sábado, 4 de junho de 2011

Catequese com adolescentes

Essa etapa é a mais temida, acredito eu, pelos catequistas... Talvez porque não estejam preparados para lidar com a transição em que eles passam nesse período...
Daí, a importância do catequista ler sobre "catequese conforme as idades", que o DNC vem tratar no capítulo IV...
Acredito também que essa seja a etapa onde eles mais precisam estar na catequese, em contato com outros da mesma idade e sendo orientado por um catequista, de preferência capacitado para trabalhar com essa idade...
Fico desolada, com a atitude de alguns pais que não querem, ou não faz questão de que o filho persevere na catequese, talvez pensando em descansar por um tempo e depois trazer para receber o próximo "diploma", a Crisma...
Cabe ao catequista não aceitar essa decisão e tentar de todas as formas conscientizá-lo de que essa é a etapa é muito importante...
Outro dia conversava com um catequista e ele me perguntava o que fazíamos com os catequizandos que recebiam a primeira Eucaristia. E afirmava que na sua paróquia, a maioria sumia...
Disse que temos a etapa da perseverança, que são dois anos com temas próprios e depois disso, numa sequência, a catequese de crisma, mais dois anos...
Ele disse que na paróquia dele, não tem essa etapa, pois não tem catequistas...
Puxa, fiquei triste, pois existe lá uma lacuna, um vazio que não poderia ter...
Que bom se nossos párocos,  nossos coordenadores, lessem esse diretório e com garra e coragem começassem um apelo à comunidade na busca de catequistas...
Rezemos ao Senhor, para que ele envie operários para essa grande messe...
Só rezar não adianta, precisamos ser o microfone na boca de Deus... Gritar aos quatro cantos se preciso for.
Peça nas missas, onde tem tantos esquentando bancos sem comprometimento... Coloque um "chamado" nas emissoras de rádio...
Façam um "manifesto" pelas ruas com faixas, afinal existem manifestos pra tudo, porque não para pedir catequistas...
Só não podemos é nos conformar e ficar no efeito "Gabriela": aqui é assim, sempre foi assim e sempre será assim...


195 do DNC 
A adolescência, bem orientada, é um dos alicerces
para o desenvolvimento de uma personalidade
equilibrada e segura. Nesse período o adolescente
cresce na consciência de si mesmo, de suas potencialidades,
sentimentos, dificuldades e das transformações
que estão acontecendo em sua vida. Isso
pode ocasionar desajustes emocionais e comportamentais,
com os quais nem sempre saberá lidar. A
característica principal dessa idade é o desejo de
liberdade de pensamento e ação, de autonomia,
da auto-afirmação, de aprendizagem do inter-relacionamento
na amizade e no amor. Essa fase tão
turbulenta nem sempre recebe os devidos cuidados
pastorais, ocasionando um vácuo entre a Primeira
Comunhão Eucarística e a Confirmação. Urge para
os adolescentes um projeto de crescimento na fé,
do qual eles mesmos sejam protagonistas na descoberta
da própria personalidade, no conhecimento
e encantamento por Jesus Cristo, no compromisso
com a comunidade e na coerência de vida cristã na
sociedade.

Atividades próprias para a catequese nessa idade
são:
a) acolher o adolescente na comunidade e favorecer
o compromisso real e fiel na mesma;
b) oferecer oportunidades para que, na busca do
seu universo, nas suas descobertas, tendências
e valores, o adolescente se sinta estimulado para
a vivência cristã;
c) criar grupos de catequese de perseverança, coroinhas,
adolescência missionária, animação, canto,
teatro, cinefórum, escotismo, acampamentos,
missão de férias;
d) promover atividades artísticas, danças, músicas;
e) realizar passeios, entrevistas, romarias, excursões;
refletir temas próprios da idade, buscando
auxílio das ciências, sobretudo a psicologia;
f) organizar equipes de serviços comunitários,
tanto eclesiais quanto sociais;
g) alimentar a consciência de que o crescimento
na fé requer uma formação continuada rumo à
maturidade em Cristo (cf. Ef 4,13).

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Se uma porta se fecha aqui, outras portas se abrem alí...




