o significado desta eleição.

Dirigindo-se aos padrinhos, exorta-os com estas palavras:

Estes catecúmenos, de quem vocês deram testemunho, foram confiados a vocês pelo Senhor. Acompanhem-nos com o auxílio e o exemplo fraterno até os sacramentos da vida divina.

Quem preside convida os padrinhos a pôr a mão no ombro do candidato que recebem como afilhado.

Oração pelos Eleitos

A comunidade reza pelos eleitos com estas palavras ou outras semelhantes.

Quem Preside:

Queridos irmãos e irmãs, preparando-nos para celebrar os mistérios da paixão e ressurreição, iniciamos hoje os exercícios quaresmais. Os eleitos que conduzimos conosco aos sacramentos pascais esperam de nós um exemplo de conversão. Roguemos ao Senhor por eles e por nós, a fim de que nos animemos por nossa mútua renovação e sejamos dignos das graças pascais.

Leitor:
Nós vos rogamos, Senhor, que por vossa graça estes eleitos encontrem alegria na sua oração cotidiana e a vivam cada vez mais em união convosco. R: Nós vos rogamos, Senhor!

Reconheçam humildemente seus defeitos e comecem a corrigi-los com firmeza. R: Nós vos rogamos, Senhor!

Transformem o trabalho cotidiano em oferenda que vos seja agradável. R: Nós vos rogamos, Senhor!

Tenham sempre alguma coisa a oferecer-vos em cada dia da Quaresma. R: Nós vos rogamos, Senhor!

Abstenham-se corajosamente de tudo o que possa manchar-lhes a pureza de coração. R: Nós vos rogamos, Senhor!

Acostumem-se a amar e cultivar a virtude e a santidade de vida. R: Nós vos rogamos, Senhor!

Renunciando a si mesmos, busquem mais o bem do próximo do que seu próprio bem. R: Nós vos rogamos, Senhor!

Em vossa Bondade, guardai e abençoai as suas famílias. R: Nós vos rogamos, Senhor!

Quem preside, com as mãos estendidas sobre os eleitos, conclui as preces com esta oração:

Pai amado e todo-poderoso, vós quereis restaurar todas coisas no Cristo e atraís toda a humanidade a ele. Guiai estes eleitos da vossa Igreja e concedei que, fiéis à sua vocação, possam integrar-se no reino de vosso Filho e ser assinalados com o dom do Espírito Santo. Por Cristo Nosso Senhor!

R: Amém.

Despedida dos eleitos

Quem preside despede os eleitos com esta exortação: Caros Eleitos, vocês iniciaram conosco as práticas da Quaresma. Cristo será para vocês o caminho, a verdade e a vida. Agora vão em paz.

Celebração da Eucaristia.

A Eucaristia prossegue com a oração dos fiéis em favor das necessidades da Igreja e do mundo.

sexta-feira, 7 de março de 2014

A sensibilidade e força das mulheres



* por Dijanira Silva

A alma feminina embora terna, vibra com desafios e riscos. Somos feitas assim: um misto de delicadeza e força, razão e sensibilidade. “Então chegou o dia em que o risco necessário de permanecer apertada em um botão, era mais doloroso, que o risco necessário para florir...” (Anaïs Nin).

E, quando chega este dia a mulher anuncia ao mundo que está viva e arranja no mais intimo do seu ser a coragem para florir! Basta, por exemplo, ver um filho doente, que a mulher desabrocha doando-se sem medidas enquanto exala amor e esperança em forma de cuidados. E quando a dor da perda lhe visita muitas vezes conseguem renascer dos escombros e continuar florindo enquanto embeleza novos jardins.

O Beato João Paulo II, em sua Carta às Mulheres em 1995, diz que pelo simples fato de sermos mulheres, com a percepção que é própria da feminilidade, enriquecemos a compreensão do mundo e contribuímos para a verdade plena das relações humanas. É de se perguntar: mas como enriquecer a compreensão do mundo pelo simples fato de ser mulher?

Deus criou a mulher completamente diferente do homem, para que um completasse o outro. Basta observar em nosso corpo, por exemplo, tudo tem sua finalidade bem definida pelo criador. Mas, não para por aí, nossa maneira de ser e agir, também são completamente diferentes. Saber respeitar estas diferenças e tirar bom proveito delas é uma arte que precisamos praticar todos os dias se desejamos uma vida mais feliz.

Segundo os pesquisadores Allan e Bárbara Pease, homens e mulheres evoluíram de formas diferentes. Os homens, durante a pré-história, eram responsáveis pela caça e as mulheres ficavam na caverna, cuidando da prole. Como caçador, o homem precisava ser capaz de identificar e perseguir alvos distantes. Desenvolveu assim uma visão focal, tipo “túnel”. Já a mulher precisava de um raio de visão que lhe permitisse perceber algum predador se aproximando, uma visão periférica mais ampla. É por isso que o homem moderno consegue facilmente encontrar um caminho mais fácil para chegar em casa, mas tem muita dificuldade em achar qualquer coisa na geladeira, ou no armário, sua visão é focal e não ampla.

Não consigo imaginar o mundo sem esta parceria entre o homem e a mulher! E isso, a meu ver, vai muito além da questão de ser mais ou menos, melhor ou pior. É reconhecer quem realmente somos e procurar viver de acordo com a vocação que recebemos. Não deixemos que nos roube o maior tesouro que temos, nossa originalidade!

