domingo, 31 de julho de 2011

A origem da "Salve Rainha"

A cada encontro dado, a cada turma que encerro, gosto de me avaliar como catequista... Nessa última que passou, sai com a sensação de que poderia ter trabalhado melhor as orações... Mas, deduzindo que nossas crianças deveriam vir de casa sabendo as orações básicas, acabamos por dedicar em outras coisas e ficamos condicionados àquilo que é mais rápido e prático, como por exemplo a Ave-Maria e o Pai-nosso... Vamos começar qualquer coisa, é automático... Ave-Maria, cheia de graça... ou Pai, nosso que estais no céu... Parece que temos preguiça de rezar a Salve Rainha ou o Creio... Ou será que temos medo de engasgar?... Falando em engasgar, acredita que numa visita eu engasgei no pai nosso,... gente, tive que recomeçar...rsrsr Fiquei pensando no que os pais pensaram: "Puxa, que bela catequista!" O que o nervoso não faz! Dá um branco geral!
A primeira oração que passo é a do Espírito Santo e nesse ano quero fazer o propósito de também rezar a Salve Rainha e o Creio...
Mais que decorar, precisamos estar atentos ao significado de cada oração... Achei interessante colocar pra quem não sabe a origem da Salve Rainha e se alguém souber de outra versão, por favor, me comunique...
Seria legal, passar aos catequizandos a oração e também a origem para que mostrem aos pais...
A "Salve Rainha" é uma das orações mais populares entre os católicos

De tão repetida, é rezada às vezes, de forma maquinal, sem que se sinta da profunda emoção que a percorre do princípio ao fim. Por isso, para recuperar toda sua vibração original, pode ser útil analisar, uma por uma, as estremecidas palavras que a conformam.

Quem compôs esta prece tinha uma experiência muito viva das misérias da vida humana. Nesta prece "bradamos" como "degredados", "suspiramos gemendo e chorando", vemos o mundo como "um vale de lágrimas", como um "desterro"...

Entretanto, essa melancólica visão da vida acaba dissolvendo-se num sentimento de doce esperança que a ultrapassa e domina. Com efeito, se ao considerar a condição humana, o autor da prece só vê motivos de tristeza, ao fixar sua atenção naquela a quem a dirige, mostra-se animado por um horizonte de expectativas reconfortantes e consoladoras, pois ela, a Virgem Maria, é "mãe de misericórdia", "vida, doçura, esperança", "advogada" de "olhos misericordiosos"...

Captaremos melhor o estado de ânimo de que brotou esta comovente oração se lembrarmos quem a compôs e em que circunstâncias. Ela é atribuída ao monge Herman Contrat que a teria escrito por volta de 1.050, no mosteiro de Reichenan, na Alemanha.

Eram tempos terríveis aqueles na Europa central:
sucessivas calamidades naturais, destruindo as colheitas, epidemias, miséria, fome e morte por toda parte... e, como não se bastasse, a ameaça contínua dos povos bárbaros do Leste que invadiam os povoados, saqueando e matando, destruindo tudo, inclusive igrejas e conventos. Frei Contrat tinha consciência da infortunada época em que vivia, mas tinha outras razões, além das agruras da vida de seus contemporâneos, para a aflição e o desconsolo. E não podia fechar os olhos para elas, pois as carregava no seu corpo:

ele nascera raquítico e deforme; adulto, mal conseguia andar e escrevia com dificuldade, de mirrados que eram os dedos das suas mãos. Foi no fundo de todas as misérias, as próprias e as alheias, que a alma de Frei Contrat elevou à Rainha dos céus essa maravilhosa prece, carregada de sofrimento e esperança, que é a "Salve Rainha". Mas, se foi capaz de fazê-lo foi porque, no mais íntimo de seu ser cintilava, sobre a paisagem desolada do mundo, a figura esplendorosa e amável da Mãe de Jesus..

Contam que, no dia do seu nascimento, ao constatarem o raquitismo e má formação do bebê, seus pais caíram em prantos. Sua mãe Miltreed, mulher muito piedosa, ergueu-se então do leito e, lá mesmo, consagrou o menino à Mãe de Deus. Consagrado a Ela, foi educado no amor e na confiança em relação a Ela. E foi com essa bagagem na alma que anos mais tarde foi levado (de liteira, pois continuava sendo um deficiente físico) até o mosteiro de Reichenan, aonde com o tempo chegou a ser mestre dos noviços, pois o que tinha de inapto seu corpo, tinha de perspicaz seu espírito.

Quando veio a ser conhecida pelos fiéis a "Salve Rainha" teve um sucesso enorme e logo era rezada e cantada por toda parte. Um século mais tarde, ela foi cantada também na catedral de Espira, por ocasião de um encontro de personalidades importantes, entre elas, a do imperador Conrado e a do famoso São Bernardo, conhecido como o "cantor da Virgem Maria", pelos incendidos louvores que lhe dedicava nos seus sermões e escritos (ele foi um dos primeiros a chamá-la de "Nossa Senhora").
Dizem que foi nesse dia e lugar que, ao concluir o canto da "Salve Rainha" (cujas últimas palavras eram "mostrai-nos Jesus, o bendito fruto do vosso ventre"), no silêncio que se seguiu, ouviu-se a voz potente de São Bernardo que, num arrebato de entusiasmo pela mãe do Senhor, gritou, sozinho, no meio da catedral: "ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria"... E a partir dessa data estas palavras foram incorporadas à "Salve Rainha" original.

Nos quase mil anos que se passaram desde que Herman Contrat compôs a "Salve Rainha" uma multidão incontável de fiéis tem se identificado como os sentimentos que ela expressa, vivendo desde sua aflição a doce esperança que inspira sempre a figura amável e amada da Mãe do nosso Salvador.

 ** Tem muito tempo que arquivei esse material e não sei de sua fonte, se alguém souber, é só dizer que dou os devidos créditos...

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