terça-feira, 6 de março de 2012

Éfeta??? O que é isso???

Éfeta, isto é, abre-te,
A fim de proclamares o que ouviste
Para louvor e glória de Deus.

Realizamos o Rito do Éfeta, com os catequizandos da Iniciação Cristã I - eucaristia, 1º ano. Esses ritos são de uma profundidade incalculável, se explicado e levado a sério. A pessoa do sacerdote nesse caso conta muito. Quando esse Rito é feito com crianças a presença dos pais é de suma importância. Antes do Rito acontecer propriamente, é explicado a dignidade da mesa da Palavra e de tudo que a envolve, conforme o material que disponibilizo abaixo. Depois de entendido, todas as crianças passam pelo Rito. Eu, sou suspeita em falar, pois me emociono em todos. Gosto de ver a carinha deles, presto atenção na postura do sacerdote, vejo a reação dos pais...
Foi maravilhoso, mas nem tudo saiu conforme o esperado,  avaliamos e vimos que temos que melhorar algumas coisinhas...


“Rito do Éfeta”.

Escutar e acolher a Palavra

Preparando o ambiente
Este encontro deve ser realizado em um local silencioso, que propicie a concentração dos catequizandos, de preferência na nave da Igreja ou ao redor do ambão. Acomode as crianças sentadas confortavelmente e providencie o texto com a Palavra de Deus para ser meditada. É importante que o local tenha vasos com folhagens, pois intensifica o objetivo de associar a Palavra criadora à vida.

Oração
Canta-se um mantra ou refrão sobre a Palavra, repetindo-se algumas vezes. Guardando um espaço de tempo entre uma e outra proclamação, leem-se os versículos de Is 55,10-11; Lc 4,20-21; Hb 4,12-13. Em seguida, repete-se o mantra ou refrão.

Isaías focaliza uma característica decisiva da Palavra de Deus: a sua eficácia, a sua força transformadora, fazendo explodir a vida. Essas afirmações eram muito mais significativas para os trabalhadores acostumados a lidar e lutar com o deserto, conhecedores da aridez das estepes, para os quais a chuva era sinônimo de vida. Até nas áreas mais esturricadas do sul da Palestina, ao haver um 'toró' abundante, brotam, a seguir, flores com as cores mais variadas e marcantes; assim como acontece no sertão das caatingas do Brasil.

Disto se aclara a verdade de que, onde cai a Palavra de Deus, aí germina e desabrocha a vida; ela não escorre em vão, até no terreno mais refratário da história humana. À confirmação disso, a Carta aos Hebreus diz: "A Palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes... Não existe criatura que possa esconder-se de Deus; tudo fica nu e descoberto aos olhos aos olhos dele" ( Hb 4,12-13). Em síntese: como a chuva penetra nas fendas abertas, favorecendo a vida, assim a Palavra de Deus penetra nas dobras do coração e nos lugares íntimos, desvela os sentimentos e os pensamentos mais escondidos da pessoa, colocando-a em estado de decisão. 

Tema
Apresente o ambão ou mesa da Palavra. Relembre os sinais que revestem a proclamação da Palavra e as atitudes de quem ouve e de quem a proclama. Depois, explique o valor da Palavra de Deus proclamada na celebração. Este encontro tem como objetivo familiarizar o catequizando com a escuta da Palavra, especialmente a que se dá na celebração eucarística.

'Um só é o ambão, pois uma só é a Palavra. Igualmente, lugr sagrado, e não deve ser usado para avisos ou outros interesses, mas apenas para as leituras e a proclamação do evangelho e, também, a homilia(isso se o presidente não for falar de si mesmo).

O ambão é considerado 'a pedra do sepulcro', pois o próprio Senhor foi e é o primeiro a testemunhar sobre si mesmo.

É o lugar do mais importante anúncio cristão: ressuscitou! Aí o diácono canta o Exultet na noite de páscoa. Aí o salmista canta o Salmo Sagrada Escritura são proclamados. Aí  o salamista canta o Salmo responsorial. Aí o salmista canta o Salmo responsorial. Aí a homilia indica-nos a parúsia e o juízo Final... 

Para pensar
A liturgia da Palavra e a eucarística estão intimamente ligadas entre si que instituem um só ato de culto. Temos a mesa do Pão da Palavra e a do Pão Eucarístico, ambas formam uma só mesa, um só alimento com igual dignidade. O ambão está relacionado com o altar, e é diferente da estante simples, em que o comentarista atua. Do ambão proclamam-se as leituras da missa lidas em um livro (nunca em folhetos), chamado lecionário, que, muitas vezes, é trazido em procissão.

