segunda-feira, 27 de maio de 2013

METODOLOGIA CATEQUÉTICA: UM PROCESSO DE INSPIRAÇÃO CATECUMENAL

* Partilho com vocês, um material elaborado por Erenice de Jesus,  trabalhado numa formação com os catequistas da Paróquia Sagrado Coração de Jesus,  de minha diocese. Dicas, direcionamentos de como montar, desenvolver um encontro catequético. Quando iniciamos as formações sobre IVC, foi a Erenice quem falou pra nós,  pela  primeira vez,  depois, noutra ocasião Padre Antonio Francisco Lelo. Eles são assessores da Paulinas. Ela é autora do Livro "Iniciação à vida Cristã dos pequeninos", destinado à crianças que estão em idade de pré-catequese. Aqui usamos com crianças de 08 anos. Ótimo! Às vezes queremos mudar nossa catequese e não sabemos por onde começar. Eu diria, que se deve começar pelas formações, para não corrermos o risco de dar tiro no escuro. Depois de conscientizados, é hora de traçar metas, organizar, planejar...

NUCAP – Núcleo de Catequese Paulinas
Erenice Jesus de Souza


Como bem nos afirma o Documento de Aparecida, pensar a Iniciação à Vida Cristã tornou-se um grande desafio a ser encarado com decisão, com coragem e com criatividade, em vista de colocarmos as pessoas realmente em contato com Jesus Cristo, convidando-as para o Seu seguimento, cumprindo assim nossa missão evangelizadora.
            Surge, diante disso, a preocupação com o “modo de fazer” a catequese nos dias de hoje, caracterizado pela busca de um “jeito” que realmente favoreça o planejamento da ação catequética, tanto no que se refere aos temas e conteúdos, ou seja, às verdades da fé a serem apresentadas em autênticos itinerários de introdução e de amadurecimento na fé para crianças, jovens e adultos, quanto na própria definição de um roteiro para os encontros que contemple objetivos claros, uma linguagem adaptada e atenta à realidade que ressoe a mensagem cristã aos corações.

            Neste sentido, a partir das contribuições apresentadas pelos catequistas sobre “COMO PREPARAR UM ENCONTRO DE CATEQUESE”, apresentamos algumas considerações que visam auxiliar no desenvolvimento de uma dinâmica de trabalho bem fundamentada às diversas etapas da iniciação. São elas:

1.      Em vista de atender ao que a Igreja orienta de acordo com a INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ, é de fundamental importância DESESCOLARIZARMOS as nossas concepções, a nossa linguagem, as nossas práticas. Para isso, vale relembrar e reafirmar: ENCONTRO CATEQUÉTICO NÃO É AULA, VIVÊNCIA/CONTEÚDO CATEQUÉTICO NÃO É MATÉRIA, CATEQUIZANDO NÃO É ALUNO, CATEQUISTA NÃO É PROFESSOR.  

2.       Ao preparar um encontro catequético, o catequista deve ter clareza do que irá desenvolver com o seu grupo. Para isso, a elaboração de um roteiro dos temas a serem desenvolvidos e um planejamento no qual seja contemplada a participação nas atividades pastorais e noutras de interesse do próprio grupo é de fundamental importância neste processo.

3.      Definir o passo-a-passo de um encontro catequético deve proporcionar segurança ao catequista sobre o que será vivenciado no tempo em que estará com os catequizandos e vice-versa. Para isso, contar com a opinião dos catequizandos, de modo que eles possam ajudar o catequista no planejamento dos encontros é uma dica importante. Converse com o grupo e veja quais são as suas expectativas, o que gostariam que tivesse na catequese. Isso os ajudará a entender o que é a catequese e como ela se organiza. IMPORTANTE: tudo o que for decidido deve somar forças para um aprendizado seguro da fé cristã.