Catequese em movimento

Quantas e quantas vezes escutamos: "Hoje já não se concebe mais uma catequese nos moldes daquela que tivemos". De que adianta se isso não provoca um certo "movimento" em nós. A palavra "movimento" faz muito sentido nesse tempo em que estamos vivendo. Tudo está em pleno movimento e quando nós ainda insistimos numa catequese parada, preocupada em receber sacramentos(isso também já cansamos de ouvir), perdemos a grande oportunidade de fazer do momento da catequese um grande "movimento".

Estava aqui pensando em todas as pessoas, padres, religiosas, bispos, catequétas, enfim "cabeças pensantes" da catequese, pessoas que traçam caminhos, direcionamentos,  setas a nos indicar o caminho para a renovação na catequese em nossas paróquias, isso tudo porque foram inspirados.
Muitos foram os documentos escritos sob essa luz que tenta clarear de alguma forma nosso fazer catequético.

Vejo que aos poucos esse "movimento" tem intensificado e aos poucos as janelas estão se abrindo, as paróquias, os catequistas tem tomado consciência de que precisa ajustar algumas coisas. É uma ansiedade, uma inquietude tomando conta do coração de muitos catequistas, percebo isso ao falar com muitos deles.

E até que entendamos que essa inquietude é ação do Espírito Santo, fica parecendo  que estamos sendo catequistas "rebeldes",  sempre reclamando disso ou daquilo. Muitos pensam até em desistir, porque não conseguem mais "amassar barro".

Insisto, essa inquietude é boa, é positiva, desde que haja discernimento. Alguém tem que dar um pontapé e nem sempre esse pontapé é dado pelo pároco ou pelo coordenador, mas por aquele catequista que está na lida diretamente com os catequizandos, aqueles que estão com a mão na massa, consegue enxergar que não dá mais.

Agora, esse catequista tem que ficar calado, por causa de uma hierarquia, porque  tem que se colocar no lugar dele? Discordo! Nosso coordenador e mestre sempre será o Espírito Santo. As coordenações, os párocos tem que ter a humildade de saber ouvir a opinião dos demais catequistas.
Essa voz, muitas vezes sufocada pode ser o fio da miada para uma renovação na catequese.

Às vezes pedimos paciência para suportar o que não pode ser mudado e pedimos também coragem para lutar por aquilo que pode ser mudado.
Isso levado para o âmbito da catequese, pode ter dupla interpretação, posso usar disso como uma fuga, como um lavar as mãos. Cabe a nós discernir de fato o que pode e o que não pode ser mudado no nosso grupo de catequistas para o bem da catequese.

Acho também que as coordenações deveriam ser pessoas mais bem preparadas, no mínimo pessoas que tenha o dom de escutar e de acatar sugestões. Pessoas que conheçam, ou que tenham o interesse em conhecer o que nos orienta o Diretório Nacional de catequese, o documento de Aparecida. Não estou citando aqui o documento 97, que fala sobre a IC e nem as recentes diretrizes traçadas para a ação evangelizadora. Estou cutucando, será que conhecemos o DNC, aprovado em 2005?

Não sei porque estou escrevendo tudo isso, estava aqui pensando na realidade de nossa paróquia, em como estamos lutando a cada ano para aprimorar aquilo que fazemos,  tentando encontrar um modo mais fácil de comunicação entre todas as etapas,  tentando essa proximidade com a família,  tentando fazer da catequese um processo de amadurecimento e adesão a Cristo Ressuscitado...Quanta coisa podemos melhorar? Quantos obstáculos a serem superados? Quanta fragilidade humana por parte de nossos catequistas?... Eu sei, que tudo isso é natural, faz parte desse processo, estamos aprendendo a iniciar nossos catequizandos, ao mesmo tempo em que estamos amadurecendo nossa fé, crescendo, tornando catequistas adultos na fé, sendo iniciados também... Que não nos falte nunca a nossa amiga e companheira HUMILDADE...Nesse processo ninguém é melhor que ninguém, estamos todos no mesmo barco e temos que ajustar nossos remos, se queremos atingir terra seca...Que Jesus seja sempre nosso comandante...

Se você ainda não leu o DNC, clique AQUI e leia...