Durante a celebração da Palavra, acontece a sequência das leituras – primeira leitura e salmo de resposta (Antigo testamento), segunda leitura do Novo testamento, canto de aclamação e proclamação do Evangelho (às vezes cantado). Ao final das leituras, dá-se a resposta “Palavra do Senhor”. Após a leitura do Evangelho, diz-se “Palavra da Salvação”; e o ministro beija o livro do Evangelho (nunca o folheto)

A boa postura e a preparação antecipada de quem proclama são fundamentais: Concentração diante da comunidade; vestes adequadas; uso correto do microfone; boa dicção e leitura clara; modulação da voz; além de, e principalmente, ter o domínio do que está lendo. “A Palavra de Deus é um acontecimento através do qual o próprio Deus entra no mundo, age, cria, intervém na história do seu povo para orientar sua caminhada.”1

Na sinagoga de Cafarnaum, Jesus pegou o livro de Isaias e proclamou a ação de deus em favor dos pobres, coxos e cegos. Depois concluiu: Hoje se cumpriu esta passagem da escritura que acabastes de ouvir (Lc 4,21). Com a mesma eficácia, a Palavra de Deus realiza hoje, no coração daqueles que se reúnem em assembléia e no nome do Senhor, o que ela mesma anuncia como Palavra de conversão, graça e salvação.

A Palavra não volta ao pai sem ter cumprido a sua missão (Is 55,10-11). Durante a celebração, é o mesmo Cristo que proclama o seu Evangelho de vida e salvação e renova ali tudo o que a Palavra anuncia como realidade de graça e salvação: os cegos vêem, os coxos andam, os surdos ouvem, os pobres são evangelizados (Lc 4,18)

Ao participar da assembléia eucarística, muitos de nós nos sentimos fragilizados ante os problemas pelos quais passamos. Dessa forma, escutar a Palavra significa acolher a salvação, a libertação, obtendo esperança para continuar lutando. A “Igreja cresce e se constrói ao escutar a Palavra de Deus, e os prodígios que de muitas formas Deus realizou na história da salvação fazem-se presentes, de novo, nos sinais da celebração litúrgica, de um modo misterioso, mas real. Esta Palavra de Deus, proclamada na celebração dos divinos mistérios, não só se refere às circunstâncias atuais, mas também olha para o passado e penetra o futuro , e nos faz ver quão desejáveis são as coisas que esperamos, para que, no meio das vicissitudes do mundo, nossos corações estejam firmemente postos onde está a verdadeira alegria.”3

A Palavra de Deus nos ensina a viver da maneira que agrada a ele. Somente seus ensinamentos podem julgar nosso coração. Diante da Palavra, nós nos reconhecemos santos ou pecadores, isto é, ela revela se nossa conversão ao reino, para que tenhamos sentimentos retos, que agradem ao Pai, e deixemos de lado os caprichos, o orgulho e as necessidades passageiras.

Para vivenciar
O fato de estarmos reunidos para acolher a Palavra de Deus requer algumas atitudes para que nos comuniquemos com os sinais que a liturgia oferece. Primeiramente, durante a celebração, devemos nos colocar com calma e em atitude de quem vai ouvir uma notícia de salvação, de esperança, porque é o próprio Cristo quem anuncia na força de seu Espírito.

As atitudes próprias de quem ouve, sentando ou de pé, revelam capacidade de escuta, atenção e acolhida do que Deus fala à comunidade. O movimento do corpo ocorre de acordo com o que nos sugere os animadores de canto, porém, nossa atitude interior é de concentração, atenção, escuta e adesão confiante ao Senhor. Os refrãos ou cantos são, normalmente, versículos bíblicos. “Durante as celebrações, é importante que a postura do corpo e os gestos externos correspondam à atitude interior de fé e oração. Nosso corpo também reza. Somos unidade de corpo e alma. Expressamos nosso sentimentos com a palavra e com nossa postura. O respeito, a disponibilidade, a humanidade, a proximidade, a adoração, a espera confiante e a receptividade verificam-se a partir da maneira de posicionar o corpo... A postura do corpo revela a atitude interior com que nos dispomos para acolher a Palavra”4

Para celebrar
Rito do “Éfeta”5
A celebração inicia-se de modo habitual, com o sinal da cruz e a saudação de quem preside. Segue a oração:

Oremos. Pai amado e todo-poderoso, vós quereis restaurar todas as coisas em Cristo e atraís toda a humanidade para ele. Guiai estes catecúmenos/catequizandos e os que vão completar a iniciação e concedei que, fiéis à sua vocação, possam integrar-se e participar plenamente no reino de vosso Filho e ser assinalados com o espírito Santo, o vosso dom. Por Cristo,nosso Senhor.
R. Amém
Depois de um canto apropriado, lê se MC 7,31-37.

O  Evangelho está cheio de cegos, de surdos, de mudos. Eles sofrem terrivelmente a solidão. Não conseguem se comunicar. Jesus toca nesses irmãos marginalizados e diz: "Éfeta", que quer dizer "Abre-te" (Mc 7,34). Ele continua também hoje a gritar o seu "Éfeta" a tanta gente que não enxerga, não ouve, não fala. E muitas vezes não enxerga a beleza de deus, não ouve a Palavra de deus, não fala a língua de Deus".6
Vamos assinalar a boca e os ouvidos com o sinal-da-cruz para que sejamos bons ouvintes e anunciadores da Palavra, lembrando o gesto de Jesus que tocou o surdo-mudo.