4.   Jeitos para realizar um encontro catequético não faltam. Uma variedade de momentos podem ser vivenciados, de modo que o essencial à prática catequética, ou seja, à educação na fé seja contemplado. Neste sentido, acreditamos que bons encontros catequéticos devem contemplar:

a)    Preparação do ambiente: de acordo com o tema a ser trabalhado o espaço do encontro poderá ser organizado com símbolos, cartazes. Torna-se indispensável a organização de um local no qual a Bíblia e uma vela estejam sempre presentes.

b)   Acolhida: à chegada para o encontro o grupo deve ser acolhido de maneira que sinta a importância da sua presença no encontro. Seja com um bom dia/boa tarde/boa noite, uma lembrancinha, uma mensagem/cartãozinho, uma música, uma dinâmica... contar como foi  a semana, conversar sobre algum assunto de interesse do grupo, alguma notícia em evidência... Fazer uma procissão de entrada da Bíblia, de uma vela e de algum símbolo referente ao tema, tornam-se opções.

c)    Oração: neste momento toda a disposição dos presentes deve ser elevada para o sentido pleno do que será vivenciado. Fazer uso do silêncio, dos olhos fechados, dar as mãos, ajoelhar-se, sentar, ficar em pé... seja com uso de um refrão meditativo, apresentação de preces (pedidos/intenções), agradecimentos... O uso de uma música, a Proclamação do Salmo referente à liturgia do domingo ou de algum versículo vocacional (Ex. Jeremias 1, 4-10) tornam-se algumas opções. Orações como “Pai Nosso, Ave Maria, Salve Rainha, Creio, Espírito Santo” são apresentadas na medida em que os estudos são realizados.

d)  Apresentação do tema: Realizada a acolhida e a oração, no momento de apresentar o tema o catequista poderá fazer uso de um cartaz/símbolo, por exemplo, expondo-o para que o grupo direcione a sua atenção para o que será tratado. Fazer memória do encontro anterior, de modo a garantir a coerência das ações é uma prática a ser destacada. Conversar com o grupo e ouvir suas primeiras ideias/impressões sobre o tema é uma prática que favorecerá um diagnóstico do que os grupo já sabe e o que precisa aprender. Neste sentido, os livros/subsídios trazem elementos que contribuem para que o catequista tenha conhecimento sobre o que dialogar com o grupo, o que questionar, como acolher suas dúvidas.

e)  Proclamação da Palavra: todo o trabalho toma sentido neste momento. A Palavra deverá ser proclamada com clareza. O catequista poderá proclamá-la, um catequizando poderá fazê-la (desde que seja solicitado na semana anterior para que ele possa se preparar). Os versículos selecionados poderão ser lidos no seu conjunto e depois no momento da reflexão) um versículo por vez vai sendo retomado. Que a Palavra seja proclamada de forma solene, diretamente do ambão/mesa. No caso da opção pelo “Evangelho” do domingo, ampliar a compreensão do que é tratado a partir da proclamação da Primeira Leitura (Antigo Testamento), do Salmo e da Segunda Leitura (Cartas Paulinas). O uso do Método da Leitura Orante (Lectio Divina).

f)    Reflexão/Vivência: Optar pela realização de uma dinâmica que motive a compreensão sobre o tema, ou seja, um trabalho em grupo com cartazes/maquetes, atividades escritas ou ilustrativas, gincanas, brincadeiras, músicas, ensaio de peças teatrais, trabalhos manuais com recorte/colagem, debates nos quais opiniões diferentes podem ser apresentadas sobre um mesmo assunto (na medida em que na discussão possa ser revelada a visão cristã sobre o assunto em questão), apresentação de textos/histórias diversas, testemunhos (experiências de vida), visitas, filme, entre outros, tornam-se elementos a serem valorizados.
     
g)    Partilha/compromisso/gesto concreto:  Fazer ressoar na vida o que é vivenciado na catequese é o verdadeiro propósito. Para isso, decidir um gesto concreto, uma ação para a semana seguinte ou algo que possa ser feito para ajudar alguém (por ex. em um determinado momento é solicitado ao grupo trazer alimentos para que uma cesta básica seja montada), entre outras possibilidades. Avisos/convites/apresentação das pastorais poderão ser realizados, bem como a orientação de atitudes a serem vivenciadas em casa, na escola, na rua, no trabalho...