As mulheres foram criadas para “completar” e não para dividir. Na citada carta do Beato João Paulo II, ele faz um agradecimento a mulher que vale a pena ser recordado: "Obrigado a ti, mulher-esposa, que unes irrevogavelmente o teu destino ao de um homem, numa relação de recíproco dom, ao serviço da comunhão e da vida. Obrigado a ti, mulher-mãe, que te fazes ventre do ser humano... que te torna o sorriso de Deus pela criatura que é dada à luz, que te faz guia dos seus primeiros passos, amparo do seu crescimento, ponto de referência por todo o caminho da vida. Obrigado a ti, mulher-filha e mulher-irmã, que levas ao núcleo familiar, e depois à inteira vida social, as riquezas da tua sensibilidade, da tua intuição, da tua generosidade e da tua constância".

Que a razão de sermos mulheres segundo os desígnios de Deus, impulsione nossa sensibilidade para levar ao mundo um sinal de esperança e vida. Não tenhamos medo de florir!

Sim, chega o momento que é preciso deixar de ser apenas botão e este momento é agora! Então desabrocha “rosa”... e encanta o mundo com tua beleza! Perfuma o jardim em que fostes plantada e lembra-te, que sendo quem tu és, atrairás a cada amanhecer os raios do sol que ti fará plena. Vive hoje esta aventura e revela ao mundo a autenticidade do teu criador. És mulher, tens beleza, tens valor!

*Dijanira Silva é missionária da Comunidade Canção Nova e locutora da Rádio América 1410 AM.
dijanira@geracaophn.com


quinta-feira, 6 de março de 2014

Catequese com crianças ou catequese infantil?

Li, gostei, repasso... Se quiser formar adultos na fé, deixe de lado a catequese infantilizada... Existe sim um respeito, uma pedagogia conforme as idades, mas temos que cuidar para não distorcer as coisas...
Sugiro que leia na íntegra esse texto, vale a pena! (Imaculada)

dsc04366.jpgVai e volta a gente escuta os catequistas dizerem: “Eu trabalho com catequese infantil”. Todos nós que escutamos esta expressão, logo concluímos que aquela pessoa é catequista de crianças e não de jovens ou adultos, ou seja, que sua turma é composta de crianças na faixa etária de mais ou menos 8 a 11 anos. Mas pensando bem, não parece estranha essa expressão catequese infantil? Será que é a catequese que é infantil ou o público que é infantil? Tomara que seja o público! A catequese deve ser sempre um processo sério, maduro, que ajude a transmitir uma experiência de fé genuína e não algo infantil ou infantilizante.

Para ler na íntegra, clique no  link abaixo:


quarta-feira, 5 de março de 2014

POR QUE A CELEBRAÇÃO DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS?

"Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam" (1 Cor 2,9).



A Igreja sabe que somos agarrados a este mundo; então ela precisa nos lembrar, a cada ano, que esta vida é provisória, e que é a outra a definitiva, a mais bela, onde não haverá choro e nem lágrimas, é a eterna. As Cinzas lembram isso; aquilo que Deus disse a Adão: “és pó e ao pó voltarás” (Gn 3,19), por causa do pecado. Mas Jesus “matou a morte” com sua morte. Então, você pode celebrar as Cinzas com fé, alegria e paz. É tempo especial de penitência, arrependimento, Confissão, mas não de tristeza. 

Celebramos as Cinzas olhando para a Ressurreição.

Para os antigos judeus sentar sobre as cinzas já significava arrependimento dos pecados e voltar para Deus. A maioria das pessoas, mesmo cristã, passa a vida lutando para "construir o céu na terra". É uma ilusão! Não seremos felizes aqui enquanto não entendermos e aceitarmos que aqui o pecado criou um “vale de lágrimas”. Não acredita? Então assista os telejornais! Devemos sim lutar para deixar a vida na terra cada vez melhor, mas sem a ilusão de que ficaremos sempre aqui. 

As Cinzas nos lembram de que a felicidade aqui só será possível se formos “desapegados” deste mundo, “caminhando entre as coisas que passam, mas só abraçando as que não passam”. A cada coisa que você se apega, será uma dor quando você a perder. Então, quem menos experimentará a dor? Quem menos se apegar. 

Deus dispôs tudo de modo que nada fosse sem fim aqui nesta vida. A cada dia temos de renovar uma série de procedimentos: dormir, tomar banho, alimentar-nos, etc.. Tudo é precário, nada é duradouro, tudo deve ser repetido todos os dias. A própria manutenção da vida depende do bater interminável do coração e do respirar contínuo dos pulmões. 

Em cada flor que murcha e em cada homem que falece, Deus nos diz: "Não se prendam a esta vida transitória". A vida está em nós, mas não é nossa. Quando uma bela rosa murcha, é como se ela estivesse nos dizendo que a beleza está nela, mas não lhe pertence. A mesma coisa quando uma bela artista envelhece. Como eram lindas Raquel Welk, Sofia Loren, Brigitte Bardott!...

Se a vida na terra fosse incorruptível, muitos de nós jamais pensaríamos em Deus e no céu. Acontece que Ele tem para nós algo mais excelente.

A efemeridade das coisas é a maneira mais prática e constante que Deus encontrou para nos dizer a cada momento que aquilo que não passa, que não se esvai, que não morre, é aquilo de bom que fazemos para nós mesmos e, principalmente, para os outros. Os talentos multiplicados no dia-a-dia, a perfeição da alma buscada na longa caminhada de uma vida de meditação, de oração, de piedade, essas são as coisas que não passam, que o vento do tempo não leva e que, finalmente, nos abrirão as portas da vida eterna e definitiva, quando "Deus será tudo em todos" (cf. 1 Cor 15,28). 

As Cinzas nos ensinam isso.