A seguir, quem preside, tocando com o polegar os ouvidos e os lábios de cada catequizando, diz:

Éfeta, isto é, abre-te,
A fim de proclamares o que ouviste
Para louvor e glória de Deus.

* Se forem muitos, poderá dizer a frase para todos e, depois a cada um dirá somente : "Éfeta, isto é, abre-te!"

Em seguida, pode haver preces espontâneas do grupo, a oração do Pai-nosso e quem preside dá a benção final.

¹ CNBB. Orientações para a celebração da Palavra de Deus. São Paulo, Paulinas, 1994
3 Lecionário semanal. São Paulo, Paulinas/Loyola, a995. Elenco das Lituras da Missa, n.7
4DERETI, E.Adolfo. Encontros de coroinhas; subsídios litúrgicos e vocacionais. São Paulo, Paulinas, 2006, pp. 25-26
5 Cf RICA, n. 194-202.
6 MASI, NIC. Cativados por cristo; catequese com adultos. São Paulo: Paulinas, 2010. p70

Fonte.: Esse material, foi extraído do livro INICIAÇÃO À EUCARISTIA(livro do catequista) - Nucleo de Catequese Paulinas  Padre Francisco Lelo

* Em lugares onde não há padres disponíveis, o rito poderá ser feito por um ministro da Palavra, diácono ou  por um catequista capacitado.



7 comentários:

  1. Oi, Imaculada!

    Este Rito é o mesmo de entrada? Aquele em que as crianças recebem a Bíblia?
    Estou cheia de dúvidas.
    Meus catequisandos irão receber a 1a. Eucaristia em abril e eles só participaram do Rito de Entrada (acolhida). Não sei se devemos fazer o Rito da eleição ou não. Tem também a Entrega dos símbolos: Credo, Pai-nosso e Mandamento do Amor.
    Se puder me ajude.
    Ainda estamos perdidos e não consigo contato com ninguém da Comissão da IVC de Niterói.
    Tá dificil...
    bjos
    Fique com Deus

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  2. Te respondo na próxima postagem, ok!! Mas, esse Rito não é o mesmo que o de Entrada, esse já é o que abre nossos ouvidos para ouvir e nossaboca para anunciar a Palavra recebida... Mas, explico melhor...logo, logo! Abraços!

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  3. Olá Imaculada, li seu comentário... engraçado rsrsrsrsrs o "certo" rsrsrsr. Aqui em nossa comunidade estamos com um sonho assim, já está meio caminho andado, onde nós queremos que seja o nosso centro, já tem construido um salão bem grande, agora falta as salas. Como é que vocês estão fizeram aí para arrecadar dinheiro, doações, ou melhor, como conseguirão erguer aquela maravilha? Aqui falta mais é verba e animação do povo rsrsrs.

    Imaculada tô andando com um medo danado, você sabe que estou desempregado e o que eu quero e tenho vontade mesmo é arrumar um trabalho na minha área que é dar aulas (enfim... não tirei diploma pra ficar mofando néh?), só que aqui tá complicado arranjar emprego nas escolas, todas que eu vou bate as portas, mas desanimar não desanimei não, mas só, que eu não posso ficar tanto tempo assim emprego, e terei que optar por trabalhar em fabricas, comercios e isso indica que terei que abandonar a catequese, pois os horários são os mesmos da catequese. Se isso acontecer eu nem sei o que acontecerá comigo, será a mesma coisa de levar uma facada no coração, tô rezando, maaaisss rezando tanto pra isso não acontecer. Por favor reze por mim tá?

    Abraço e paz e luz pra você!!!

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  4. Vc coloca como se fosse algo certo seu emprego e sua saída da catequese... Eu digo pra vc, Deus está cuidando de ti... e se for o caso de vc trabalhar provisoriamnte em outra área, vc poderá remanejar seu horário de catequese... Duvido que vc vá conseguir se ausentar... mas não se crucifique caso isso seja necessário... Há um tempo pra cada coisa e quem é catequista, nunca deixará de ser...
    Deus provê, Deus proverá!

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  5. Imaculada! Pesquisando no Google sobre o termo Efeta que Deus colocou no meu coração para ser o nome do meu grupo de jovens e encontrei seu post. Pensei em fazer esse rito com o nossos jovens, o que você acha? Como se fosse um momento de apropriação do nome do grupo por eles e repetiriamos uma vez por ano. Paz e bem!

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    1. Oi Jacqueline... Bela escolha do nome... Acredito eu não ter problema algum vc fazer...Achei linda sua ideia em usar o rito... Deus abençoe vc e à todos de seu grupo...

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  6. Elzira da Silva Oliveira: Sou catequista. Limoeiro.pe 03/09/2017

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