h)   Celebração: é fato que a Liturgia deve permear a ação catequética. Para tanto, o catequista deverá resinificar os momentos finais dos encontros para além da concepção de um “oração final”. Quando tratamos de “celebração”, garantimos que tudo o que foi vivenciado tem um sentido pleno, uma espiritualidade. Que neste momento práticas como, por exemplo, o gesto de molhar a mão na água benta e traçar sobre si o sinal da cruz, seguido de uma canção pouco a pouco vão orientando os catequizandos para a necessária santificação de suas ações. Apresentar as preces, fazer pedidos, agradecimentos, abençoar o grupo, solicitar aos catequizandos que escrevam orações e a depositem em um caixa, solicitar que escrevam orações ou que tragam orações escritas pelos seus familiares a as apresentem, a realização de um lanche, o abraço da paz, entrega de lembrancinha/mensagem... são evidencias celebrativas a serem contempladas.

Elevar, sempre!

"Sinta a verdade daqueles que só surgem em tua vida para te elevar...
 sim, eles existem, podem não ser parecidos com anjos, nem ter asas visíveis...
 mas te levam em vôos tão altos e imprevisíveis que no teu íntimo algo te convence, que só pode ter vindo de Deus..." Gi Stadnicki

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Concluindo o assunto: encontros prontos!


Imaculada , obrigada pelo estímulo e pelas palavras sábias que vieram esclarecer o suposto equívoco. Sou da mesma opinião que outros catequistas deixaram aqui. Assim como me apoio em atividades, ideias e experiências que venham completar ou acrescentar algo mais a meus encontros, também acho por bem partilhar experiências minhas que deram certo. Espero que elas também venham a completar as atividades de outros/as.

Quanta coisa tenho aprendido aqui com você ! Quanto tenho aprendido também pesquisando outros sites/blogs. 

Agora mesmo, li toda sua postagem sobre pentecostes. Encontros riquíssimos em que as ideias podem ser aproveitadas, Não copiadas, mas podem sim enriquecer nossos encontros. Aqui em nossa paróquia não pudemos "trabalhar" pentecostes, o que eu acho uma grande perda . Estamos em ensaio de coroação de Nossa Senhora, e durante as semanas de ensaios não teremos encontros. Mas , Espírito Santo , clamamos sempre nos encontros semanais. E eu pretendo aproveitar alguma sugestão daqui para enriquecer a atividade que também faço com velas. Viu só? É partilhando que nos tornamos cada vez mais fortes e unidos em Cristo. Cada qual com sua vivência.

Beijus e um grande abraço.

Edite


Querida Edite, acredito que abordar esse assunto aqui, serviu de alerta, espero ter sido  proveitoso. Não resta dúvidas, que nada  deve impedir a criatividade, o estudo, o aprofundamento do catequistaTemos consciência de que nós catequistas, não somos um 'iluminado', as inspirações surgem à partir do momento em que somos  dóceis à ação do Espírito Santo, rezando o encontro, a passagem bíblica,  tentando encontrar a melhor maneira de transmitir a mensagem para nossa realidade. Se nessa busca, nesse desejo,   nos deparamos com  sugestões partilhadas em  blogs, acredito ser uma resposta. Tudo o que publico no meu blog, foi rezado e  faço com desejo profundo de tocar corações e tenho certeza que isso acontece também com você e com outros catequistas blogueiros. Nossos blogs existem para evangelizar, formar, orientar, animar, e acredito piamente que somos apenas instrumentos de Deus.

Uma pequena comparação quanto ao preparar-se. Quando participamos da missa, percebemos se o padre preparou a homilia ou não! Não gosto, não me toca, quando o padre lê a homilia, prefiro poucas palavras, vindas do coração, fruto de um preparo. Assim  também acontece em nossos encontros, os catequizandos percebem se preparamos ou não. Esse preparo, essa espiritualidade, não se copia. 

Que nossas partilhas, sugestões sejam sempre, frutos do Espírito Santo. E que, unidos, partilhando experiências, possamos nos sentir um em Cristo.

Beijo grande
Imaculada



"A experiência concreta mostra a beleza de algumas iniciativas e incentiva a criar algo parecido"